Já dá pra carregar carro em 5 minutos: como IA está turbinando baterias
A BYD diz ter chegado ao carregamento de carro elétrico em cinco minutos (de 10% a 70%) com a nova geração da bateria Blade e um carregador de altíssima potência. Por trás do anúncio, a história que chama atenção é outra: a inteligência artificial começa a entrar no laboratório como um "atalho" para testar combinações de materiais e acelerar a corrida por baterias mais rápidas - mas isso também abre um debate sobre custo, conserto e reciclagem.
O que aconteceu
*A BYD apresentou em março a segunda geração da bateria Blade, dizendo que ela pode passar de 10% a 70% de carga em cinco minutos e chegar a 97% em nove minutos quando usada com o novo carregador Flash.
*Segundo a fabricante, um carro (Denza Z9 GT) equipado com a nova bateria alcançou 1.036 km de autonomia em teste chinês.
*A BYD também anunciou o carregador Flash com potência de 1.500 kW por conector e disse que essa potência é parte do que viabiliza os tempos de recarga divulgados.
*A empresa diz que levou seis anos para desenvolver a Blade de segunda geração e que o foco foi atacar a principal queixa de quem pensa em comprar um elétrico: tempo de recarga.
*A intenção é instalar 20 mil unidades do carregador Flash na China até o fim de 2026 e levar a tecnologia para outros países.
*A ByteDance Seed (braço de pesquisa em IA da dona do TikTok) anunciou parceria com a BYD Lithium Battery para criar um laboratório conjunto e usar IA junto de experimentos em alta escala para acelerar o desenvolvimento de baterias de lítio.
*Segundo a empresa uma ferramenta de IA chamada BAMBOO ajudou a "encurtar o caminho" na pesquisa ao filtrar rapidamente fórmulas possíveis de eletrólito (um componente-chave da bateria), em vez de depender só de tentativa e erro feita por engenheiros humanos.
*A InsideEVs relatou que um grupo que desmontou um pacote recente de bateria Blade levou cerca de 8 horas e até usou congelamento para tentar facilitar o processo, levantando preocupações sobre reparo e reciclagem por causa do uso de adesivos estruturais.
IAgora?
O uso de IA em laboratórios não é recente, muito pelo contrário: na pandemia, a tecnologia já era usada, por exemplo, para testar combinações de possíveis fármacos contra a covid-19.
A diferença entre a pandemia e o status atual é a IA generativa. Tecnologia muito mais popular e acessível ao grande público, ela tornou a IA mais "vendável" e impulsionou investimentos de todos os tipos no setor.
A aliança entre humanos em laboratórios e máquinas vai ficar cada vez mais próxima, impulsionando desenvolvimentos científicos e poupando esforços (e dinheiro) em direções erradas. Cada vez mais, contudo, o poder estará concentrado em quem detém tecnologia.
O que o mundo está dizendo sobre isso
Sua potência de 1.500 kW por conector impressiona, considerada essencial para atingir os recordes de velocidade de carregamento.
Autoesporte
A nova bateria Blade em si é um projeto genuinamente inteligente.
InsideEVs
Em vez de uma reinvenção total da indústria, o lançamento pode ser melhor entendido como um divisor de águas tecnológico.
Gasgoo Autonews
Reportagem
Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.