Estudo revela por que pirâmides egípcias são tão resistentes a terremotos

22 de Mai de 2026 - 05:45
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Estudo revela por que pirâmides egípcias são tão resistentes a terremotos

Um estudo revelou o motivo para as pirâmides egípcias, como a Pirâmide de Quéops, serem tão resistentes a terremotos.

O que aconteceu

A Grande Pirâmide de Gizé segue praticamente intacta apesar de fortes terremotos que atingiram a região nos últimos séculos. Os mais recentes, em 1847 e 1992, danificaram gravemente milhares de edifícios, sendo que o último deles matou mais de 560 pessoas.

Pesquisadores descobriram que a Grande Pirâmide foi projetada com características estruturais para suportar a energia destrutiva de terremotos. Erguida há cerca de 4.600 anos como tumba do faraó Khufu, ela foi construída por 2,3 milhões de blocos de calcário e granito que se comportam, basicamente, como uma única unidade.

Os cientistas avaliaram sua dinâmica estrutural usando dispositivos chamados sismômetros em 37 locais dentro e ao redor da pirâmide. A ideia era registrar vibrações ambientes como tremores sutis e contínuos de fundo gerados por forças naturais e atividade humana.

Eles identificaram características da pirâmide que conferem resistência a terremotos:

  1. base extremamente larga com centro de gravidade baixo
  2. geometria altamente simétrica
  3. redução gradual de massa em direção ao topo
  4. design interno sofisticado, com câmaras internas que reduzem a amplificação de vibrações

Há ainda um ponto-chave: as vibrações registradas ao redor da pirâmide são diferentes das de dentro dela. O solo ao redor vibra em frequência muito mais baixa — cerca de 0,6 Hz —, enquanto a pirâmide vibra a 2,3 Hz. Como essas frequências são bastante diferentes, a pirâmide não entra em ressonância com o solo durante um terremoto, o que é crucial.

Descobrimos que a maior parte da Grande Pirâmide vibra naturalmente a cerca de 2,3 ciclos por segundo (2,3 Hz). Isso nos diz que ela é extremamente bem construída e uniforme; comporta-se como uma única estrutura sólida, e não como muitas peças separadas. Imagine como um balanço: toda estrutura tem um ritmo preferido no qual vibra com mais facilidade Mohamed ElGabry, autor principal do estudo

Os construtores egípcios antigos claramente possuíam conhecimento prático relacionado a estabilidade, comportamento de fundações, distribuição de massa e transferência de cargas Asem Salama, sismólogo do NRIAG e autor sênior do estudo