China 'cria' cidade para 'ONU da IA' e enfrenta problema: robôs demais
(Toda semana, e conversam sobre tecnologia no podcast. O programa vai ao ar às terças-feiras no, no, no e no. Nesta semana: ; ; ; ; )
A China usou a Waic (conferência mundial de inteligência artificial) para mostrar sua força na tecnologia e defender uma governança global de IA. No novo episódio de Deu Tilt, o podcast do UOL para os humanos por trás das máquinas, Diogo Cortiz, que esteve por lá, conta o que o evento revelou - e o que preocupou.
Além de ter visto anúncios como a Waico (Organização Mundial de Cooperação em Inteligência Artificial), apelidada de "ONU da IA", e de novos chips e modelos de IA, Cortiz diz que o pavilhão de robôs expôs um efeito colateral: empresas demais fazendo a mesma coisa, com níveis muito diferentes de qualidade.
É uma conferência gigantesca que a China organiza. Para mim, já é a maior do mundo. 350 mil pessoas participaram. A conferência era tão grande que tinha mais de 1.200 empresas expondo. Era como um grande centro de exposição empilhado em três andares e ainda assim não deu conta: usaram outros dois centros, fora eventos em hotéis.
Diogo Cortiz
O evento ganhou estatura política devido à participação pela primeira vez de Xi Jinping, presidente da China, que o usou como palco defender que a IA "não tem que ser de um país" e para criticar barreiras comerciais impostas com base em segurança nacional.
O Xi toca muito nesse ponto: a gente tem que entender que a IA não tem que ser de um país, a IA tem que ser para todos. A gente como humanidade já cometeu erros no passado de deixar países para trás. E ele dá uma cutucada: a gente não pode usar o discurso de segurança nacional para limitar o acesso de outros países à tecnologia que vai fazer essa transformação.
Diogo Cortiz
Do ponto de vista tecnológico, a feira abrigou ainda a estreia de alternativas chinesas para infraestrutura de IA. Foi o caso do Atlas 950 SuperPod, chip da Huawei destinado a treinar IA. O cluster une aceleradores e GPUs com chips de memória para ganhar eficiência.
Eles se colocam como alternativa. Deixam claro: não conseguimos chegar ainda num chip tão avançado quanto o da Nvidia (...) Se a Nvidia consegue fazer isso num negócio do tamanho de uma geladeira, eles precisam de três geladeiras. Mas o que impressiona é o ritmo que eles chegaram nessas três geladeiras.
Diogo Cortiz
Mas foi do pavilhão da robótica de onde saiu a constatação que chocou Diogo. Amplo o suficiente para abrigar o GD01, uma espécie de Megazord feito pela chinesa Unitree para acomodar uma pessoa, e robôs ora fofinhos ora treinados para lutar, o espaço era uma amostra do estágio e do apetite da indústria de robótica do país.
O problema, no entanto, é que a quantidade virou sinal de alerta: centenas de empresas produzem robôs humanoides parecidos, muitos ainda incapazes de executar tarefas simples.
Você imagina a quantidade de empresas fazendo robô parecido? Eram centenas de empresas. E tinham robôs muito bons, mas tinha um monte de robô fazendo tarefas domésticas que eram muito ruins. Teve um robô que me irritou muito: ele estava tentando dobrar uma camiseta. Fiquei cinco minutos olhando, e o robô não conseguia. Isso mostra a discrepância: umas num nível de fronteira e outras que você fala, 'essa empresa não deveria existir'.
Diogo Cortiz
O próprio governo chinês detectou o problema: o excesso de empresas pode levar o país a uma "involução competitiva". Impulsionada pela "economia dos prefeitos", cada província dá asas à empresa de robótica local. Qualificadas ou não tecnicamente, elas começam a disputar por recursos financeiros e mão de obra qualificada com companhias realmente inovadoras. Isso eleva os custos das que realmente estão criando soluções diferentes.
Outro resultado é uma canibalização do mercado: empresas mais simples derrubam os preços dos robôs.
Somados, os dois movimentos travam o avanço das empresas que estão na fronteira do desenvolvimento. Para solucionar a questão, a China reagiu com uma estratégia para impor barreiras de entrada a novas empresas e estímulo a fusões.
Ataque rápido, perda de R$ 1.287 e vítima reincidente: o perfil do golpe no Brasil
Golpes e fraudes na internet viraram o crime patrimonial mais praticado no Brasil, enquanto roubos do mundo físico caíram, segundo o Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. No novo episódio, Deu Tilt conta como outro relatório traçou o perfil desses ataques no país, do prejuízo médio às vítimas preferenciais, passando pela velocidade com que os golpes são aplicados.
