Antes vistos como rivais, Michelle, Tarcísio e Nikolas engajam campanha de Flávio
A campanha de (PL) para a Presidência ganhou nova e decisiva tração logo na sua largada, após conquistar o apoio engajado da ex-primeira-dama (PL), do deputado (PL-MG) e do governador (Republicanos-SP).
Antes vistos como potenciais "rivais" de Flávio na briga pelo legado de Jair Bolsonaro, o trio é tido pelo PL como indispensável para seu candidato vencer a disputa eleitoral. Eles entram em campo para unir a direita e injetar votos além dela na chapa presidencial, sobretudo dos maiores colégios eleitorais.
Michelle, Nikolas e Tarcísio são ativos estratégicos para Flávio por sua vasta influência ultrapassar partidos e redutos. Ela mobiliza mulheres e evangélicos; o deputado, com 22 milhões de seguidores, tem enorme alcance digital; e o governador lidera o estado mais rico e populoso do país.
Flávio tem feito gestos para atrair e preservar o trio ao seu lado. Garantiu a Michelle acesso direto à Presidência, projetou Nikolas como futuro presidente e reafirmou que pretende governar por um mandato apenas, o que manteria aberto o caminho presidencial para Tarcísio em 2030.
Apoio entusiasmado do trio dissipa desconfianças e elimina distâncias
A presença dos líderes conservadores na campanha presidencial do PL supera a fase de turbulências de bastidores e desconfianças sobre o real alinhamento do grupo. Até recentemente, analistas apontavam a distância do trio com relação a Flávio, fomentando rumores de rivalidades internas.
Havia a impressão de que Michelle, Nikolas e Tarcísio preferiam arranjo eleitoral alternativo para 2026, encabeçado pelo governador de São Paulo e tendo a ex-primeira-dama de vice. A chancela de Flávio pelo pai, Jair Bolsonaro, e a ofensiva governista forçaram a reordenação de forças.
No fim de junho, o racha público entre Michelle e o enteado expôs divergências sobre alianças regionais. A ruptura assustou o comando da campanha, temendo a piora da rejeição a Flávio entre o eleitorado feminino e evangélico, no qual a influência da ex-primeira-dama é vital.
. A trégua foi selada com a veiculação do primeiro vídeo oficial da dupla para o horário eleitoral, sinalizando a pacificação da chapa. Desde então, apoiadores voltaram a se animar.
Participação na campanha rende engajamento de públicos e regiões
Superada a crise, a campanha de Flávio procurou recalibrar a estratégia para o Sudeste, acionando o peso político de Nikolas Ferreira e Tarcísio de Freitas nos dois maiores colégios eleitorais. Minas Gerais, inclusive, é considerado estado-pêndulo, definidor das eleições presidenciais.
Nesse sentido, Nikolas assumiu o papel de principal cabo eleitoral de Flávio, utilizando o seu massivo alcance digital e liderança regional para dialogar com o eleitorado jovem e a ala mais ideológica da direita. O deputado tem enaltecido esse papel histórico das votações no estado.
Já em São Paulo, Tarcísio busca a reeleição ao governo estadual ainda no primeiro turno e atua como a ponte institucional com o eleitorado moderado e com prefeitos do interior paulista. O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), aliado do governador, também já trabalha por Flávio.
Ao converter rivalidades em um pacto de conveniência eleitoral, o trio de cabos eleitorais mais importantes da direita assume o protagonismo na tentativa de transferir ainda mais influência ao legado político de Jair Bolsonaro e consolidar a viabilidade da candidatura do senador.
Jornalista de política e economia com foco na cobertura do Congresso Nacional. Passou pelos jornais Diário do Comércio (MG), Gazeta Mercantil, Estado de Minas, Brasil Econômico, Correio Braziliense e A Tarde (BA). **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.
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