Entidades do setor financeiro divulgam carta em apoio a Gabriel Galípolo

21 de Mai de 2026 - 04:15
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Entidades do setor financeiro divulgam carta em apoio a Gabriel Galípolo

Associações do setor financeiro divulgaram uma nota conjunta hoje em apoio à autonomia financeira do Banco Central após apelo de Gabriel Galípolo no Senado.

Quatorze associações, que representam mais de 1,5 mil instituições, divulgaram carta aberta sobre o tema. O texto afirma que as entidades reconhecem a necessidade de reforço no orçamento e no quadro de pessoal do BC para que o órgão continue atuando.

Colocar o Brasil em linha com outras economias do mundo não só dá mais ferramentas ao Regulador, como também reduz a percepção de risco do País, garante mais estabilidade da política monetária e abre caminho para um sistema financeiro moderno e atual. Nota conjunta de 14 entidades do setor financeiro

Organizações afirmam que só com um Banco Central independente é possível ter um sistema financeiro saudável e sustentável. Assinam o texto Febraban (Federação Brasileira de Bancos), Abac (Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios), ABBC (Associação de Bancos Brasileiros), ABBI (Associação Brasileira de Bancos Internacionais), Abracam (Associação Brasileira de Câmbio), Abcripto (Associação Brasileira de Criptoeconomia), Abecs (Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços), Abfintechs (Associação Brasileira de Fintechs), Abipag (Associação Brasileira de Instituições de Pagamentos), Abranet (Associação Brasileira de Internet), Anef (Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras), Acrefi (Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento), Apiimf (Associação para a Interoperabilidade das Infraestruturas do Mercado Financeiro) e Zetta (Associação que reúne empresas de tecnologia atuantes no mercado financeiro e de pagamentos).

Apoio veio um dia depois da fala de Galípolo na audiência no Senado. O presidente do Banco Central fez um apelo público pela autonomia financeira da autoridade Ele ainda explicou a política de juros e respondeu a questionamentos sobre a atuação do órgão em casos recentes envolvendo instituições financeiras.

O que disse Galípolo

Galípolo afirmou que a economia aquecida e o baixo desemprego ajudam a explicar juros ainda altos no Brasil. Ele afirmou que choques de oferta têm pressionado os preços e citou como mais recente o impacto da guerra entre Estados Unidos e Irã, depois de covid-19, guerra entre Rússia e Ucrânia e o tarifaço dos Estados Unidos.

Presidente do BC reconheceu que o Brasil convive há décadas com juros mais altos que os de países pares. Ele disse, porém, que a inflação tem superado de forma recorrente o teto da meta de 3% e que o instrumento do Banco Central para levar a inflação à meta é a taxa de juros.

Ele também falou sobre o recorde de liquidações extrajudiciais desde 2025. Galípolo disse que o BC tem dificuldade para encontrar liquidantes, profissionais responsáveis por administrar instituições liquidadas, levantar ativos e pagar credores, após 13 decisões de liquidação extrajudicial no período.

O presidente do BC afirmou que o caso do Banco Master teve como principal problema o uso dos recursos captados, e não a captação via CDBs. Ele disse que o banco usou recursos do varejo, com garantia do FGC (Fundo Garantidor de Créditos), para aplicar em ativos de maior risco e baixa liquidez, o que gerou descasamento entre ativos e passivos e dificultou honrar resgates.

Galípolo defendeu que a liquidação de um banco não deve ser usada como punição aos controladores. Ele disse que o mandato do BC é reduzir danos para a população e para o sistema financeiro e relatou que o órgão encaminhou informações ao Ministério Público após identificar indícios de irregularidades.

Questionado sobre o BRB (Banco de Brasília), Galípolo disse que bancos com problema de patrimônio precisam de aporte dos sócios. Ele afirmou que a venda de ativos pode resolver um problema de liquidez, mas não necessariamente de patrimônio, e que, em regra, a recomposição patrimonial depende de injeção de recursos dos acionistas.

Na audiência, Galípolo também negou que o Banco Central tenha trabalhado para viabilizar a venda do Master ao BRB. Ele disse que a proposta de aquisição de controle do Master pelo BRB foi vetada pelo BC em setembro de 2025 e afirmou que o órgão tem sido questionado pelo TCU (Tribunal de Contas da União) por não ter permitido a operação.

O acordo com Campos Neto

Galípolo voltou a defender o termo de compromisso assinado por Roberto Campos Neto com o Banco Central. Ele disse que o acordo foi conduzido pelo Coter (Comitê de Decisão de Termo de Compromisso), sem participação da diretoria do BC, e que o processo foi técnico e apolítico.

O termo foi firmado em 2 de junho de 2025 e previu pagamento de R$ 300 mil ao BC, segundo documentos do próprio órgão. O processo se referia a irregularidades cadastrais de 51 pessoas jurídicas em contratos de câmbio no Banco Santander, que somaram US$ 255 milhões entre 2015 e 2017, além de falhas na verificação da legalidade de operações de câmbio de US$ 83 milhões.

Na sessão, Renan Calheiros (MDB-AL) questionou se o BC estaria protegendo o ex-presidente da instituição. Galípolo respondeu que a análise não identificou vantagens indevidas para Campos Neto e que a condução técnica busca evitar perseguições ou proteções irregulares.