Desemprego cai nos EUA, mas abertura de vagas desacelera, segundo governo
A taxa de desemprego nos Estados Unidos caiu de 4,3% a 4,2% de maio para junho, mas a abertura de novas vagas desacelerou, sinalizando estabilização do mercado de trabalho na maior economia do mundo.
O que aconteceu
Taxa de desemprego dos Estados Unidos recua em junho. A taxa caiu caiu de 4,3%, em maio, para 4,2% em junho, segundo relatório divulgado pelo Departamento do Trabalho do país nesta quinta-feira.
Salário médio por hora aumentou 0,35%. O aumento foi de US$ 0,13, a US$ 37,64, na comparação mensal de junho. Analistas esperavam alta de 0,3%. Na comparação anual, houve aumento salarial de 3,52% em junho. O consenso do mercado era de ganho de 3,5%.
Abertura de novas vagas desacelerou para patamar abaixo do esperado por analistas. A economia americana criou 57 mil empregos em junho, em termos líquidos, segundo relatório conhecido como payroll. As estimativas de analistas consultados pelo Broadcast variavam de criação de 25 mil a 200 mil vagas, com mediana de 110 mil. O levantamento também trouxe revisão para baixo da criação de empregos em maio, de 172 mil para 129 mil, e de abril, de 179 mil para 148 mil.
O dado aponta para um mercado de trabalho estável, sem sinais de superaquecimento, mostrando uma geração de empregos mais baixa, o que reduz a probabilidade de um aumento na taxa de juros nos próximos meses. Com um mercado de trabalho saudável, expectativas de inflação diminuindo e um Fed que passará por mudanças estruturais positivas para a inflação, vemos espaço para que a taxa de juros fique inalterada em 2026. Vinicius Flores, analista de investimentos e sócio da gestora Stratton Capital
Dados de trabalho nos Estados Unidos influenciam ajustes nos mercados financeiros. A abertura de vagas e taxa de desemprego tem sido um dos pontos citados pelo Fed (Federal Reserve), Banco Central do país, para definir a taxa de juros da economia, .
Cenário de juros elevados nos Estados Unidos impacta política monetária e câmbio no Brasil. A taxa americana mais elevada favorece o rendimento em aplicações americanas, como títulos do Tesouro, os Treasuries, atraindo recursos de carteiras de investidores, em movimento que fortalece o dólar em detrimento de outras moedas. Esse é uma das razões pelas quais o real brasileiro perdeu força desde maio, o que aumenta o risco de reajustes de preços na nossa economia e reduz o espaço para o Banco Central seguir reduzindo a taxa básica de juros Selic.
O dado de emprego nos Estados Unidos mantém o cenário de cautela, mais favorecendo uma acomodação dos juros dos Treasuries e um ambiente mais construtivo para ativos de risco, desde que a desaceleração econômica permaneça gradual e sem sinais de deterioração mais intensa. Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos
Presidente do Fed sinalizaou que vê menores pressões inflacionárias. Kevin Warsh disse ontem em evento público que as expectativas e os , mas reforçou o compromisso de levar a alta de preços à meta de 2%. "As expectativas de inflação nos primeiros quatro meses, nas primeiras quatro semanas deste período, diminuíram; os riscos de inflação também diminuíram", disse ele em Sintra, em Portugal.
O indicador, em conjunto com falas consideradas mais suaves vindos de Kevin Warsh, presidente do Fed, contribuem para reduzir as chances de aumento nos juros americanos no segundo semestre do ano, o que tende a favorecer ativos de risco e reduzir a força do dólar frente às demais moedas. Por isso, após o indicador, os juros futuros do Tesouro Americano e o índice dólar operam em queda, enquanto os ativos de risco reagem em alta. Sara Paixão, Analista de Macroeconomia da InvestSmart XP