Demitida pelo Google, ativista vence 'Nobel alternativo' por expor racismo em IA
A pesquisadora em inteligência artificial Timnit Gebru, ex-funcionária do Google que defende uma IA mais ética, venceu nesta quarta-feira (30) o prêmio Right Livelihood, conhecido como o Nobel alternativo.
O júri a premiou "por questionar a concentração de poder" e "abrir caminho para tecnologias digitais baseadas na justiça".
Em 2017, Gebru fundou a "Black in AI", uma ONG que se concentra em aumentar a presença e a visibilidade de pessoas negras nesta tecnologia.
Três anos depois, ela foi uma das autoras de um artigo de pesquisa sobre os riscos de tendências racistas e sexistas nos modelos de linguagem. Na época, ela integrava a direção da equipe de ética do Google.
A empresa americana pediu que ela se retratasse dos resultados da pesquisa, o que ela se recusou a fazer, provocando sua demissão, segundo o júri.
Timnit se aprofundou no tema e, pouco depois, criou o centro de reflexão DAIR, cujos trabalhos destacam os preconceitos que os sistemas de IA provocam na vida de pessoas vítimas de discriminação e exclusão.
A fundação sueca também distinguiu a advogada paquistanesa defensora dos direitos humanos Jalila Haider, por sua luta "contra as perseguições étnicas, estatais e patriarcais".
Outra entidade premiada por seu compromisso com os direitos das mulheres é o movimento social ecofeminista Rural Women's Assembly (RWA), que reúne mais de 178.000 pequenas agricultoras de 11 países do sul da África.
O júri elogiou seus esforços para mobilizar as mulheres na defesa "do acesso à terra e às sementes" ante as empresas e o patriarcado.
A Georgian Young Lawyers Association (GYLA) também foi premiada por "ter contribuído para construir e preservar a democracia georgiana".
O prêmio foi criado em 1980 pelo alemão-sueco Jakob von Uexküll, depois que a Fundação Nobel rejeitou sua proposta de criar dois novos prêmios para o meio ambiente e o desenvolvimento.