Figura vista no Google Earth leva cientistas a desvendar mistério nos Andes

2 de Out de 2026 - 18:00
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Figura vista no Google Earth leva cientistas a desvendar mistério nos Andes

Uma estrutura de pedras localizada pelo Google Earth nos Andes argentinos será investigada para descobrir se é um geoglifo e se teve uso cerimonial.

O que aconteceu

O conjunto fica na cordilheira do Tigre, em Mendoza, a cerca de 3.000 metros de altitude. Visto de cima, reúne formas circulares, setores retangulares e passagens. Sua idade, a função e a possível ligação com os incas ainda precisam ser confirmadas.

A investigação integra o projeto ArqueoAndes, que reúne pesquisadores da Argentina e da Espanha. Participam especialistas do Ianigla, vinculado ao Conicet, da Universidade Nacional de Cuyo e da Universidade de Jaén.

Não há antecedentes em reportagens nem em publicações. É uma descoberta inédita para a arqueologia. Não é um sítio arqueológico comum, não há outro igual em Mendoza Cristina Prieto-Olavarría, arqueóloga, ao jornal argentino Los Andes

O responsável pela descoberta é o montanhista Carlos Gobbi, que procurava possíveis sítios arqueológicos na região havia quase 30 anos. Após ouvir relatos sobre antigas construções de pedras na cordilheira do Tigre, ele passou a examinar a área pelo Google Earth.

Gobbi identificou a estrutura nas imagens em maio de 2025. Tentou chegar ao local em setembro e novembro daquele ano, mas não conseguiu. O acesso foi possível em 14 de fevereiro de 2026, quando estava acompanhado de Adrián Radich e Gabriel Orofino, segundo o Los Andes.

A viagem levou quase quatro dias, em uma região sem água nas proximidades e sem sinal telefônico. No terreno, o grupo encontrou pedras empilhadas formando passagens, além de áreas escavadas e revestidas com rochas. "Quando vi aquilo, foi realmente impactante", relatou Gobbi ao Los Andes.

Ao retornar, o montanhista apresentou as fotografias a Prieto-Olavarría e Chiavazza. As imagens chamaram a atenção dos pesquisadores, mas não foram suficientes para determinar quando as estruturas foram construídas ou para que serviam.

Uso religioso é uma das hipóteses

Os especialistas consideram a possibilidade de um centro cerimonial do período inca, embora também investiguem outras origens e funções. Segundo o El País, a construção pode ser anterior ou posterior a esse período e ter sido utilizada de diferentes maneiras ao longo do tempo.

A dificuldade de acesso e a ausência de água estão entre os elementos analisados. No primeiro levantamento, também não foram encontrados fragmentos de cerâmica ou restos de alimentos na superfície que sugerissem uma ocupação residencial permanente. "Interpretamos que não era um lugar para habitar de forma permanente", afirmaram os especialistas ao Los Andes.

Caso a ligação com os incas seja confirmada, os pesquisadores avaliarão se o conjunto se relacionava à importância religiosa atribuída às montanhas e a outros elementos da paisagem. Sua disposição também poderá ser estudada em relação a orientações astronômicas.

Uma expedição está prevista para dezembro de 2026. Gobbi deverá acompanhar os pesquisadores como guia. A equipe pretende mapear a construção com drones e GPS de precisão, realizar escavações e coletar sedimentos. As análises poderão ajudar a estabelecer a idade do sítio e reconstruir as condições ambientais da região durante seus possíveis períodos de uso.

A aparência vista do alto permite considerar a hipótese de um geoglifo, um desenho de grandes dimensões feito sobre o terreno. Isso, porém, não estabelece uma relação direta com as famosas Linhas de Nazca, no Peru.

Não há um paralelo, nem no desenho nem nas técnicas de elaboração, com as Linhas de Nazca Chiavazza ao La Nación

Segundo o arqueólogo, enquanto Nazca apresenta traçados feitos por meio de valas, a estrutura de Mendoza inclui construções formadas pela acumulação de pedras.