Cientistas chineses propõem nova forma de destruir asteroides catastróficos

4 de Ago de 2026 - 16:30
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Cientistas chineses propõem nova forma de destruir asteroides catastróficos

Cientistas chineses apresentaram uma nova estratégia que pode aumentar a eficiência contra asteroides capazes de atingir a Terra e provocar impactos catastróficos.

O que aconteceu

Especialistas da Academia Chinesa de Tecnologia de Veículos de Lançamento (Calt) analisaram qual seria a solução mais eficiente para destruir ou desviar um asteroide. No , publicado na revista Space: Science & Technology, eles levaram em consideração o tamanho do objeto e o tempo disponível antes de um possível impacto.

Segundo os autores, embora os asteroides próximos da Terra representem uma ameaça de baixa probabilidade, suas consequências podem ser potencialmente catastróficas. Não por acaso, a Nasa e outras agências espaciais fazem um monitoramento constante desses objetos.

Descoberto pelo sistema Atlas, no Chile, ele chegou a apresentar uma pequena probabilidade de colisão com a Terra ou com a Lua em 2032. No entanto, novas observações praticamente descartaram qualquer risco de impacto.

Ainda assim, novos asteroides continuam sendo descobertos e podem apresentar diferentes tamanhos, composições e trajetórias. Por isso, os pesquisadores alertam que, caso um grande asteroide seja identificado com pouco tempo de antecedência, métodos mais lentos de defesa podem não ser suficientes.

Os métodos tradicionais de impacto cinético ou de deflexão [desvio] por força a longo prazo oferecem energia limitada e não conseguem realizar uma deflexão eficaz em curtos períodos de tempo.
Autores do estudo

Como neutralizar um asteroide

Os pesquisadores realizaram milhares de simulações envolvendo asteroides com diâmetros entre 100 metros e 1 quilômetro. A partir delas, identificaram um cenário promissor chamado pré-escavação.

Nesse método, uma carga convencional ou um impactador cinético cria deliberadamente uma cratera profunda em certo ponto do asteroide. Em seguida, uma segunda espaçonave posiciona um dispositivo nuclear dentro dessa cavidade antes da detonação.

Com isso, a explosão ocorre em maior profundidade e uma parcela maior da energia é transferida para o interior do asteroide. Esse fenômeno, conhecido como maior acoplamento de energia (energy coupling), aumenta significativamente a capacidade de destruir ou alterar a trajetória da rocha espacial.

O modo de detonação por pré-escavação, devido à sua capacidade de selecionar autonomamente o local da cratera e alcançar uma detonação profunda, oferece um acoplamento de energia mais forte.

O tempo é o maior desafio

Embora a pré-escavação seja apontada como a estratégia mais eficiente, ela exige mais tempo para ser executada, já que envolve duas etapas. Por esse motivo, os pesquisadores também analisaram a chamada detonação direta, considerada uma alternativa para situações de emergência.

Nesse cenário, uma espaçonave colide em alta velocidade com o asteroide, formando uma pequena cratera. Logo em seguida, um dispositivo nuclear é detonado dentro dessa cavidade rasa.

O problema é que, como a cratera é superficial, boa parte da energia da explosão escapa para o espaço em vez de ser absorvida pela rocha. Isso reduz a eficiência da missão e exige extrema precisão para sincronizar o impacto e a detonação.

Já na pré-escavação, a cavidade funciona como uma espécie de contenção, fazendo com que uma parcela muito maior da energia da explosão seja transferida para o interior do asteroide, em vez de se dissipar no espaço. Com isso, a mesma explosão consegue causar um efeito significativamente maior sobre a rocha espacial.

Um caminho promissor

Os cientistas destacam que a detonação direta continua sendo a alternativa mais indicada para situações de extrema emergência, quando um grande asteroide é identificado com pouquíssimo tempo antes de uma possível colisão. Nos demais cenários, porém, a pré-escavação pode representar a estratégia mais eficiente.

Apesar dos resultados, os próprios autores ressaltam que a proposta ainda é conceitual. Entre os principais desafios estão o desenvolvimento de uma espaçonave capaz de perfurar ou criar uma cratera com precisão, o transporte de um dispositivo nuclear até o asteroide, o conhecimento prévio da composição interna do objeto e a superação de questões legais e diplomáticas relacionadas ao uso de dispositivos nucleares no espaço.

Embora a Nasa considere improvável que um asteroide grande o suficiente para causar danos generalizados atinja nosso planeta nos próximos 100 anos, os pesquisadores afirmam que o estudo pode servir de base para futuras tecnologias de defesa planetária. "Este estudo pode fornecer referências para o projeto de engenharia de defesa contra grandes asteroides próximos da Terra."