Caiado defende impeachment de ministros do STF e critica Lula por tarifaço
O candidato à Presidência da República pelo PSD, Ronaldo Caiado, defendeu a possibilidade de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Ele afirmou que “não tem que ter impunidade para ninguém” e cobrou mais transparência sobre a atuação de autoridades públicas.
Caiado também criticou a família Bolsonaro, classificou como “péssima” a atuação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) diante do tarifaço imposto pelos Estados Unidos e apresentou propostas para as áreas de economia, segurança pública, Previdência e combate a privilégios.
O candidato deu as declarações durante sabatina realizada pelos jornais CBN, O Globo e Valor Econômico nesta quarta-feira (26).
Ao falar sobre a possibilidade de impeachment de ministros do Supremo, Caiado afirmou que nenhuma autoridade deve estar acima de mecanismos de responsabilização.
Segundo ele, o eleitor precisa ter acesso a informações sobre possíveis irregularidades envolvendo agentes públicos.
Caiado cobra avanço nas investigações sobre o Banco Master e o INSS
O candidato também defendeu a quebra de sigilo em casos como as fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e as investigações envolvendo o Banco Master. Para Caiado, a falta de informações pode prejudicar a escolha dos eleitores nas eleições.
“Nós estamos a 40 dias de uma eleição sem saber quem é que está envolvido nisso, amanhã muitos deles poderão estar ali eleitos. E aí é um golpe contra a democracia brasileira, porque o eleitor não foi informado do que aconteceu com a vida daquele que está se colocando como candidato"., afirmou.
Caiado defende "autoridade moral" em eventual governo
Caiado afirmou ainda que pretende combater o que chamou de “privilégios” e apresentou a ideia de exercer uma espécie de “autoridade moral” no governo.
Ao citar o Judiciário, disse que o Brasil vive uma “desordem institucional”.
Críticas a Lula e à família Bolsonaro
Críticas a Lula e a família Bolsonaro
Durante a sabatina, Caiado criticou tanto Lula quanto integrantes da família Bolsonaro.
Ao comentar o tarifaço dos Estados Unidos, Caiado classificou como “condenável” e “inadmissível” a postura do deputado licenciado Eduardo Bolsonaro.
Sem citar as razões que levaram os EUA a impor o tarifaço ao Brasil, Caiado disse que nenhum brasileiro deveria defender medidas que prejudiquem o próprio país.
“Qualquer cidadão que se coloque nessa posição é lesa-pátria. Ninguém pode se vangloriar de qualquer iniciativa contra o seu próprio país. Isso é condenável. Isso é algo inaceitável na vida política", afirmou.
O candidato também criticou Lula e afirmou que, caso seja eleito, não aceitará que um parlamentar tenha mais influência do que o presidente da República na relação do Brasil com outros países.
Meta de superávit de 1,5% do PIB
Na área econômica, Caiado prometeu reduzir despesas e buscar equilíbrio das contas públicas.
A meta, segundo ele, seria alcançar um superávit primário equivalente a 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro ano de governo.
O candidato afirmou que pretende manter a política de aumento real do salário mínimo e garantir reajustes para aposentados.
“O que nós temos que fazer é aumentar o PIB, e não diminuir o PIB e aumentar a pobreza - e punir exatamente o aposentado, quem depende da saúde, quem depende da educação", disse.
Caiado afirmou que sua proposta de ajuste fiscal não segue a política econômica adotada pelo governo Lula. Segundo ele, o petista não estaria disposto a discutir o equilíbrio das contas públicas.
Segurança e combate ao crime organizado
Caiado afirmou que, se eleito, classificará organizações criminosas como terroristas. Também prometeu ampliar o uso de tecnologia no combate ao crime e construir 40 presídios de segurança máxima.
“Eu vou ter poder de ação sobre todas as forças que o presidente tem: Exército, Aeronáutica, Marinha. Eu vou buscar o máximo de tecnologia no mundo", garantiu.
Sobre o combate aos crimes contra mulheres, o candidato afirmou que a responsabilidade não deve ficar restrita às forças de segurança. Ele defendeu uma atuação conjunta de órgãos como Ministério Público e Defensoria Pública.
Caiado evita detalhar medidas econômicas
Caiado também prometeu rever mudanças previdenciárias, discutir a escala de trabalho 6x1, promover alterações tributárias e acabar com penduricalhos no Judiciário.
Na sabatina, porém, não apresentou detalhes sobre como pretende implementar parte das medidas.
Ao explicar sua abordagem para a formulação das políticas públicas, afirmou que pretende recorrer a especialistas de diferentes áreas.
“Eu tenho a humildade de não querer ser o iluminado. Não sou o iluminado. Eu sou uma pessoa que vou chamar as pessoas mais competentes de cada área para me orientarem", disse.