Casagrande: 'Essa seleção brasileira tem muito marketing e pouca bola'

14 de Jun de 2026 - 09:30
 0  1
Casagrande: 'Essa seleção brasileira tem muito marketing e pouca bola'

A seleção brasileira virou mais "badalação" do que futebol na estreia e ainda não entregou jogo coletivo, avaliou Walter Casagrande no Posse de Bola, do Canal UOL.

Depois do empate com o Marrocos na Copa do Mundo de 2026, o comentarista disse que o clima de festa na convocação e nos treinos não se sustenta quando a bola rola e cobrou resposta já na próxima partida, contra o Haiti.

Cheguei à conclusão que é assim: essa seleção brasileira tem muito marketing e até agora pouca bola. Só que o marketing funciona até a hora que o juiz apita e a bola rola. Teve uma festança para convocar jogador, parecia que era uma entrega do Oscar. Uma badalação nos treinamentos, e a presença do Neymar, e a torcida, e os influenciadores, e aquelas campanhas. Até o dia da estreia, que foi ontem, foi um trabalho de marketing, uma seleção de marketing. Só que, no futebol, o marketing só funciona quando a bola rola e o time se empenha, o time joga bem, o time se apresenta. A seleção não mostrou nada ontem. Nada.
Walter Casagrande

Para Casagrande, o gol de Vinícius Júnior evitou um cenário ainda pior no jogo em que o Marrocos, segundo ele, "dominava completamente" a partida. Na visão do comentarista, o lance reforça o peso do atacante mesmo sem uma atuação completa.

Ele também cobrou mudança de peças e disse que Ancelotti demorou para mexer no ataque. Casagrande afirmou que preferia uma linha ofensiva mais jovem e citou nomes que, na avaliação dele, deveriam ter entrado e até começar jogando.

O Endrick deveria ter entrado no jogo de ontem. Depois da participação do Igor Thiago nessa partida, que praticamente não aconteceu nada daquilo que o Ancelotti tinha pensado para colocar, jogada aérea, fazer o pivô, presença de área, força física, não aconteceu nada. E ele jogou o primeiro tempo inteiro e mais um pouco do segundo tempo. E o Carlo Ancelotti teve a capacidade de não colocar o Endrick no jogo.
Walter Casagrande

O debate avançou para o trabalho do treinador italiano na Copa de 2026. Mauro Cezar Pereira disse ver um Brasil "sem conteúdo" coletivo e apontou que o time dependeu mais de "lampejos" do que de organização para competir com o Marrocos.

O Brasil é o contrário. O Brasil não tem nada. Rigorosamente nada. Você pode falar assim, qual o setor do time funciona? Nenhum. O meio campo, um desastre. Você acha que individualmente alguns jogadores acabam caindo em função da má estratégia do técnico, do trabalho ruim do técnico. O trabalho é ruim, gente.
Mauro Cezar Pereira

José Trajano reforçou que a discussão sobre Casemiro, que foi alvo de críticas após a estreia, acaba virando uma cobrança direta a Ancelotti. Para ele, a diferença entre o que funcionou no Marrocos e o que falhou no Brasil passou por "organização" e "bagunça".

Se o Casemiro está sendo discutido como está sendo discutido hoje, nós estamos discutindo, na verdade, o Ancelotti. Foi o Ancelotti que resgatou o Casemiro como símbolo da seleção dele.
José Trajano

Casagrande concluiu que o Brasil precisa dar uma resposta com bola rolando já contra o Haiti. Na leitura dele, a seleção tem de vencer e jogar bem para não repetir um roteiro de frustração na Copa do Mundo.

"Contra o Haiti, gente, é assim: tem que ganhar jogando bem. Qualquer outra coisa que aconteça é repetição de um fracasso", disse o comentarista.