Gravadoras fecham acordos de IA, mas artistas resistem a liberar catálogo

7 de Ago de 2026 - 14:00
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Gravadoras fecham acordos de IA, mas artistas resistem a liberar catálogo

Gravadoras correm para fechar acordos com empresas de inteligência artificial, mas ainda esbarram na resistência de artistas em liberar voz, imagem e músicas para treinar e gerar novos conteúdos, de acordo com a Bloomberg.

O que aconteceu

Universal Music Group, Sony Music e Warner Music têm catálogos grandes e conseguem licenciar gravações, mas as empresas de IA não podem manipular essas faixas sem o aval de quem as gravou. A disputa envolve não só direitos autorais, mas também o uso de voz, nome, imagem e semelhança dos artistas em ferramentas que criam músicas a partir de comandos de texto.

Parte dos músicos diz que não quer ver suas obras servindo de base para modelos de IA, mesmo com oferta de dinheiro. "A Madonna não quer que a música dela seja usada para treinar. Não importa o que você queira pagar a ela. Ela é muito clara e não quer que suas músicas sejam usadas para treino de IA", afirmou Guy Oseary, empresário de Madonna, no podcast de Tim Ferriss.

Mesmo artistas mais abertos à tecnologia têm evitado assinar contratos agora, enquanto tentam definir regras de pagamento e proteção de reputação. Representantes querem um arcabouço financeiro e legal que garanta remuneração por novos produtos e mecanismos para impedir usos indesejados do nome e da voz.

Gravadoras e plataformas de streaming também tentam convencer investidores de que têm uma estratégia vencedora em IA. Segundo a Bloomberg, o receio sobre o impacto da tecnologia no negócio ajudou a derrubar as ações de empresas como Universal, Warner e Spotify.

Warner, Universal e Merlin assinaram acordos com a Udio, que permite gerar músicas com IA a partir de um texto digitado. A Warner também fechou com a Suno, que oferece recursos parecidos e permite baixar e compartilhar as faixas criadas, enquanto Universal e Merlin trabalham com o Spotify em um recurso de remix com IA.

Executivos dizem que artistas já concordaram em participar, mas não divulgam nomes e admitem que o processo é trabalhoso. "É um pouco complexo, dá trabalho, e todos nós estamos trabalhando nisso. Mas é algo pelo qual todos nós temos que passar, e estamos passando", disse Robert Kyncl, CEO do Warner Music Group, em uma chamada com analistas.

Por que o aval dos artistas virou o ponto central

Antes de fechar parte desses acordos, Universal e Warner chegaram a processar startups de IA por suposta violação de direitos autorais. A Sony, por sua vez, adotou uma postura mais cautelosa e ainda está em litígio contra as duas empresas citadas na reportagem.

Mesmo quando a gravadora tem direitos sobre gravações, ainda há sensibilidade sobre treinar modelos sem consentimento explícito do artista. A Bloomberg relata que alguns detentores de direitos buscam autorização justamente para reduzir o desgaste com músicos e fãs.

O debate ficou mais exposto após a publicação de dados de treinamento usados por modelos de música, que listavam artistas cujas obras ajudaram a formar essas tecnologias. Em reação, a cantora americana SZA criticou a prática nas redes sociais: "Não há nada que você possa me dizer para tornar isso aceitável", escreveu a cantora no Instagram.

Além de treinar modelos, empresas querem permitir que usuários gerem músicas "no estilo" de artistas famosos, citando nome e voz em comandos de texto. A preocupação, aponta a reportagem, é perder o controle sobre o que terceiros podem colocar na boca de um artista, já que a voz é um traço único e facilmente associável.

Para advogados do setor, a discussão pode acabar definindo o mercado de consentimento e remuneração na música feita com IA. "Isso tudo pode virar uma moda passageira. Quantas pessoas querem pagar a mais para fazer remixes estranhos de 'Time After Time' ou 'American Pie'? Isso cria um momento para discutir e definir o mercado quando o assunto é consentimento do artista, clareza e compensação", disse Jordan Bromley, do escritório Manatt, Phelps & Phillips, à Bloomberg.