Starbucks eleva projeção para 2026 com lucro de US$ 1,05 bi no trimestre
A Starbucks elevou nesta quarta-feira (29) sua projeção de resultados para o ano fiscal de 2026, depois de lucrar US$ 1,05 bilhão no terceiro trimestre fiscal, encerrado em 28 de junho, alta de 87,2% em relação ao mesmo período do ano anterior, informou a empresa em seu balanço trimestral.
Destaques do trimestre
- Lucro líquido: US$ 1,05 bilhão (+87,2%)
- Lucro por ação ajustado: US$ 0,85 (+70,0%)
- Receita líquida: US$ 9,32 bilhões (-1,4%)
- Margem operacional ajustada: 14,4% (+4,3 p.p.)
- Investimentos: US$ 887,8 milhões (-52,0%)
A companhia elevou a projeção de vendas para o ano fiscal de 2026 e agora espera crescimento pouco acima de 6,0% nos Estados Unidos e próximo disso no total global. A Starbucks também prevê receita líquida consolidada estável a levemente maior que a de 2025, margem operacional ajustada acima de 11,0% e lucro por ação ajustado entre US$ 2,55 e US$ 2,65 para o ano fiscal completo. A empresa projeta ainda entre 600 e 650 novas lojas no mundo.
O lucro líquido atribuído à Starbucks somou US$ 1,05 bilhão no trimestre, alta de 87,2% em relação ao mesmo período do ano anterior. O resultado contábil foi impulsionado por um ganho não recorrente de US$ 536,3 milhões com a venda das operações de varejo da Starbucks na China, parcialmente compensado por US$ 302,6 milhões em custos de reestruturação e mais US$ 62,2 milhões em despesas com a própria transação e com um programa de transformação interna. Sem esses efeitos, o lucro por ação ajustado (não-GAAP) foi de US$ 0,85, alta de 70,0% em um ano.
A receita líquida consolidada caiu 1,4% no trimestre, para US$ 9,32 bilhões. Segundo a empresa, o recuo reflete a conversão das operações de varejo da Starbucks na China para um modelo de joint venture licenciada, concluída em abril de 2026, que retirou da consolidação as vendas das lojas próprias no país. Em bases comparáveis, as vendas cresceram 7,9% em todo o mundo, puxadas por alta de 4,2% no número de transações e de 3,5% no tíquete médio. Em moeda constante, a queda da receita foi de 0,8% — efeito cambial pequeno no período.
A margem operacional ajustada avançou 4,3 pontos percentuais em um ano, para 14,4%. Pela métrica contábil, a margem operacional foi de 10,5%, alta de 0,6 ponto percentual. A Starbucks atribui a expansão à diluição de custos com o crescimento das vendas, à menor inflação e a reembolsos de tarifas de importação recebidos no trimestre, que compensaram investimentos em mão de obra ligados ao plano "Back to Starbucks".
Uma mudança nas regras alfandegárias americanas ajudou o resultado do trimestre. Desde 20 de abril de 2026, o governo dos EUA passou a aceitar pedidos de reembolso de tarifas recíprocas pagas sob a lei de emergência econômica (IEEPA). A Starbucks pediu o reembolso no trimestre e recebeu a quase totalidade do valor solicitado, registrado como redução de custos de produtos e distribuição — o que, segundo a empresa, compensou boa parte das tarifas pagas nos três primeiros trimestres do ano fiscal.
Nos EUA e no Canadá, a receita do trimestre cresceu 6,8%, para US$ 7,40 bilhões, com vendas em alta de 8,1%. Já a receita da divisão internacional recuou 34,2%, para US$ 1,32 bilhão — queda concentrada na China, cujas lojas próprias deixaram de ser consolidadas depois da venda ao fundo Boyu Capital. Mesmo assim, as vendas da divisão internacional cresceram 5,7% no período.
Os investimentos (capex, os gastos da empresa em obras, equipamentos e tecnologia) somaram US$ 887,8 milhões nos nove meses encerrados em 28 de junho de 2026, queda de 52,0% na comparação anual. A empresa usou parte dos recursos da venda da operação chinesa, de US$ 2,54 bilhões, para recomprar cerca de US$ 1,3 bilhão em títulos de dívida em circulação.
A dívida total da Starbucks somava US$ 13,28 bilhões ao fim do terceiro trimestre fiscal, queda de 17,4% em relação ao início do ano fiscal, em setembro de 2025. Descontado o caixa disponível, de US$ 3,45 bilhões, a dívida líquida (calculada) ficou em US$ 9,83 bilhões, 23,5% menor que a do início do ano fiscal.
O conselho da Starbucks declarou dividendo de US$ 0,62 por ação, a ser pago em 28 de agosto de 2026 aos acionistas que detinham papéis em 14 de agosto. Segundo a companhia, este é o 65º trimestre consecutivo de pagamento de dividendos, com crescimento médio anual de 17% no período.
Nos nove meses encerrados em 28 de junho de 2026, o lucro líquido da Starbucks somou US$ 1,85 bilhão, alta de 7,3% sobre o mesmo período do ano anterior. A receita líquida acumulada no período foi de US$ 28,77 bilhões, avanço de 4,2% em um ano.
O que diz a Starbucks
O plano de recuperação da empresa, batizado de "Back to Starbucks", é apontado pela empresa como o principal motor da melhora nos resultados. "Nosso plano Back to Starbucks foi construído com a crença de que um café extraordinário, conexão humana e experiência do cliente vencem todos os dias, sempre. Nossos resultados do terceiro trimestre são a prova disso", diz Brian Niccol, presidente do conselho e CEO da Starbucks. "Ainda temos trabalho a fazer, mas estamos incansavelmente focados em recuperar o papel de terceiro lugar e em nos tornarmos a empresa com o melhor atendimento ao cliente do mundo", completa.
A diretora financeira da empresa disse que os números mostram consistência tanto na receita quanto no lucro. "Nossos resultados do terceiro trimestre refletem a crescente durabilidade do nosso desempenho, tanto na receita quanto no lucro, o que nos dá confiança na trajetória do nosso negócio", afirma Cathy Smith, diretora financeira da Starbucks. Segundo ela, a empresa mantém o foco em executar o plano com disciplina para gerar "conexão, comunidade e valor de longo prazo para clientes, parceiros e acionistas".