Ex-funcionária do Facebook processa a empresa por tentativas de silenciá-la

25 de Jun de 2026 - 15:45
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Ex-funcionária do Facebook processa a empresa por tentativas de silenciá-la

A ex-funcionária da Meta Sarah Wynn-Williams processa a Meta e acusa a empresa de tentar silenciá-la após a publicação de um livro sobre seu período na companhia. As informações são do jornal britânico The Guardian e do jornal norte-americano Wall Street Journal.

O que aconteceu

Sarah entrou com uma ação na Justiça federal do Distrito Norte da Califórnia para contestar medidas adotadas pela Meta contra ela. Na queixa, com 57 páginas, ela diz que a empresa buscou uma decisão provisória em arbitragem para impedir que ela divulgasse o livro "Careless People" ("Pessoas irresponsáveis", em tradução livre) e classifica a iniciativa como ilegal.

Ex-diretora de políticas públicas globais do Facebook entre 2011 e 2018, ela afirma que o livro descreve um ambiente interno tóxico. A obra, lançada em março de 2025, traz acusações como assédio sexual e práticas discriminatórias de gênero, enquanto a Meta diz que o conteúdo mistura alegações antigas e já reportadas com acusações falsas contra executivos.

A Meta recorreu a um acordo de rescisão assinado por Sarah para tentar limitar a promoção do livro. A empresa pediu uma ordem de emergência, alegando que ela aceitou cláusulas de arbitragem e de não difamação ao receber um pagamento e manter benefícios após a saída.

No processo, Wynn-Williams sustenta que o acordo não deveria valer porque teria sido assinado sob pressão financeira. Ela afirma que, ao ser demitida em agosto de 2017, perderia benefícios que eram centrais para sua estabilidade e, por isso, não teria tido alternativa a não ser aceitar os termos para preservar parte das vantagens e receber uma quantia em dinheiro.

A ação também descreve o que chama de consequências impostas pela Meta depois do lançamento do livro, incluindo monitoramento de suas aparições públicas. Segundo a queixa, representantes da empresa teriam comparecido a eventos, reunido fotos e registros de seus deslocamentos e viajado pelo Reino Unido para documentar que ela não falava sobre a Meta ou sobre a obra.

O documento diz ainda que a Meta pediu ao árbitro novas sanções mesmo quando Sarah permaneceu em silêncio em um festival literário. Ela apareceu no fim de maio no Hay Festival, no País de Gales, ao lado da jornalista Carole Cadwalladr e do acadêmico Tim Wu, mas não falou por orientação jurídica; ainda assim, a Meta teria solicitado em 12 de junho punições adicionais por causa da presença dela.

Além de acompanhar eventos, a empresa teria tentado obrigá-la a informar uma lista de compromissos futuros. A queixa afirma que a Meta pediu ao árbitro que Sarah revelasse suas próximas aparições públicas, como parte do esforço para restringir sua atuação após a publicação.

Em nota ao jornal britânico The Guardian, a Meta disse que a ex-funcionária usa o processo para vender livros. "Esta ex-funcionária está tentando usar o processo legal para vender livros, algo que o árbitro já decidiu que violou o acordo que ela assinou com a empresa quando aceitou um grande acordo financeiro anos atrás", afirmou a companhia.

O que a defesa e a editora dizem

O editor do livro de Sarah no Reino Unido, Mike Harpley, afirma que a ação detalha uma campanha de vigilância. "[O processo] detalha como a Meta aplicou sua ordem legal contra Sarah Wynn-Williams com uma campanha assustadora de vigilância. O livro "Careless People" levanta questões cruciais para a sociedade, e as ações da Meta impedem uma conversa pública necessária no Reino Unido e além", disse.

O advogado britânico de Sarah, Ravi Naik, critica o uso de arbitragem privada para restringir a autora. "Sem juiz, sem julgamento e sem qualquer conclusão de que ela tenha dito algo que não fosse verdade. Apenas um processo secreto entre um árbitro e uma das corporações mais poderosas do mundo", afirmou.

Naik diz que a ação é a primeira oportunidade de Sarah relatar publicamente o que ocorreu. "Esta é a primeira vez que Sarah consegue explicar ao mundo o que aconteceu com ela", disse ele, acrescentando: "Os documentos do tribunal registram os fatos do que Sarah foi submetida e expõem até onde a Meta foi para silenciá-la".

Vendas do livro e repercussão

Mesmo sem falar no festival literário, a aparição de Wynn-Williams coincidiu com um salto nas vendas do livro. Segundo a queixa, as vendas semanais cresceram 304,5% após o evento, e a editora Pan Macmillan informou que mais de 150 mil cópias foram vendidas no Reino Unido em todos os formatos desde o lançamento.

*Com informaçoes do The Guardian e Wall Street Journal