Após filho nascer, advogados criam livraria infantil e faturam R$ 350 mil

21 de Jul de 2026 - 06:45
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Após filho nascer, advogados criam livraria infantil e faturam R$ 350 mil

Os advogados Gisele Cassano e Fernando Alves dos Santos decidiram ter o filho Benjamin Cassano dos Santos depois dos 40 anos, quando já estavam mais estruturados financeiramente e profissionalmente.

Amantes de livros, eles sempre liam para o pequeno, que hoje tem 6 anos. No entanto, sentiam dificuldade de encontrar em Curitiba (PR), onde moram, algum local que orientasse sobre os conteúdos mais adequado para o desenvolvimento de uma criança. "A gente tem aqui grandes livrarias, mas é tudo muito comercial. Elas se especializam em algumas coisas diferentes, mas a literatura infantil a gente não tinha achado ainda", conta Santos.

Foi a partir dessa necessidade que eles decidiram inaugurar, no fim de 2022, a Contos do Ben, livraria infantil que também tem brinquedos e jogos educativos. Para tirar o projeto do papel, o casal investiu cerca de R$ 250 mil na montagem da livraria. O valor foi usado na compra de livros, brinquedos, jogos e móveis planejados, desenvolvidos para o público infantil.

Gisele também deixou o trabalho que tinha há 14 anos, como procuradora de Pinhais, município na Região Metropolitana de Curitiba, para se dedicar à livraria.

Espaço pensado para crianças

Segundo Santos, a livraria foi projetada para ser acolhedora para as crianças. Há um tapete redondo personalizado, com três metros de diâmetro, criado para evitar quinas e reduzir o risco de acidentes com os pequenos que estão começando a andar. As estantes são mais baixas e os livros ficam expostos de frente, para facilitar o acesso e estimular a curiosidade da garotada.

"A criança tem que pegar o livro com o pai, a mãe, os avós", afirma o empresário.

Eles ficaram por dois anos em um shopping da capital paranaense. Depois, mudaram-se para um bairro na região central da cidade. Em 2025, a empresa faturou R$ 350 mil.

Incentivar leitura é desafio

Para Fernando Santos, um dos maiores desafios desde a criação da livraria é conscientizar os pais sobre a importância da literatura infantil. Segundo ele, embora o interesse venha crescendo em Curitiba nos últimos anos, ainda existe um trabalho constante de aproximação entre as famílias e os livros.

Outro obstáculo foi a formação da equipe. Como a proposta da livraria envolve mais do que vender produtos, os funcionários precisam ser treinados para orientar famílias e entender as necessidades de cada criança.

Uma das histórias que mais marcou o empresário aconteceu quando uma mulher entrou na loja procurando um livro que ajudasse o filho pequeno a "desapegar".

Inicialmente, os funcionários não entenderam o pedido. Ao conversar com a cliente, Santos descobriu que ela enfrentava um processo de divórcio e que o filho, de cerca de dois anos, não queria ficar longe da mãe nem aceitar a adaptação na escola. A equipe então sugeriu livros sobre afeto, vínculos familiares e acolhimento emocional, além de um jogo educativo que ajuda crianças a identificar sentimentos como tristeza, raiva e medo.

Algum tempo depois, a mãe voltou à loja para agradecer. Segundo ela, as leituras ajudaram não apenas a criança, mas também a avó e a babá a lidarem melhor com a situação. "Ela percebeu que não era desapego. Era uma forma de envolver mais as pessoas naquele momento difícil", conta Santos

Aposta em franquias

A Contos do Ben agora mira a expansão por meio das franquias. A taxa de franquia é de R$ 80 mil para uma loja de 80 a 100 metros quadrados. Para montar a loja, segundo Santos, a pessoa vai gastar ainda entre R$ 80 mil a R$ 100 mil com produtos, mobília e sistema.

O faturamento esperado é de R$ 25 mil a R$ 40 mil por mês. O lucro, segundo Santos, gira em torno de 22% e 30% em cima do faturamento.

O empresário diz que já há interessados em abrir lojas em Brasília, São Paulo, Santa Catarina e Paraná.

Para Fernando Balotin, especialista em valuation, M&A e reestruturação de empresas da Quartzo, o modelo de franquias é uma via interessante e eficiente para a expansão de marcas com potencial. "Esse caminho oferece o poder da escala, velocidade de mercado e alavancagem viabilizada pelo modelo de negócio", diz.

Contudo, Balotin explica que para o formato se consolidar é muito importante levar em consideração todos os cuidados necessários e riscos —com governança financeira enxuta, rigor jurídico e preservação da cultura e da experiência.

"Quando o empresário respeita essas premissas e entende que o que está vendendo não é apenas uma logomarca, o franchising deixa de ser uma aposta arriscada e se transforma em uma forma sólida de geração de valor a longo prazo para todos os envolvidos."