Desenrola é benéfico a curto prazo, mas não resolve, diz professor

28 de Abr de 2026 - 23:45
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Desenrola é benéfico a curto prazo, mas não resolve, diz professor

traz alívio imediato para quem está com dívidas, mas não enfrenta as causas profundas do endividamento no país, afirmou Kauê Lopes dos Santos, professor da Unicamp, no Poder e Mercado, do Canal UOL.

Segundo o professor, o Desenrola 2.0 ampliou o acesso à renegociação, mas muitos brasileiros voltaram a ficar inadimplentes meses após a primeira edição, mostrando o desafio estrutural do problema.

Essa questão do Desenrola é politicamente importante. Assistimos a como ela vem tensionando o governo e a oposição. Do ponto de vista dos efeitos concretos para a população que será beneficiada, temos um prognóstico positivo. Essa população resolverá, pelo menos pontualmente, a sua situação de inadimplência ou insolvência.

Mas é importante ser dito que as políticas dessa natureza têm um caráter de resolver pontualmente uma situação que está crítica. O que pode acontecer, e que já houve, são novos inadimplentes se somando a um montante meses depois da aplicação do programa.

Temos uma situação que é benéfica no curto prazo, mas que não se resolve porque temos uma cultura e uma sociedade estruturadas na lógica do endividamento. Kauê Lopes dos Santos, professor da Unicamp

O professor avalia que educação financeira ajuda, mas não resolve o problema estrutural, pois o crédito caro e fatores como publicidade e obsolescência programada reforçam o ciclo das dívidas.

A educação financeira é uma frente importante que precisamos atacar. Não tem como fugir disso, ainda mais em uma sociedade que consome via crédito. Ela é importante também não só para as classes de baixo poder aquisitivo, mas para as classes médias também que estão endividadas, muitas em situação de inadimplência e insolvência.

Mas a educação financeira não resolve o problema. Temos um problema de fundo estrutural, ligado ao conjunto de variáveis, uma obsolescência programada, ligada à publicidade e à própria oferta de crédito com taxas altíssimas.

Uma educação financeira tende a ajudar no sentido de uma maior conscientização dos gastos, mas ela não resolve a questão do endividamento, porque ele é a condição para uma sociedade de baixa renda, como a nossa, consumir.

Não podemos depositar toda a crença na educação financeira como se ela fosse reduzir tudo. Isso coloca toda a responsabilidade no consumidor e pouca nas instituições que estão cobrando juros de mais de 5% ao mês. Isso é algo que precisamos analisar de forma crítica. Kauê Lopes dos Santos, professor da Unicamp

O Poder e Mercado é exibido terças e quintas, às 19h. O programa de política e economia chega para conectar os grandes temas do Congresso Nacional a seus impactos no mercado financeiro e no dia a dia das pessoas.

Onde assistir: Ao vivo na , e . O Canal UOL também está disponível na Claro (canal nº 549), Vivo TV (canal nº 613), Sky (canal nº 88), Oi TV (canal nº 140), TVRO Embratel (canal nº 546), Zapping (canal nº 64), Samsung TV Plus (canal nº 2074) e no .