Dólar cai a R$ 4,98, e Bolsa volta a recuar à espera de decisão sobre juros

27 de Abr de 2026 - 17:30
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Dólar cai a R$ 4,98, e Bolsa volta a recuar à espera de decisão sobre juros

O dólar comercial fechou o primeiro dia da semana caindo 0,31%, cotado a R$ 4,982, enquanto a bolsa de valores recuava abaixo dos 190 mil pontos, o que não acontecia desde 8 de abril. O mercado financeiro aguarda as novas taxas de juros do Brasil e dos Estados Unidos, que serão decididas nesta quarta-feira (29).

O que aconteceu

Dólar comercial abre a semana em desvalorização. A divisa voltou a ser vendida abaixo de R$ 5, ao cair 0,31% e fechar cotada a R$ 4,982. A moeda americana subiu 0,29% na semana passada, mas acumula queda superior a 3,5% no mês. No ano, o recuo supera 8,95%.

Ibovespa cai e figura abaixo dos 190 mil pontos. Após fechar a semana passada em queda de 2,55%, o principal índice do mercado acionário brasileiro mantém a trajetória negativa nesta segunda. O Ibovespa recuava 0,58%, aos 189.640 pontos, faltando 20 minutos para o fim da sessão. Esta é a primeira vez desde 8 de abril que o índice não supera os 190 mil pontos. Na ocasião, o Ibovespa atingiu 188 mil pontos. Hoje, o volume financeiro da sessão superou R$ 18 bilhões.

Petróleo voltou a subir, cotado acima de US$ 100. Os contratos para julho do barril do tipo Brent, referência internacional para o petróleo, fecharam em alta de 2,58%, comercializados por US$ 101,69. Já o petróleo WTI (referência nos EUA) para junho registrou alta de 2,09%, a US$ 96,37 o barril.

A valorização do petróleo é considerada favorável ao Brasil. "O petróleo negociado acima de US$ 100 tem efeito direto nos termos de troca do Brasil e amplia a perspectiva de superávit comercial, elevando a oferta de dólares no mercado local", afirma Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad.

Guerra no Oriente Médio causa apreensão. As negociações entre Estados Unidos e Irã para interromper o conflito avançaram com o envio de uma (rota de 20% do petróleo mundial) e deixar para depois as conversas sobre o programa nuclear iraniano. O presidente dos EUA, Donald Trump, no entanto, reiterou que qualquer acordo depende da renúncia iraniana a uma arma nuclear.

Calendário agitado

Decisões sobre juros atraem a atenção do mercado. Os analistas acompanham as definições dos bancos centrais do Brasil e dos Estados Unidos sobre os novos patamares das taxas básicas de juros. Enquanto as expectativas apontam que o Copom (Comitê de Política Monetária) vai reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto percentual pela segunda vez seguida, o Fed (Federal Reserve) deve manter a taxa dos EUA inalterada, entre 3,5% e 3,75% ao ano.

Agenda de indicadores também está no radar. Amanhã, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulga a prévia da inflação de abril e a Receita Federal apresenta os dados da arrecadação do primeiro trimestre. Já a quinta-feira vai concentrar as divulgações referentes ao mercado de trabalho. Nos EUA, a divulgação mais importante é o PIB (Produto Interno Bruto) do primeiro trimestre.

Previsão de inflação subiu pela sétima semana seguida. O mercado financeiro brasileiro elevou de 4,8% para 4,86% a mediana das estimativas para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) deste ano. Caso a previsão se confirme, o índice vai superar a tolerância de 1,5 ponto percentual da meta estabelecida em 3% pelo CMN (Conselho Monetário Nacional).