CEO conta segredo para formar jovens quando IA já faz tudo: ?testadores?
(Toda semana, e conversam sobre tecnologia no podcast. O programa vai ao ar às terças-feiras no, no, no e no. Nesta semana: , : ' ')
A IA já faz parte do "trabalho braçal" que costumava cair no colo de quem está começando - e isso aperta a porta de entrada para jovens em várias indústrias, inclusive a do audiovisual. No novo episódio de Deu Tilt, o podcast do UOL para os humanos por trás das máquinas, Diogo Cortiz e Helton Simões Gomes recebem Rafael Nasser, CEO da WPP Production Brasil, a maior produtora de conteúdo do mundo, que conta como formar talentos quando a tecnologia acelera o ritmo do trabalho.
Cortiz descreve um mercado em que empresas passam a preferir profissionais mais sêniores, por repertório e por uma relação mais crítica com as ferramentas. Mas, ao reduzir contratações de iniciantes, o setor corre o risco de "quebrar" a formação de plenos e líderes do futuro.
Eu concordo com tudo e vou responder com uma palavra: responsabilidade. Para mim, você que lidera uma empresa, que lidera um grupo, tem a responsabilidade de formar talentos, cuidar do presente, mas preparar o futuro. É um fato: você precisa de menos gente entrando, só que deve continuar trazendo gente, formando essas pessoas e dando novas tarefas. Se essas tarefas super táticas a IA faz, traz o jovem para ver isso e começa a solicitar para ele coisas novas. Toda semana sai uma ferramenta nova, toda semana tem algo novo para ser testado. Pega esses jovens - e a gente está fazendo isso - e fala: "fuça aí". Sejam os nossos testers.
Rafael Nasser
Na conversa, o CEO da WPP Production Brasil defende que o jeito de manter a entrada de jovens é dar a eles uma função clara: testar ferramentas que mudam o tempo todo e combinar soluções diferentes, em vez de se prender a um único aplicativo.
Para Nasser, isso também tira uma pressão do time mais experiente. Cortiz aponta que, além de entregar, o sênior acaba tendo de acompanhar a "paisagem tecnológica" que muda a cada semana - e a função de "testador" ajuda a aliviar essa sobrecarga.
O segredo é você ficar testando, combinando. Não é uma ferramenta de IA. "Qual é a ferramenta que você está usando hoje?" É irrelevante, porque daqui a uma semana muda. Então põe esse pessoal para testar isso. Eles são muito mais ávidos para testar do que a gente. Você resolve o primeiro problema: coloca para dentro essa equipe, dá uma função importante, que é o domínio do ferramental. E nessa jornada você vai fazendo a seniorização cognitiva, crítica, questionando: por que você fez desse jeito?
Rafael Nasser
Helton Simões Gomes puxa o tema da bagagem cultural e diz que a IA "expõe" quando o resultado fica genérico: com ferramentas potentes, a lacuna não pode mais ser atribuída ao time ou ao software, e sim ao repertório de quem pede e avalia.
Nasser afirma que a tecnologia provoca um "achatamento" das entregas: muita gente consegue chegar a um nível mediano, mas isso não substitui referência, identidade e intenção. Para ele, o treino passa por questionar o que a IA devolve - e não aceitar a primeira resposta só porque "ficou bonito".
Hoje você fez um achatamento desse negócio. Todo mundo vai tirar 6,5. E aí volta para você olhar o humano: o talento, a capacidade de crítica, o questionamento, a referência, a bagagem cultural. Critica o que você faz. Você é refém do que a IA faz? Você pede um negócio e ela solta, você não vai criticar? Não vai questionar? Ficou bonito, mas era bonito o que você queria? Qual é a identidade da marca? Como ela se comunica? Qual é o objetivo? O que você espera alcançar? Então, ensinar as pessoas a questionar.
Rafael Nasser
Para reduzir o risco de a ferramenta "impor uma visão", Nasser diz que tem criado seus próprios agentes e tenta "armazenar" neles a forma como ele pensa e trabalha. Ele reconhece a tentação de terceirizar decisões, mas alerta para o custo.
Uma coisa que eu tenho feito para mim é criar os meus agentes e eu falo: armazene esta informação desta forma que eu penso e trabalho. Porque senão toda hora ele quer impor uma visão. E vamos lá: é gostosinho não ter que pensar tanto. "Ah, está fazendo aqui para mim." Só que, meu, é a ponta do abismo isso aí.
Rafael Nasser
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DEU TILT
Toda semana, e conversam sobre as tecnologias que movimentam os humanos por trás das máquinas. O programa é publicado às terças-feiras no e nas. Assista ao episódio da semana completo.