Por quanto tempo daria para morar na Lua? Estudo fez a conta exata

17 de Set de 2026 - 15:30
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Por quanto tempo daria para morar na Lua? Estudo fez a conta exata

Embora bilionários e agências espaciais planejem casas, hotéis e até cidades na Lua, a sobrevivência fora da Terra enfrenta um obstáculo físico crucial. Ao colocarem as reservas de água e as necessidades humanas na ponta do lápis, astrônomos chegaram a um limite exato de tempo para a manutenção de uma grande colônia lunar.

O que aconteceu

A resposta: 100 anos. A equação dos cientistas revelou que uma cidade de 1 milhão de habitantes consumiria absolutamente toda a água disponível na Lua em cerca de um século. Mesmo operando em um cenário ideal e altamente tecnológico, a reserva não duraria mais do que esse período.

O estudo foi . Os cálculos foram elaborados pelos astrofísicos Martin Elvis, do Centro de Astrofísica Harvard & Smithsonian, e Jonathan McDowell, da Universidade de Durham.

A pesquisa aponta que a grande barreira para erguer cidades lunares é justamente a quantidade finita de água potável para manter a população viva. Em relação à geração de energia, ela poderia ser suprida por painéis solares ou reatores, de acordo com o estudo.

Se os planos ambiciosos dos bilionários do setor espacial forem concretizados, encontrar mais água será o primeiro passo Dr. Martin Elvis, autor do estudo

Os pesquisadores consideraram como base um volume generoso de 1 bilhão de toneladas de água congelada. Esse recurso está acumulado no fundo de crateras polares que nunca recebem a luz do Sol, conhecidas como "armadilhas frias".

Grande parte do consumo não vai para o corpo das pessoas. Produzir alimentos em estufas lunares exige imensas quantidades de água: irrigar a lavoura para alimentar um adulto consome de 6 a 15 vezes mais água por ano do que o seu uso pessoal direto.

O cenário drástico sem reciclagem: se a colônia tentasse viver sem reaproveitar seus recursos, a reserva secaria em ritmo alarmante. Mantendo o consumo diário sem reuso, 1 milhão de pessoas esgotariam todo o gelo dos polos em apenas 2,4 anos.

Ao aplicar o sistema de reciclagem da Estação Espacial Internacional, que recupera 98% da água, a situação melhora, mas ainda é insuficiente. Nesse caso, ainda restam 2% de perda inevitável, e é justamente esse pequeno desperdício contínuo que faz a reserva zerar ao fim de 100 anos.

Para que um assentamento dure por volta de 1.000 anos, a população precisaria ser reduzida para 100 mil habitantes. Já uma base menor, com cerca de 1.000 pessoas, como a estação científica McMurdo na Antártida, usaria a água sem o risco de esgotá-la.

O que seria preciso para mudar a conta? Para tornar cidades maiores viáveis no futuro, a humanidade precisaria encontrar aquíferos subterrâneos ainda desconhecidos no subsolo lunar, além de otimizar drasticamente a produção agrícola ou passar a importar água de asteroides próximos.