Enquanto caíram os roubos de veículos (20%), de transeuntes (23%), a estabelecimentos comerciais (18%) e de celular (18,6%), os golpes digitais subiram em 2025, mostra anuário. Somaram 2,2 milhões de ocorrências no ano passado. Já o relatório "O estado dos golpes em 2026", da Global Anti-Scam Alliance, mostra a cara das fraudes digitais no Brasil, após entrevistar 60 mil pessoas em 40 países, mais de mil delas no Brasil.
O relatório mostra que 81% dos brasileiros tiveram algum contato com o golpe. Isso quer dizer que durante o ano foram 202 tentativas de golpe [por pessoa]. Mas, quando você extrapola para a população, dá 34,5 bilhões de tentativas de golpe. (...) Não dá para você, humanamente, fazer quase 35 bilhões de tentativas de golpe. É muita coisa. Até por isso, os principais canais que os golpistas usam são aqueles que usam mensagens diretas.
Helton Simões Gomes
Com IA para robôs, humanos pensarão duas vezes antes de bullying com máquina
O Google diz ter dado um passo definitivo para tirar os robôs do "modo laboratório", quando o ambiente não pode mudar, e levá-los para o mundo real. No novo episódio, Deu Tilt explica o que o Gemini Robotics 2 muda na robótica.
A promessa é levar a autonomia que a IA generativa já mostrou no digital para o mundo físico: mais destreza nas mãos, corpos que se adaptam a mudanças no ambiente e até cooperação entre máquinas para concluir uma tarefa.
A gente só não tem isso ainda porque os robôs têm uma dificuldade muito séria e muito palpável: eles são muito úteis, mas desde que façam atividades repetitivas, pré-programadas, ou que sejam tele-operados pelos seres humanos, e o ambiente não pode mudar de jeito nenhum. Eu não conheço nenhum lugar fora de um laboratório que seja assim. Mas o Google inventou uma inteligência artificial muito diferente daquela que a gente usa no ChatGPT, no Claude e no próprio Gemini, que resolve esse tipo de coisa.
Helton Simões Gomes
O que é a IAI?: Itaú adota IA pra cativar cliente e fazer Pix para ele
O Itaú colocou uma inteligência artificial dentro do aplicativo e quer transformar a IA no "primeiro contato" do cliente com o banco, com um botão flutuante que abre funções e orientações financeiras. Deu Tilt explica o que o banco busca com a IAI, como ela usa dados para personalizar respostas e por que o movimento pode se espalhar.
O Itaú quer fazer da inteligência artificial o primeiro contato que as pessoas têm com o banco. Por isso, eles colocaram no aplicativo um botão flutuante que, ao clicar nele, você tem acesso a diversas funções. A ideia é trazer para dentro do app a possibilidade de as pessoas realizarem tarefas que elas já estão fazendo do Itaú para fora, mas dentro de um espaço mais protegido, com mais confiança e com acesso aos seus dados.
Helton Simões Gomes
'Kimi K3, nova IA chinesa, dá carteirada ao mundo', diz Diogo Cortiz
O Kimi K3, modelo de inteligência artificial da chinesa Moonshot, entrou na disputa de "modelo de fronteira" ao se aproximar do sistema mais avançado da Anthropic e ao prometer acesso aberto e custos menores. Helton Simões Gomes e Diogo Cortiz explicam por que o avanço chinês virou tema de segurança nacional e acendeu alertas nos EUA.
Tem hype e tem não hype também. De fato, o Kimi K3 é um modelo super avançado e traz uma eficiência no seu uso. Ele se igualou muito ao modelo de fronteira da Anthropic -um modelo tão avançado que o governo dos Estados Unidos proibiu o acesso a qualquer estrangeiro. Isso trouxe questões: essa IA é tão poderosa assim? A gente está na mão dos Estados Unidos? O Kimi vem nessa fronteira mostrando: "Cheguei". E não é só fazer algo parecido, mas com otimização maior, porque entra custo. Para diferentes tarefas, o Kimi pode ser até 70% mais barato.
Diogo Cortiz
DEU TILT
Toda semana, e conversam sobre as tecnologias que movimentam os humanos por trás das máquinas. O programa é publicado às terças-feiras no e nas. Assista ao episódio da semana completo.