Como conversas privadas do Claude foram parar no Google e no Bing

28 de Jul de 2026 - 16:30
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Como conversas privadas do Claude foram parar no Google e no Bing

Conversas compartilhadas no Claude, chatbot da Anthropic, apareceram em resultados de busca no Google e no Bing.

O que aconteceu

Usuários descobriram que páginas de chats do Claude podiam ser encontradas com pesquisas do tipo "site:claude.ai/share". As conversas expostas incluíam desde pedidos de orientação política e dúvidas jurídicas até conteúdo sexual, de acordo com reportagem da revista norte-americana Wired.

Parte do material acessível parecia conter informações sensíveis e documentos de trabalho. O site norte-americano Futurism diz ter visto, via Google, itens como relatório médico detalhado, resultados de ensaio clínico com nomes, dados de crianças e documentos internos de empresas.

O caso foi apontado inicialmente por usuários no Reddit e levou a remoções pontuais. A Wired relata que alguns links vistos na postagem já tinham sido apagados quando a revista checou, e que o Google deixou de exibir resultados para a busca com "share", enquanto o Bing ainda mostrava centenas de páginas naquele momento. Em testes feitos por Tilt, o Google não mostrava nenhum link de conversa do Claude, enquanto no Bing, da Microsoft, apareciam centenas de resultados, mas a maioria relacionados a páginas oficiais ou reportagens sobre o tema — não foram encontradas conversas privadas.

Anthropic diz que o compartilhamento é uma escolha do usuário e que o conteúdo vira público ao gerar um link. "Damos às pessoas controle para compartilhar publicamente suas conversas no Claude e, em linha com nossos princípios de privacidade, não compartilhamos diretórios de chats com mecanismos de busca como o Google. Esses links compartilháveis não são adivinháveis ou descobertos a menos que as pessoas escolham compartilhá-los. Quando alguém compartilha uma conversa, está tornando esse conteúdo publicamente acessível e, como outros conteúdos públicos da web, ele pode ser arquivado por serviços de terceiros", afirmou um porta-voz a sites dos EUA.

Google atribuiu a responsabilidade ao site que hospeda as páginas compartilhadas. "Nem o Google nem qualquer outro mecanismo de busca controla quais páginas são tornadas públicas na web, e essas páginas foram indexadas em muitos mecanismos de busca. Damos aos donos de sites controles claros para decidir se páginas podem ser rastreadas ou indexadas, e sempre respeitamos essas diretrizes?, disse um porta-voz do Google à revista Wired.

Por que isso pode acontecer

Bloquear rastreadores via robots.txt nem sempre impede que uma página apareça em resultados de busca. A Wired explica que a Anthropic usa um arquivo robots.txt para orientar robôs de busca (crawlers) a não indexarem chats compartilhados, mas que buscadores também recomendam o uso de marcações específicas como "noindex" (não indexar) nas páginas.

Documentação dos buscadores indica que links externos podem levar à indexação mesmo com restrições. A revista norte-americana cita que o Google pode ignorar instruções do robots.txt se a página estiver linkada em outros sites e não houver uma tag "noindex" ou um cabeçalho "x-robots-tag" bloqueando a indexação.

As páginas analisadas pela revista norte-americana não exibiam a tag "noindex", o que pode permitir que voltem a aparecer. Mesmo com a redução de resultados no Google, a revista afirma que a ausência dessa marcação mantém a possibilidade de novas indexações no futuro.

Como reduzir o risco ao usar o recurso de compartilhamento

Claude permite gerenciar links públicos de conversas nas configurações de privacidade. Vá em Configurações > Privacidade > Conversas compartilhadas para revisar e revogar acessos.

Para conteúdos sensíveis, a recomendação é evitar o "share" e usar meios mais controlados. Uma opção é copiar e colar o texto gerado pelo Claude em um documento seguro, em vez de criar um link público que pode ser indexado.

No ano passado, ocorreu algo parecido com o ChatGPT, da OpenAI. . A forma para achar as conversas, inclusive, era realizar uma busca do tipo "site:chatgpt.com/share". Na época, foram contabilizadas cerca de 70 mil conversas. Após algum tempo, as conversas privadas foram "removidas" da busca.

*Com informações da Wired e do Futurism