Dino autoriza PF a acessar dados de operação contra produtora de filme sobre Bolsonaro

24 de Ago de 2026 - 16:30
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Dino autoriza PF a acessar dados de operação contra produtora de filme sobre Bolsonaro

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a Polícia Federal (PF) a acessar dados apreendidos em uma operação contra a produtora do filme “Dark Horse”, inspirado na trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O material será incorporado à investigação que apura se recursos de emendas parlamentares destinados a entidades ligadas à produtora foram usados para financiar a produção do longa.

A autorização foi apurada inicialmente nesta segunda-feira (24) pelo jornal O Globo e confirmada pela Gazeta do Povo com fontes a par da investigação. A operação que originou os dados foi realizada em junho pela Polícia Civil de São Paulo contra Karina Ferreira da Gama, produtora do filme e responsável pela Go Up Entertainment.

Karina também é proprietária do Instituto Conhecer Brasil (ICB), organização não-governamental (ONG) investigada por suspeitas de fraudes e desvios de recursos públicos em um contrato firmado com a prefeitura de São Paulo para fornecer cobertura de wi-fi em locais públicos.

A Polícia Civil realizou buscas nas sedes do ICB e da Go Up Entertainment, além de dois endereços residenciais de Karina. Segundo as informações da investigação, a apuração da Polícia Federal é um desdobramento de suspeitas relacionadas ao desvio de emendas parlamentares destinadas por deputados federais e estaduais.

Os dados recolhidos na operação paulista, segundo fontes, serão utilizados para verificar a origem e a destinação dos recursos relacionados ao filme. A suspeita é de que verbas públicas destinadas a projetos sociais e culturais possam ter sido utilizadas para custear uma produção cinematográfica privada.

O inquérito federal envolve cinco parlamentares e busca esclarecer se houve desvio de finalidade na aplicação das emendas. Entre os citados está o deputado federal Mário Frias (PL-SP), que destinou R$ 2 milhões, em 2024, à ONG de Karina.

Em maio, Frias afirmou que as emendas destinadas ao Instituto Conhecer Brasil não foram direcionadas para a produção do filmesobre Bolsonaro. O parlamentar negou irregularidades e sustentou que os recursos tiveram finalidade social e podem ser rastreados.

A apuração também alcança recursos provenientes da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), em que deputados estaduais teriam encaminhado pelo menos R$ 703 mil em emendas para entidades ligadas ao mesmo grupo.

Além desta investigação envolvendo emendas parlamentares, o filme “Dark Horse” é foco de outra apuração comandada pelo ministro André Mendonça por um investimento milionário feito pelo ex-banqueiro preso Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master, em mensagens vazadas do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à presidência da República, cobrando os repasses à produção.

Flávio Bolsonaro negou qualquer irregularidade e afirmou que o dinheiro teve caráter privado apenas para a produção do longa sobre a trajetória política do pai.