Token Maxxing: nova febre eleva gasto com IA e gera saudade de demitidos

20 de Mai de 2026 - 09:30
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Token Maxxing: nova febre eleva gasto com IA e gera saudade de demitidos

(Toda semana, e conversam sobre tecnologia no podcast. O programa vai ao ar às terças-feiras no, no, no e no. Nesta semana: ; ; ; )

Uma nova febre do Vale do Silício tenta transformar gasto com IA em sinônimo de produtividade: quanto mais tokens um funcionário consome, mais ele é visto como eficiente. No novo episódio de , o podcast do para os humanos por trás das máquinas, Diogo Cortiz e Helton Simões Gomes explicam como essa lógica já começa a aparecer em empresas e pode se espalhar para além da tecnologia.

A onda ganhou um nome -Token Maxxing- e tem efeitos colaterais: custos que explodem, pressão por desempenho e um debate sobre se faz sentido medir trabalho só por volume de processamento. Em alguns casos, a conta começa a rivalizar com o custo de contratar gente.

'Token Maxxing' é essa febre do Vale do Silício de produzir muita coisa com inteligência artificial, mas produzir de maneira insana mesmo. A palavra 'token' vem de como a inteligência artificial processa e como ela te cobra: por meio de tokens, que é uma palavra ou pedacinhos de palavra. Surgiu essa febre de eu colocar inteligência artificial para produzir, e eu vou contabilizando quanto de token eu processei. Isso está virando um sinônimo de produtividade: as pessoas começam a competir para ver quem produziu mais por meio da quantidade de tokens que ela processou.
Diogo Cortiz

Um painel interativo com o consumo de tokens de funcionários da Meta expôs o tamanho do apetite por IA. O ranking, revelado pelo The Information, listava os 250 maiores consumidores entre os mais de 85 mil funcionários da empresa.

Em 30 dias foram consumidos 60 trilhões de tokens. O cara que ficou no topo da lista gastou 281 bilhões de tokens. Se a gente considerar um custo de mais ou menos 5 dólares por cada milhão de token, esse cara custou para a Meta US$ 1,4 milhão. E toda essa quantidade de tokens em 30 dias, se a gente considerar esse custo, custou para a Meta US$ 300 milhões.
Helton Simões Gomes

Parte do consumo vem do jeito como o modo de raciocínio das IAs operam, gerando tokens intermediários além daqueles usados na entrada e na saída. Isso empurra o gasto para cima quando empresas colocam agentes para executar tarefas.

O 'Token Maxxing' tem claros vencedores: quem oferece acesso a serviços de IA. Como a cobrança é por token, essas empresas têm incentivo direto para fomentar a corrida.

As que vendem os serviços --Anthropic, Google, OpenAI-- porque as outras empresas pagam por token. Ou seja, quanto mais consumir token, mais elas vão lucrar com isso. Para o usuário final, os limites estão ficando menores, porque eles têm uma quantidade limitada, finita, de poder de processamento. 'Eu vou dar isso para as empresas que estão pagando pela API, que é um custo mais alto, e aí eu vou limitando para quem paga assinatura'.
Diogo Cortiz

Algumas empresas de tecnologia, no entanto, começam a colocar o pé no freio quando comparam custo e retorno. Até dentro da Nvidia, a fabricante das GPUs essenciais à IA, há questionamentos sobre tarefas simples em que a IA pode sair mais cara do que colocar um profissional júnior para resolver rápido.

A valorização de empregados com menos experiência ocorre no momento quando as grandes empresas de tecnologia encerram um trimestre com 100 mil demitidos e se preparam para mais cortes.

Se tem alguém que é derrotado pelo Token Maxxing, essa 'token mania', é sem dúvida o trabalhador. Já estão até cunhando uma outra condição que é a ansiedade do token. O cara se sente compelido a gastar token para mostrar que ele está produzindo. Além disso, ele tem que lidar com o desemprego batendo à porta, porque as empresas estão reduzindo a força de trabalho para substituir por inteligência artificial.
Helton Simões Gomes

Enquanto a disputa por tokens cresce, trabalhadores da tecnologia lidam com demissões e a nova pressão para "performar" com IA. Para Diogo, o Token Maxxing não se restringir a programadores e deve se espalhar para áreas administrativas e de atendimento, com empresas incentivando o uso de IA em tarefas do dia a dia.

Por que o ChatGPT não fará você ganhar o bolão da Copa do Mundo

Com a Copa do Mundo prestes a começar, está declarada a temporada dos bolões -e muita gente vai tentar terceirizar o palpite para chatbots de inteligência artificial. Diogo Cortiz e Helton Simões Gomes explicam por que o ChatGPT não fará você ganhar a competição de pitacos. Mas há uma IA improvável que costuma acertar os resultados do confronto mundial.

Ferramentas de IA baseadas em texto podem até soar convincentes na narrativa, mas não fazem o tipo de conta que realmente pesa numa previsão esportiva: simular partidas com estatísticas e dados de desempenho de times e jogadores.

O ChatGPT não serve para isso. Ele pode dar uma dica ou outra. Ele é um processador de texto, um modelo de linguagem. Para te dar essa resposta, ele vai processar textos escritos por outras pessoas: palpites, posts, análises. Mas ele não trabalha necessariamente com as estatísticas do jogo, nem faz simulação. Ele não está olhando individualmente para cada jogador, nem processando a estatística de um time contra a de outro. Ele está processando o que já foi publicado. Se você é totalmente leigo, pode te dar umas dicas.
Diogo Cortiz

Golpe digital: pena sobe, mas essas 7 dicas vão blindar sua vida virtual

A pena para golpes online subiu no Brasil, e a discussão agora encosta também nas plataformas digitais onde as fraudes circulam. Diogo Cortiz e Helton Simões Gomes explicam o que mudou na lei e como se proteger.

Os apresentadores descrevem uma "epidemia" de golpes digitais, com tentativas por ligação, sites falsos, e-mails fraudulentos e clonagem de aplicativos. Eles também listam sete passos para reduzir a exposição de dados, limitar prejuízos em caso de roubo de celular e juntar provas para responsabilizar criminosos.

Foi uma reforma do Código Penal que passou no finalzinho de abril e endureceu as penas para quem cometer golpes online no Brasil. [...] A pena para quem for condenado por esses crimes vai de quatro a oito anos mais multa
Helton Simões Gomes

Adeus, Deepseek: Doubao e Kimi, líderes na China, já batem IA da Anthropic

Pouco mais de um ano depois de o DeepSeek "mudar os parâmetros" do que parecia necessário para treinar IA, outros modelos chineses entram no radar ao disputar espaço com o Claude, da Anthropic, e ao dominar o uso no dia a dia.

Diogo Cortiz e Helton Simões Gomes explicam por que o Kimi virou alternativa competitiva em custo e como o Doubao virou "a saída" nos celulares da China.

O Claude trouxe uma nova perspectiva desde o fim do ano passado pra cá, do ponto de vista de criação de coisas: prototipar um aplicativo, gerar código, fazer apresentações. Só que ele tem um custo absurdo, um custo muito grande. O Claude consome os tokens muito rápido e, se você está usando API, vem uma conta depois do fim do mês, chega o boletão que fica difícil de pagar. Então, o que muitos desenvolvedores começaram a olhar é para outros modelos. A China tem um catálogo muito grande, mas um modelo que está se sobressaindo é o Kimi.
Diogo Cortiz

DEU TILT

Toda semana, e conversam sobre as tecnologias que movimentam os humanos por trás das máquinas. O programa é publicado às terças-feiras no e nas. Assista ao episódio da semana completo.