Cápsula vira 'bola de fogo': como será a volta da missão Artemis 2 à Terra?

10 de Abr de 2026 - 09:45
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Cápsula vira 'bola de fogo': como será a volta da missão Artemis 2 à Terra?

A missão Artemis 2, da Nasa, deve terminar hoje com a reentrada da cápsula Orion na atmosfera e um pouso no mar, no Oceano Pacífico, perto de San Diego, na Califórnia (EUA).

O que aconteceu

Retorno começou dias antes do pouso, com ajustes de rota para colocar a Orion no caminho certo. No sétimo dia da missão, o módulo de serviço direcionou a cápsula para a Terra e, até a aproximação final, a equipe faz correções de trajetória e testes de manobra com diferentes configurações de propulsores.

Dia anterior ao pouso foi dedicado a checagens finais e à preparação do corpo para a gravidade. Ontem, os astronautas vestiram roupas de compressão para ajudar o organismo a lidar com a volta à gravidade; eles também travaram e organizaram a cabine para a fase crítica da reentrada.

Antes de entrar na atmosfera, a Orion descarta o módulo de serviço e fica só com a cápsula tripulada. Essa separação marca o início do trecho em que a nave não tem como "voltar atrás" e passa a depender do escudo térmico e do perfil de entrada para atravessar o ar sem superaquecer.

Como será o pouso?

Reentrada acontece em altíssima velocidade e transforma a cápsula em uma "bola de fogo" vista do solo. A Orion deve atingir cerca de 40 mil km/h na alta atmosfera e o atrito aquece o exterior a mais de 2.800°C, enquanto o interior é mantido em torno de 23°C.

Escudo térmico é o item que mais sofre na descida e será colocado à prova no momento de maior risco. A reentrada é uma fase de alto risco, porque o calor e as forças aerodinâmicas testam o material de proteção da cápsula e a precisão do ângulo de entrada.

Paraquedas entram em ação em sequência para frear a cápsula até a velocidade de queda no mar. Três paraquedas são abertos para reduzir a velocidade, que cai para cerca de 30 km/h antes da amerissagem no Pacífico.

Amerissagem deve ocorrer na costa sul da Califórnia, com resgate por navios e aeronaves. O pouso está previsto para as 21h07 (de Brasília) nesta sexta-feira, e o planejamento da Nasa aponta uma queda no mar perto de San Diego, com navio preparado como hospital, além de helicópteros e barcos menores posicionados para a operação.

Após a cápsula tocar a água, equipes se aproximam e abrem a escotilha para avaliar a tripulação. A Nasa acompanha a trajetória para estimar o ponto de queda e, cerca de três minutos depois do pouso, ocorre a aproximação para checagem dos astronautas e retirada da cápsula.

Primeiros minutos fora da nave costumam ser de adaptação, com os astronautas deitados e sob observação. Depois de dias em microgravidade, a tripulação passa por exames, fica em observação e inicia reabilitação física para recuperar força, equilíbrio e a rotina de caminhar.

Quem está na Orion e por que o pouso importa

A Artemis 2 leva quatro astronautas em um voo de dez dias ao redor da Lua, sem pouso no satélite. Estão a bordo Reid Wiseman, Victor Glover e Christina Koch, da Nasa, e Jeremy Hansen, da CSA (Agência Espacial Canadense), em uma missão que testa sistemas de suporte à vida, comunicações e manobras com tripulação.

Volta à Terra é parte central do teste porque valida o conjunto "escudo térmico + paraquedas + resgate". O piloto Victor Glover disse em entrevista durante a missão que pensava na reentrada desde que foi designado para o voo. "Na verdade, estive pensando na reentrada desde 3 de abril de 2023, quando fomos designados para essa missão", disse.

Tripulação diz que a missão funciona como preparação para as próximas etapas do programa Artemis. Christina Koch comparou a sequência de voos a uma corrida de revezamento e afirmou que o grupo pretende passar adiante o que aprendeu. "Planejamos entregá-los à próxima tripulação, e tudo o que fazemos é pensando neles", afirmou.

* Com informações da e de reportagens publicadas em e .