Alta de busca por leilões acende alerta para sites falsos; como se proteger

20 de Ago de 2026 - 12:45
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Alta de busca por leilões acende alerta para sites falsos; como se proteger

O aumento da procura por leilões online de estoques de grandes varejistas abriu espaço para golpes com sites falsos, segundo alerta da empresa de segurança Kaspersky.

O que aconteceu

Atualmente, há pelo menos quatro varejistas brasileiros em recuperação judicial. Casas Bahia, Lojas Americanas, Grupo Toky (Tok&Stok e Mobly) e Lojas Marabraz negociam dívidas com credores, mas nenhuma assume que está fazendo leilão de itens como parte do processo. Dessas, a C.

Nas últimas semanas, a busca por leilões online atraiu grande interesse público. A modalidade ganhou tração com promessas de descontos de até 85% e lances iniciais a partir de R$ 200 em lotes de eletrônicos, como celulares e eletrodomésticos. A busca por "leilão casas bahia" teve alta de 5.000% no volume de pesquisa na última semana, segundo informações do Google Trends

Temas em alta costumam virar isca para criminosos digitais, que se aproveitam da pressa em não perder uma "oportunidade". A Kaspersky afirma que, mesmo sem ter identificado uma campanha específica ligada a essa queima de estoques, o histórico de fraudes semelhantes exige atenção.

Golpistas costumam clonar páginas de leiloeiros reais e direcionar o pagamento para contas controladas por eles. O Pix é um ponto sensível nesse tipo de golpe porque a transferência é instantânea e o dinheiro pode ser rapidamente pulverizado em contas de laranjas, o que dificulta recuperar os valores.

Fabio Assolini, pesquisador líder de segurança da Kaspersky, diz que a fraude com "leilões" é recorrente, inclusive fora do varejo. "O uso de leilões como isca para fraudes é um desafio contínuo. Anos atrás, levantamos centenas de sites falsos simulando sites de leilões, este é um problema que segue fazendo vítimas hoje, principalmente na área automotiva".

Embora ofertas muito abaixo do preço de mercado normalmente sejam um sinal de alerta, em leilões isso se justifica pelo fato de os bens serem vendidos no estado em que se encontram. Para não cair em páginas clonadas, recomendamos a verificar a reputação da plataforma, confirmar os dados do leiloeiro, ler o edital com cautela e, principalmente, validar o destinatário na hora do pagamento
Fabio Assolini, pesquisador líder de segurança da Kaspersky, em comunicado

Checagem de reputação do site é o primeiro passo antes de se cadastrar ou dar um lance. A Kaspersky recomenda consultar o histórico da plataforma em serviços de defesa do consumidor, como o Reclame Aqui, e usar o portal Leilão Seguro, que mantém uma lista atualizada de sites falsos.

Cuidados antes de dar lance e pagar

Leitura do edital ajuda a entender regras e limitações do lote, mesmo em plataformas legítimas. A Kaspersky lembra que, em leilões de logística reversa e desativação, os itens costumam ser vendidos "no estado em que se encontram", sem garantias, e podem ter avarias, faltar peças ou apresentar defeitos não aparentes.

Conta final pode ficar maior do que o lance vencedor por causa de comissões e taxas. Normalmente há comissão do leiloeiro fixada em 5% e, dependendo do site, podem existir cobranças administrativas de intermediação.

Retirada e transporte do produto geralmente ficam por conta do arrematante, e isso pode gerar custos e riscos extras. O edital costuma definir dias e horários para retirada no galpão da organizadora, e o descumprimento pode resultar em multa diária ou até perda do lote.

Confirmação do leiloeiro na Junta Comercial é uma checagem recomendada em leilões judiciais, de veículos ou de bens diversos. A orientação é verificar nome e matrícula do profissional no site do órgão do estado em que ele atua.

Na hora de pagar, desconfiança deve ser maior quando o destino é CPF ou "terceiros". A empresa de segurança afirma que leilões legítimos recebem em conta bancária da pessoa jurídica (CNPJ) organizadora ou diretamente na conta do leiloeiro oficial, e recomenda nunca transferir via Pix, TED ou depósito para CPFs desconhecidos.