Para crescer, rede de idiomas foca em professores de cidades do interior
A Rockfeller Language Center, uma rede de escolas de inglês, tem meta de abrir 30 unidades neste ano, com foco em microfranquias em cidades do interior. O modelo smart, que é direcionado a professores de idiomas, tem investimento inicial de R$ 135 mil.
A empresa foi fundada em 2004, em São José (SC). Hoje, tem 102 unidades em operação —apenas uma é própria. A sede fica em Balneário Camboriú (SC).
A marca tem dois modelos de negócio. O tradicional são escolas com 200 metros quadrados, em média, e investimento inicial de R$ 295 mil a R$ 565 mil. O modelo de microfranquia é o smart, que é mais enxuto (em torno de 80m²), com investimento de R$ 135 mil. Este modelo, que é o fo é voltado para professores de idiomas.
A meta é abrir 30 unidades em 2026, de qualquer modelo. Mas o foco é o modelo smart. "Nosso foco é na interiorização da rede. A estratégia busca ampliar o acesso ao ensino de idiomas em cidades médias e pequenas, de até 80 mil habitantes, onde há demanda crescente por qualificação profissional, mas menor oferta de escolas especializadas. Além disso, cidades do interior costumam apresentar custos operacionais mais baixos e maior potencial de fidelização dos alunos", afirma André Belz, CEO da Rockfeller Language Center.
Professor de idioma é um público prioritário no modelo smart. "Mas não é obrigatório ter experiência prévia como professor", afirma Belz. O franqueado é responsável pela gestão da unidade, captação de alunos e administração da escola. "A franqueadora oferece suporte completo, incluindo metodologia de ensino, treinamento, tecnologia educacional e apoio em marketing e gestão."
A marca é especializada no ensino de inglês. Em 2025, a empresa faturou R$ 85 milhões. O lucro não é divulgado.
IA ajuda na aprendizagem
A metodologia usa Inteligência Artificial no ensino. Belz diz que a rede usa IA como um recurso pedagógico para personalizar o ensino e potencializar o aprendizado dos alunos. Segundo ele, a tecnologia analisa desempenho, identifica dificuldades e sugere trilhas de estudo e reforços específicos, apoiando o trabalho dos professores. No aplicativo da marca, a IA analisa a pronúncia do aluno, conversa com ele e corrige seus erros gramaticais, por exemplo.
A IA não substitui o educador, mas amplia sua atuação, tornando o processo de ensino e aprendizagem mais eficiente, dinâmico e alinhado ao ritmo e aos objetivos de cada aluno
André Belz, CEO da Rockfeller Language Center
Sala de aula invertida também faz parte da metodologia. Segundo Belz, o aluno é orientado a se preparar em casa antes da aula. "Assim, ele chega e consegue dominar melhor o conteúdo proposto. Todas as nossas dinâmicas são voltadas para a conversação, e os alunos são dispostos em círculo para que consigam conversar olhando diretamente para o outro, simulando situações cotidianas da vida", declara. As turmas têm oito alunos, no máximo.
Outro sucesso são as turmas online. "Elas são exatamente uma sala de aula, com professores ao vivo. É um ganho grande para os franqueados, que podem ter alunos de qualquer lugar do país e até do exterior. Esse formato não tem barreiras geográficas", diz Belz. Atualmente, a rede tem 20 mil alunos em toda a rede e cerca de 2.000 alunos neste formato. O ticket médio é R$ 350.
O cliente está preparado?
IA pode ser barreira no interior do país. "Para muita gente, é comum a familiaridade com a inteligência artificial. Mas tem grande parte do Brasil que não sabe o que é isso. Para aprender um idioma com metodologia baseada em IA, o aluno precisa ter um smartphone e acesso a internet. Portanto, não é impeditivo a empresa ter meta de abrir franquias no interior, mas, pela localização dessas futuras franquias, talvez exista uma barreira em relação a isso", diz Eduardo Flud, analista de negócios do Sebrae-SP.
É preciso entender o cliente para atendê-lo. Flud diz que, antes de tudo, uma empresa tem que conhecer o seu público para melhor atendê-lo. "O erro do empreendedor é achar que o produto ou serviço dele é o melhor e mais bonito, mas quem tem que gostar é o consumidor. Na teoria, ensinar idiomas em cidades pequenas contando com a ajuda da IA pode ser lindo e maravilhoso, mas funciona na prática?", declara.
O professor deve estar preparado para a gestão do negócio. Para Flud, um professor de idioma pode ser especialista no que faz, mas não entende, necessariamente, de gestão de negócio. "Estar à frente de uma franquia exige estar preparado para a gestão da empresa, fazer planejamento, traçar metas, ter controle financeiro. A franqueadora tem que dar todo suporte ou franqueado. Muitas vezes, em algumas franquias, o problema é a falta desse suporte", declara.
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