Cenário revisto: com perda de ritmo, economia ainda cresce mais este ano

3 de Jul de 2026 - 16:00
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Cenário revisto: com perda de ritmo, economia ainda cresce mais este ano

A guerra no Oriente Médio e a hiperatividade do governo Lula na turbinagem de programas sociais e na promoção de linhas de crédito para sustentar o consumo, em ano eleitoral, mudaram o ambiente e o cenário da atividade econômica em 2026.

Essa constatação pode ser confirmada comparando-se as expectativas para os grandes indicadores da economia no começo do ano com os números apresentados nas revisões do início do segundo semestre.

PIB vai de 1,8% para 2%

No Boletim Focus, relatório semanal em que o Banco Central reúne e organiza as projeções de mais de uma centena de analistas do mercado financeiro, publicando a mediana das respostas, o primeiro relatório de 2026 apontava que o PIB cresceria 1,8% neste ano. No Focus mais recente, assim como nas projeções do próprio BC, a atividade deve avançar 2%, mas o governo aposta em expansão de 2,3%.

Para a inflação, as estimativas antes do conflito chegaram a sinalizar alta de 3,9%, abaixo do teto do intervalo de tolerância do sistema de metas, fixado em 4,5%. Mas, daí em diante, com as turbulências no mercado de petróleo promovidas pela guerra dos Estados Unidos contra o Irã, a alta de preços subiu e agora as previsões são de elevação perto de 5,5%.

Menos cortes nos juros

Com a alta das projeções de inflação, as expectativas para o ciclo de cortes da taxa básica de juros (taxa Selic), iniciado em março, também sofreram forte reversão. No primeiro Focus de 2026, os analistas previam taxa Selic a 12,25% no fim do ano.

Antes do início dos cortes, com juros básicos por longo período em 15%, a redução prevista era de 2,75% ao longo do ano, com muitos analistas prevendo corte acumulado de mais de 3%. Mas, depois da guerra, o quadro mudou. De acordo com o Focus publicado nesta segunda-feira (29), os juros básicos terminariam 2026 em 14% — margem de corte de 0,25 ponto percentual, na Selic atual de 14,25%.

As alterações nas projeções do começo do ano para cá não foram pequenas. Elas refletem intervenções nas trajetórias naturais previstas, na virada de 2025 para 2026, mas ainda assim a tendência continua sendo de freada gradual na atividade, com efeitos mais intensos em 2027.

Freada mais forte em 2027

Depois de crescer 1,1% no primeiro trimestre de 2026, em relação ao último de 2025, as projeções são de que a atividade continuará avançando ao longo do ano, mas em ritmo mais lento — pouco menos de 0,5%, em média, nos trimestres restantes.

As projeções são também de crescimento já abaixo de 0,5% em cada trimestre de 2027. Com isso, o PIB cresceria pouco mais de 1,5% no ano que vem. Essa perda evidente de ritmo, embora ainda não revertendo o avanço positivo, seria decorrência da dissipação dos efeitos dos estímulos ao consumo, via programas sociais e linhas de crédito incrementados em 2026. A expectativa é a de que os estímulos não seriam renovados no pós-eleição, ao lado da manutenção de condições financeiras menos favoráveis para empréstimos e investimentos, em combinação com as restrições ao impulso da atividade causadas pelo alto endividamento de famílias e empresas.

Reportagem

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