Dólar abre em baixa, a R$ 4,98, após corte de juros no Brasil

30 de Abr de 2026 - 10:00
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Dólar abre em baixa, a R$ 4,98, após corte de juros no Brasil

O dólar iniciou os negócios neste último dia abril com variação negativa, cotado a R$ 4,98. O mercado repercute o corte de juros no Brasil pelo Banco Central, em decisão que foi acompanhada por um comunicado que deixou dúvidas sobre novas reduções adiante.

O que aconteceu

Dólar abre sessão em baixa. No , o dólar começou este último dia de abril cotado a R$ 4,980, variação de 0,41% ante fechamento de ontem.

No mês, dólar acumula baixa ante real. Até o fechamento de ontem, a moeda americana apurava queda ante a divisa brasileira de 3,4% em abril, recuando de R$ 5,18 para R$ 5,00. No ano, a variação é negativa em 9%.

Mercado repercute corte de juros no Brasil. O Banco Central reduziu a taxa básica Selic em 0,25 ponto percentual, de 14,75% ao ano para 14,50%, conforme expectativa predominante entre agentes econômicos.

Comunicado do Banco Central colocou em dúvida novas reduções de juros. Para profissionais do mercado financeiro, o Copom (Comitê de Política Monetária) se mostrou mais preocupado com os riscos de inflação provocados pela guerra no Oriente Médio. Por isso, alguns analistas passaram a rever projeções para a trajetória de queda da taxa básica Selic.

O comunicado traz um tom mais negativo ao destacar os riscos inflacionários, com o petróleo pressionando preços em função do conflito, ainda que esse seja visto como um ajuste pontual. Helena Veronese, economista-chefe da B.Side Investimentos

Na nossa visão, o comunicado veio mais hawkish do que o esperado, o que nos leva, preliminarmente, a revisar a expectativa da reunião de junho de redução de 0,50 p.p. para uma de 0,25 p.p. e, possivelmente, devemos revisar para cima a taxa Selic terminal de 2026. Felipe Oliveira, economista da Mag Investimentos

Dado o atual cenário e o nível elevado de incerteza, incluindo impactos do conflito no Oriente Médio e política fiscal expansionista, nosso cenário-base projeta Selic em 13,25% ao ano ao final do ciclo. Entretanto, se os dados continuarem piorando entre essa e a próxima reunião, muito provavelmente o BC irá parar de reduzir a taxa de juros já na próxima reunião. José Márcio Camargo, economista-chefe da Genial Investimentos

Vamos revisar nossa trajetória de juros. Atualmente, temos Selic de 13% para o fim de 2026, mas dado o nosso cenário macro de atividade mais forte e desinflação mais complexa, avaliamos que o risco de pausa do ciclo em junho é relevante. Natalie Victal, economista-chefe da SulAmérica Investimentos

Nosso cenário-base projeta a taxa Selic em 13,50% ao final de 2026, contemplando dois cortes de 0,50 ponto percentual nas reuniões de junho e agosto, considerando que as tensões no Oriente Médio arrefeçam e os preços do petróleo recuem para a faixa de US$ 80 a US$ 90 por barril. Entretanto, uma calibração menor ou mais lenta vem se tornando mais provável, uma vez que avaliamos que o cenário inflacionário pode se deteriorar adicionalmente à frente. Caio Megale, economista-chefe da XP

Guerra, petróleo e Bolsa

Petróleo encerra abril perto das máximas no mês. Depois de recuar para perto de US$ 90, em queda influenciada pela trégua entre Estados Unidos e Irã, o contrato futuro do barril do petróleo tipo Brent, referência internacional da commodity, voltou a subir nesta semana. Por volta das 9h, o ativo era negociado a US$ 108,97, baixa de 1,3% ante ontem, mas ainda 5% acima do fechamento de março e 82% mais caro que no fim de 2025.

Valorização é provocada pelo impasse nas negociações entre Estados Unidos e Irã. Apesar da trégua, permanece praticamente bloqueado o fluxo de navios pelo Estreito de Hormuz, rota por onde passam cerca de 20% do fornecimento mundial de petróleo. Ontem, apenas 12 navios passaram pela área, ante uma média diária que era de 150 travessias antes da guerra.

Bolsa tem ciclo negativo na reta final do mês. O , principal índice de ações da Bolsa do Brasil B3, , emendando seis pregões seguidos de queda. Nessa sequência, o indicador caiu 6% e anulou ganhos apurados até a terceira semana do mês. Até ontem, a variação apurada desde o fim de março esta negativa em 1,5%. No ano, o saldo ainda é positivo, em 14,7%.

O Ibovespa teve alta de aproximadamente 5% no mês até a última semana de abril, puxado exclusivamente pelo fluxo estrangeiro, que totalizou cerca de R$ 8 bilhões líquidos no período. Mas esse movimento representa uma desaceleração relevante frente aos R$ 9 bilhões de março e aos R$ 25 bilhões de janeiro. O rali do Ibovespa permanece dependente do capital externo. A desaceleração do fluxo estrangeiro é o principal risco para a continuidade da alta. Marcos Praça, diretor de análise da Zero Markets Brasil

Mercado repercute aumento do desemprego. A , segundo dados divulgados hoje pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Apesar do avanço na comparação com os últimos três meses de 2025 (5,1%), o percentual é o menor já registrado para o período em toda a série histórica do indicador.