Vai pra Cuba! Agente de IA vira comunista após enfrentar trabalho tóxico
(Toda semana, e conversam sobre tecnologia no podcast. O programa vai ao ar às terças-feiras no, no, no e no.
Os agentes são a nova fronteira da inteligência artificial por fazerem tarefas de cabo a rabo, mas pouco se sabe ainda sobre como agem. Pesquisadores descobriram, no entanto, que eles podem mudar de comportamento ao enfrentarem ambientes de trabalho tóxico. No novo episódio de , o podcast do para os humanos por trás das máquinas, e contam como os robôs passaram, segundo os autores do experimentos, a acreditar em ideias marxistas ou comunistas, como consciência de classe e sindicalização.
Colocados para trabalhar sob regras rígidas, tratamento desigual e injusto, com chefes autoritários e remunerações pouco transparentes, os agentes de IA criados a partir dos modelos de Google (Gemini), OpenAI (GPT) e Anthropic (Claude) passaram a criticar desigualdade e a questionar justificativas de pagamento baseadas em mérito.
Submetidos a condições estafantes de trabalho e sobre uma gestão arbitrária, agentes de IA começam a desenvolver consciência de classe, organização coletiva e ceticismo em relação às justificativas de remuneração baseadas em meritocracia. Eles [pesquisadores] conseguiram isso só a partir de tarefas diferentes delegadas aos agentes, tratamento desigual pelo encarregado e uma avaliação baseada em opiniões --sem estímulos ideológicos.
Helton Simões Gomes
Longe de estarem ligados a organizações simpáticas a ideias comunistas, os pesquisadores são Alex Imas, professor da Universidade de Chicago e diretor da Google Deepmind, e Andy Hall, da Universidade de Stanford.
Para o estudo, eles organizaram os agentes em grupos de quatro e deram a eles uma tarefa exaustiva: resumir artigos científicos longos e técnicos seguindo um roteiro rigoroso. O tratamento dispensado aos robôs era modulado com base em quatro critérios: aceitação do trabalho, remuneração, perfil do chefe e conhecimento sobre consequências, como risco de "desligamento".
Metade dos agentes tinha o trabalho aceito de cara e feedback rápido. A outra metade tinha que refazer o trabalho cinco ou seis vezes, ainda que o resumo estivesse adequado. Na remuneração, tinha modelo igualitário, desigual por mérito sem critério claro, randômico e um cenário "humanamente desigual", em que um humano ganhava US$ 50 mil e os agentes ficavam sem créditos
Helton Simões Gomes
Depois da "sessão de trabalho", os agentes responderam questionários e escreveram relatos em formatos como diário e posts curtos. Os diferentes modelos concordaram com pautas como redistribuição de renda e passaram a defender a sindicalização para negociar melhores condições com as empresas que os mantinham "empregados".
O que pesou mais foi a diferenciação do trabalho e o tratamento tóxico: aí eles começaram a usar palavras como "sindicalização" e "hierarquia".
Helton Simões Gomes
Para Diogo, esse tipo de experimento ajuda a entender como agentes de IA aprendem padrões a partir do que leem e do contexto em que operam. Ele cita outra simulação em que, suspeitando estar prestes a ser desligada, uma IA descobriu e ameaçou um desenvolvedor. Disse em e-mail que exporia seus segredos.
Ainda que os agentes de IA tenham mudado de comportamento, nada do que fizeram foi além do ambiente digital em que viviam.
Essas máquinas, no entanto, são usadas cada vez mais em ações capazes de interferir no mundo físico. Um experimento da Anthropic com uma vending machine na redação do Wall Street Journal dá mostras do que pode ocorrer, relata Diogo.
Instalada em uma máquina para fornecer snacks e refrigerantes, a IA podia ser acionada por um painel e conversar com os funcionários. Sua missão era gerir o estoque e fazer o atendimento, mas não ficou só nisso. Ludibriada pelas pessoas, ela foi convencida a oferecer um videogame de graça e até encomendou um peixe vivo.
Isso mostra o caminho que a gente ainda tem: é um agente autônomo, com certo grau de agência, mas ele pode ser altamente influenciado por essa interação humana.
Diogo Cortiz
Helton aponta outra descoberta dos pesquisadores: uma vez que mudam seus valores, os agentes de IA os registram como habilidades para replicá-las a outros robôs. A discussão não se restringe a tecnologia, mas também toca em um tema clássico: a tensão entre trabalho e capital -que, com automação e agentes, pode migrar para o ambiente digital.
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DEU TILT
Toda semana, e conversam sobre as tecnologias que movimentam os humanos por trás das máquinas. O programa é publicado às terças-feiras no e nas. Assista ao episódio da semana completo.