Brasil faz último apelo aos EUA contra tarifas enquanto Lula provoca Trump

14 de Jul de 2026 - 23:00
 0  0
Brasil faz último apelo aos EUA contra tarifas enquanto Lula provoca Trump

Integrantes do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), do Ministério das Relações Exteriores (MRE) e da assessoria especial da Presidência da República se reuniram nesta terça-feira (14) com o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), em Washington, para tentar evitar a imposição de novas tarifas sobre produtos brasileiros. 

A reunião ocorreu na véspera da decisão do USTR sobre a possível aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, no âmbito da investigação aberta com base na Seção 301 da legislação comercial americana. 

Esta foi a quinta reunião entre equipes dos dois países para discutir o tema desde 7 de maio, quando os presidentes Lula e Donald Trump decidiram criar um grupo de trabalho voltado ao diálogo comercial. 

“Na reunião de hoje, foi reiterado o caráter injusto da aplicação das recomendações já divulgadas, seja a resultante da Seção 301 específica para o Brasil, de sobretaxas de 25%, seja a de 12,5% (Seção 301 – trabalho forçado) aplicável a outras 59 economias. Como já demonstrado pelo governo brasileiro, nenhuma das razões apontadas na Seção 301 justificam a aplicação das tarifas recomendadas”, afirmou o MDIC em nota oficial.

Tarifaço

Em junho, após concluir uma investigação conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, o USTR classificou como "irracionais" ou "discriminatórias" diversas políticas e práticas adotadas pelo Brasil e concluiu que elas impõem barreiras ou restringem o comércio americano. O presidente Donald Trump determinou a abertura da investigação em julho de 2025.

Um dos principais alvos da investigação é o Pix. Segundo o USTR, o Banco Central exerce simultaneamente as funções de regulador e operador do sistema de pagamentos instantâneos, o que poderia favorecer uma plataforma pública em detrimento de empresas privadas — inclusive companhias americanas que oferecem serviços de pagamento digital.

O relatório também critica as tarifas preferenciais concedidas pelo Brasil a produtos importados do México e da Índia, aponta falhas no combate à corrupção, na proteção à propriedade intelectual e na abertura do mercado brasileiro ao etanol americano.

Além disso, afirma que o país não aplica de forma efetiva sua legislação para conter o desmatamento ilegal, o que, na avaliação do governo americano, prejudica a competitividade de empresas dos EUA.

O governo americano também questiona decisões da Justiça brasileira envolvendo plataformas digitais.

De acordo com o relatório, autoridades judiciais emitiram ordens sigilosas para remover conteúdos, suspender perfis e impor restrições a empresas de tecnologia, medidas que, na avaliação do USTR, podem afetar a atuação de companhias americanas no país e restringir o comércio digital.

Além da investigação específica sobre o Brasil, o USTR abriu uma frente de apuração sobre o combate ao trabalho forçado em 59 economias.

Nesse processo separado, o órgão americano questionou a efetividade das medidas adotadas pelo Brasil para impedir a entrada de produtos produzidos com trabalho forçado nas cadeias de comércio internacional.

Lula insiste em críticas e provocações a Trump 

Enquanto equipes do governo buscam dialogar com os EUA para evitar o tarifaço, Lula tem mantido um discurso de confronto e ironias dirigidas ao presidente Donald Trump.

Durante um encontro com líderes do setor automotivo nesta terça-feira (14), Lula afirmou que "nem a dentadura" de Trump teria a mesma qualidade das próteses dentárias oferecidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Ao defender o programa Brasil Sorridente, o petista destacou o uso de equipamentos para escaneamento da arcada dentária e produção de próteses na rede pública.

Na segunda-feira (13), ao cumprir agenda oficial em São Paulo, Lula acusou Trump de "pirataria" por conta da decisão de assumir o controle do Estreito de Hormuz, no Irã, e cobrar uma taxa de 20% sobre as cargas transportadas por embarcações que cruzarem a região.

Nas últimas semanas, Lula também afirmou que Trump age como um "imperador" nas relações internacionais e classificou como uma "coisa desaforada" a proposta de sobretaxar produtos brasileiros enquanto as negociações comerciais ainda estavam em andamento.

Em outro momento, o petista declarou que, diante do superávit comercial acumulado pelos EUA na relação bilateral, "quem tinha que aumentar a taxa seríamos nós, não eles".

Lula também acusou a família Bolsonaro de "entreguismo" por manter interlocução com autoridades americanas durante a investigação comercial e afirmou que o Brasil "não está à venda".