Cobra de até 15 metros é descoberta e pode ser uma das maiores da história

30 de Abr de 2026 - 20:30
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Cobra de até 15 metros é descoberta e pode ser uma das maiores da história

Uma nova espécie de serpente pré-histórica descoberta na Índia pode estar entre as maiores já registradas pela ciência: ela poderia alcançar entre 11 e 15 metros de comprimento.

O que aconteceu

Batizada de Vasuki indicus, a cobra viveu há cerca de 47 milhões de anos, durante o período Eoceno. As amostras do animal foram analisadas pelos pesquisadores Debajit Datta e Sunil Bajpai, responsáveis pelo estudo publicado na revista científica .

Os fósseis foram encontrados na mina de lignito de Panandhro, na região de Kutch, no estado indiano de Gujarat. A descoberta reforça a importância do subcontinente indiano na evolução de serpentes gigantes e sugere que essa linhagem pode ter se originado na região antes de se espalhar por outros continentes.

Descoberta é baseada em vértebras fossilizadas. O material estudado inclui 27 vértebras fossilizadas, a maioria bem preservada e algumas ainda conectadas entre si, indicando que pertenciam a um único exemplar adulto. Esses ossos permitiram aos cientistas reconstruir características importantes do animal.

De acordo com o estudo, as vértebras são excepcionalmente grandes. Têm comprimento entre 37,5 e 62,7 milímetros e largura entre 62,4 e 111,4 milímetros, sugerindo um corpo espesso e cilíndrico. Com base nessas medidas, os pesquisadores estimaram que o animal tinha entre 10,9 e 15,2 metros de comprimento total.

Essa dimensão coloca a espécie na mesma faixa de tamanho da Titanoboa, considerada até hoje uma das maiores serpentes já descobertas. Ainda assim, os cientistas ressaltam que as estimativas devem ser interpretadas com cautela devido à ausência de algumas partes do esqueleto.

Predador lento que atacava por emboscada

Pelo formato robusto do corpo, os pesquisadores acreditam que a Vasuki indicus não era um animal veloz. Em vez disso, provavelmente utilizava estratégias de emboscada para capturar presas, de maneira semelhante ao comportamento observado em grandes serpentes modernas, como anacondas e pítons.

Tamanho do animal indica um predador poderoso que dominava o ambiente em que vivia. "Considerando seu grande tamanho, Vasuki era provavelmente um predador de emboscada de movimento lento, que dominava suas presas por constrição, como fazem as anacondas e pítons atuais", explicou o paleontólogo Debajit Datta, autor principal da pesquisa.

Os cientistas acreditam que a serpente habitava áreas pantanosas próximas ao litoral, em um período em que as temperaturas globais eram mais altas que as atuais.

Espécie pertence à família Madtsoiidae. Trata-se de um grupo extinto de serpentes que existiu por cerca de 100 milhões de anos, desde o final do período Cretáceo até o final do Pleistoceno. Esses répteis viveram em várias regiões do planeta, incluindo África, Europa, América do Sul, Índia e Austrália.

Os pesquisadores sugerem que a Vasuki indicus faz parte de uma linhagem que surgiu no subcontinente indiano. Com o deslocamento das placas tectônicas e a colisão da Índia com a Ásia, há cerca de 50 milhões de anos, esses animais podem ter se espalhado para outras regiões, como o norte da África e partes da Eurásia.

O nome Vasuki indicus faz referência à serpente mitológica Vasuki, associada ao deus hindu Shiva. Além disso, homenageia o país onde os fósseis foram encontrados.