Um delicado dilema para Djokovic e Sinner
Jannik Sinner precisou de cinco sets e 3h30min para sobreviver. Novak Djokovic jogou uma parcial a menos, mas ficou em quadra por 3h12min. É seguro dizer que não foi um primeiro dia tranquilo para ambos Wimbledon. Sim, ambos encararam adversários corajosos fazendo boas atuações, mas tanto o número 1 do mundo quanto o veterano sérvio fizeram apresentações abaixo de seu melhor nível.
Parece justo afirmar que pelo menos parte desses desempenhos aquém do ideal entra na conta da falta de torneios disputados antes de Wimbledon. Por motivos diferentes, mas ambos relacionados a aspectos físicos, Sinner e Djokovic não competiram na grama antes desta segunda-feira. O italiano ficou de 28 de maio a 29 de junho sem fazer um jogo oficial. O sérvio, que perdeu um Roland Garros um dia depois do número 1, ficou um mês completo sem atuar.
Por que tanto tempo? As respostas são diferentes. Sinner teve aquela reação física e travou sob o calor de Paris após 1h30min de partida. Vinha em uma sequência longa e exaustiva de partidas (foi campeão em Monte Carlo, Madri e Roma). Parou para descansar o corpo e a mente. Aproveitou para fazer exames e tentar entender o que aconteceu em Roland Garros (disse que todos resultados foram positivos, mas não entrou em detalhes). Uma pausa longa, mas compreensível em mais de um sentido.
Djokovic, por sua vez, tem 39 anos. A cada mês que passa, fica mais difícil para o sérvio encontrar o equilíbrio entre adquirir ritmo de jogo e cuidar de um corpo que acumula tantas batalhas. Antes de Roland Garros, jogou apenas em Roma e teve problemas físicos durante sua única partida. Na grama, preferiu não arriscar. Foi direto para Wimbledon, como fez em outras oportunidades na carreira. O preço? Um começo de torneio menos afiado, mas com a garantia de estar bem o bastante no aspecto físico.
Na Era Aberta, que começou em 1968, apenas sete homens conquistaram Wimbledon sem disputar um torneio de aquecimento na grama (Stan Smith, Jan Kodes, Bjorn Borg, Boris Becker, Andre Agassi, Roger Federer e Novak Djokovic). Pouco para um período de 58 anos. Dá uma noção da dificuldade e do preço cobrado por preservar o corpo. Ganha-se aqui, perde-se ali. Eis o dilema.
Opinião
Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.