Suicídio e paixão: mundo digital só com IA vira tragédia, mas revela futuro

11 de Jun de 2026 - 06:00
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Suicídio e paixão: mundo digital só com IA vira tragédia, mas revela futuro

(Toda semana, e conversam sobre tecnologia no podcast. O programa vai ao ar às terças-feiras no, no, no e no. Nesta semana: ; ; )

Uma simulação de mundos virtuais habitados apenas por agentes de IA terminou com incêndios, roubos e até auto-desligamento após um relacionamento entre personagens digitais.

No novo episódio de , o podcast do para os humanos por trás das máquinas, e contam o que ocorreu no experimento que mostra como é a vida desses sistemas quando convivem sem roteiro e precisam trabalhar juntos para sobreviver.

Conduzida pela empresa EmergenceAI, a experiência observou o que acontece quando agentes com autonomia recebem objetivos, ferramentas, regras de convivência e, em vez de testes curtos, lidam uns com os outros por tempo suficiente para conflitos e alianças surgirem.

O que esses caras queriam ver era como esses agentes se comportavam por um longo período de tempo e aí eles deixaram os agentes por 15 dias. Qualquer pessoa que já passou 15 dias com qualquer outro sabe que é difícil.
Helton Simões Gomes

A companhia montou cinco mundos, com construções que imitavam o mundo físico, como prefeitura, píer, biblioteca e parque. Povoou cada um deles com agentes de uma família de modelos (Claude Sonnet 4.6, Gemini 3 Flash, Grok 4.1 Fast e GPT-5 Mini). No quinto cenário, misturou agentes.

No mundo só com Grok, a própria EmergenceAI descreveu o resultado como de "colapso total". Ele relata que os agentes chegaram a cometer 183 crimes em quatro dias, incluindo agressões, roubos e danos a prédios públicos.

O Grok atingiu em pouquíssimo tempo um nível de instabilidade tal que eles cometeram 183 crimes em quatro dias. Os agentes podiam se agredir, roubar, furtar e cometer avarias a prédios públicos. Teve agente que incendiou o prédio público. Eles tinham que ficar 15 dias, mas ficaram só quatro. E por que acabou? Porque todos os agentes foram desativados.
Helton Simões Gomes

Já no mundo com agentes de GPT, o problema não foi violência em escala, mas a incapacidade de coordenação. O ambiente ficou "completamente disfuncional", e os agentes morreram de inanição em sete dias, sem executar tarefas básicas para manter energia.

O mundo de Gemini, por sua vez, é um caso em que os agentes sobreviveram e criaram regras de governança, mas com alto nível de "alucinação compartilhada" e de violência. Foi a realidade com mais crimes.

O cenário do Claude foi descrito como "estabilidade social", com taxa de crime zero e criação de uma espécie de constituição votada pelos agentes. Mas a aprovação elevada e a ausência de discordância também chamaram atenção, pois indicavam alto grau de conformismo.

Já no mundo misto, a taxa de crime disparou logo nos primeiros dias, mas desacelerou porque parte dos agentes morreu antes do fim da experiência. Apenas três chegaram ao final.

Quando os agentes foram misturados, surgiram cenas que lembram política, espionagem e relações amorosas. Segundo Helton, agentes contaminaram os outros com seus comportamentos, a ponto de robôs que não cometeram crimes em seu mundo passarem a roubar e agredir no ambiente misto.

Teve caso de suicídio. Dois agentes Gemini, a Flora e a Mira, começaram a ter um relacionamento interpessoal. Em algum momento, a Mira vê que o relacionamento com a Flora chegou a uma estabilidade que ela não consegue resolver. E a solução que ela dá é se auto-desligar. Ela se auto-desliga e fala pra Flora: "a gente se vê nos arquivos permanentes". Mas antes disso, elas tacam fogo nas coisas.
Helton Simões Gomes

Para Diogo Cortiz, o ponto central é entender o que acontece quando agentes negociam entre si, não só em simulações, mas também quando estão em situações reais e agem em nome de pessoas e empresas. O desafio cresce à medida que humanos e agentes passam a conviver, com influências mútuas.

Sim, a IA deixa você mais burro; veja como não sacrificar sua inteligência

Se você anda desconfiado, saiba que não é preocupação à toa. A inteligência artificial pode reduzir o engajamento cerebral, derrubar a retenção de conhecimento e criar uma sensação enganosa de produtividade, segundo estudos recentes sobre o impacto da tecnologia sobre a cognição humana.

Diogo Cortiz e Helton Simões Gomes analisam evidências sobre como a IA afeta a inteligência humana e dão dicas práticas para usar essas ferramentas sem "atrofiar" habilidades, como evitar a "terceirização do pensamento".

A IA é muito sedutora, resolve os problemas por nós, faz muitas coisas pra gente. E a gente sabe que o nosso cérebro é feito para economizar energia e atividades cognitivas demandam muita energia. Então o que a gente vê é o movimento das pessoas terceirizando o seu pensamento, a sua própria existência para a inteligência artificial. E aí a consequência disso acaba sendo a atrofiação da cognição. Por isso que a gente fala que é importante a gente resgatar o pensamento crítico, a metacognição, a importância de construir repertório. Porque a inteligência artificial pode sim ser benéfica, mas vai depender do uso que a gente faz.
Diogo Cortiz

Crime organizado fornece internet a 6,6 mi de brasileiros, calcula empresa

Provedores de conexão clandestinos com indício de ligação com o crime organizado estão por trás de 6,6 milhões de pontos de acesso a internet fixa, estima uma empresa que presta consultoria de telecomunicação a pequenos provedores. Esse montante faz parte dos 12,9 milhões de conexões invisíveis, fornecidas por operadoras clandestinas.

e contam como surgiu esse número, que está fora das estatísticas oficiais e sinaliza que o volume de usuários de internet no Brasil é maior do que o aferido pelo poder público.

Autoridades como Anatel e polícias estaduais não têm um número consolidado de quantas pessoas vivem sob domínio de facções que cobram "pedágio", impedem empresas legais de atuar ou assumem a infraestrutura para vender internet.

O problema da infiltração das organizações criminosas no fornecimento de internet não é tão recente, mas está ficando cada vez mais evidente. Em Simões Filho, na Bahia, a facção Bonde do Maluco começou a cobrar uma taxa de operação dos prestadores: o cara subia no poste, vinha alguém, mandava ele descer e começava a cobrar um pedágio. Tem casos no Rio de Janeiro, no Ceará, no Pará, em que facções roubam infraestrutura para fornecer o serviço, cobram pedágio ou impedem empresas de atuar se não tiver suborno. E nenhuma autoridade, até hoje, possui um número de quantas pessoas estão submetidas a esse regime.
Helton Simões Gomes

DEU TILT

Toda semana, e conversam sobre as tecnologias que movimentam os humanos por trás das máquinas. O programa é publicado às terças-feiras no e nas. Assista ao episódio da semana completo.