'Não votarei nele', diz Pedro Parente após jantar com Flávio Bolsonaro

3 de Out de 2026 - 22:45
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'Não votarei nele', diz Pedro Parente após jantar com Flávio Bolsonaro

O executivo Pedro Parente disse que saiu de um encontro com o candidato Flávio Bolsonaro (PL) com "opinião pior" do que tinha quando entrou. "Não votarei nele", disse em texto publicado hoje no Linkedin. A carta é uma , fundador da revista piauí e membro da família sócia do Itaú. Parente foi ministro no governo FHC, presidente da Petrobras e presidente da BRF. Hoje é conselheiro de empresas.

O que aconteceu

Parente diz que aceitou convite para um jantar em agosto para ouvir de perto alguém que poderia disputar o Planalto. "Fui convidado ao jantar de 27 de agosto e aceitei", escreveu, ao explicar que a mesa reunia cerca de quinze pessoas. O jantar em questão reuniu um grupo de empresários com o candidato à presidência da República Flávio Bolsonaro (PL).

Na carta, Parente afirma que a conversa foi apresentada como um encontro sem vínculo com a campanha. "A conversa começou com a declaração explícita de que aquilo não era apoio nem pedido de ajuda para a campanha", diz.

Após o encontro, o executivo diz que mudou para pior a avaliação que tinha sobre o presidenciável. "Entrei com uma opinião e saí com uma opinião pior. Não votarei nele", afirmou.

O executivo também sustenta que não tentou esconder a participação no jantar. "Havia imprensa na entrada e na saída, e a lista dos presentes foi publicada", disse. "Não tenho nada a esconder", completou.

O artigo de João Moreira Salles

Parente diz ter estranhado ser citado em texto de João Moreira Salles sem ter sido procurado. "Tenho grande respeito por João Moreira Salles e pelo que ele fez pela imprensa livre e independente no Brasil. (...) Por isso estranhei ver meu nome em "O que esses brasileiros sabem" sem que ninguém da revista me tivesse procurado", escreveu Parente.

Ele afirma que o ensaio tirou conclusões sobre suas posições a partir da presença no encontro. "O ensaio deduz da minha presença o que sei, o que aceito e como me comportaria em horas graves", disse.

Parente diz ainda que é crítico da polarização. Para exemplificar sua posição, o executivo cita um artigo publicado por ele em junho, em que diz que "a maior adversária de um projeto nacional é a polarização" e defende que "há espaço para um candidato de conciliação". "Bastava ler. Ou perguntar", conclui o executivo.

O artigo de João Moreira Salles critica parte da elite econômica do país. No texto, publicado no site da revista piauí na quinta-feira (1o), o empresário diz que parte da elite econômica brasileira está disposta a relativizar os riscos à democracia para se aproximar da candidatura de Flávio Bolsonaro. O texto cita nominalmente empresários e altos executivos, dentre eles Pedro Parente.

Veja a íntegra do texto publicado por Pedro Parente

Envio abaixo minha resposta ao ensaio de João Moreira Salles publicado em 1º de outubro, na Revista Piauí, no qual sou citado nominalmente sem ter sido procurado.

À Revista Piauí

Tenho grande respeito por João Moreira Salles e pelo que ele fez pela imprensa livre e independente no Brasil. A Piauí é a melhor prova disso: suas reportagens são apuradas com um cuidado raro. Por isso estranhei ver meu nome em "O que esses brasileiros sabem" sem que ninguém da revista me tivesse procurado.

Não tenho nada a esconder. Fui convidado ao jantar de 27 de agosto e aceitei. Havia imprensa na entrada e na saída, e a lista dos presentes foi publicada. Aceitei de caso pensado. Como brasileiro preocupado com o futuro do país, eu tinha ali a oportunidade rara de ouvir de perto, numa mesa de cerca de quinze pessoas, alguém que pode vir a ser eleito presidente da República. A conversa começou com a declaração explícita de que aquilo não era apoio nem pedido de ajuda para a campanha.

Entrei com uma opinião e saí com uma opinião pior. Não votarei nele.

O ensaio deduz da minha presença o que sei, o que aceito e como me comportaria em horas graves. Minhas posições são públicas e estão expressas na coluna que assino a cada quatro semanas no Globo. Em junho, em "País sem projeto, candidatos sem rumo", escrevi que a maior adversária de um projeto nacional é a polarização e que há espaço para um candidato de conciliação. Bastava ler. Ou perguntar.