Não faz nem Pix: como funciona a nova aposta para combater roubo de celular
(Toda semana, e conversam sobre tecnologia no podcast. O programa vai ao ar às terças-feiras no, no, no e no. Nesta semana: ; ; ; )
O governo federal lançou mão de uma nova aposta para conter a "epidemia" de celular roubado no Brasil. No novo episódio de , o podcast do para os humanos por trás das máquinas, Diogo Cortiz e Helton Simões Gomes explicam como a estratégia agora é tornar impossível o uso de smartphones roubados para diminuir a atratividade desses aparelhos.
A subtração de celulares virou não só um problema de segurança pública, mas também um dos maiores medos do brasileiro.
A cada cinco celulares vendidos, outros dois são roubados no Brasil
Helton Simões Gomes
Dados de pesquisa feita pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública e pelo Datafolha mostra que a quantidade de brasileiros com receio de ter o celular furtado ou roubado (78,8%) é bem próxima daqueles que temem ser mortos durante um assalto (80,7%).
Essa sensação de medo de ter o celular roubado é tão presente que está presente em 131 milhões de brasileiros. E essa não é uma preocupação abstrata. Os pesquisadores detectaram que 8,3% da população brasileira teve o celular roubado ou extraviado nos 12 meses anteriores a essa pesquisa. E isso dá um total de 14 milhões de pessoas.
Helton Simões Gomes
Por outro lado, foram vendidos 36,8 milhões de celulares no Brasil, indicam dados da consultoria IDC.
Para conter o avanço, o governo federal repaginou o Celular Seguro. Lançado em 2023, o programa ganha agora status de política pública e passa a envolver outras pastas além do Ministério da Justiça, como Comunicação, Fazenda e Gestão, Inovação e Serviços Públicos.
Antes, assim que você era roubado, comunicava o IMEI às autoridades, o celular era bloqueado. Só que muita gente não via a efetividade desse programa. Agora o celular vai sendo inutilizado aos poucos. Fora o Pix, ele não vai conseguir acessar o gov.br, as redes sociais, e em breve esse celular não vai poder ser colocado à venda nos marketplaces.
Helton Simões Gomes
O plano passa pela criação do Banco Nacional de Celulares Roubados, que registrará o IMEI (o identificador internacional do aparelho) de aparelhos declarados como roubados em boletins de ocorrência, às operadoras de telefonia ou a bancos. O objetivo é que o consumidor, antes de comprar smartphones usados, também consulte o banco para evitar dores de cabeça.
O pulo do gato aqui é que as polícias também vão ter acesso ao banco, mas com informações um pouquinho mais qualificadas. A polícia vai saber as informações de quem reativou esse celular com o IMEI roubado e colocou ele de novo na rede telefônica. Vai saber o CPF, vai saber o número de celular novo que está sendo usado. No fim das contas, o que a polícia vai conseguir saber quem tem e quem está usando celular roubado por aí.
Helton Simões Gomes
Chico Lucas, secretário nacional de Justiça, pasta ligada ao MJ responsável pelo Celular Seguro, detalhou os estágios a Deu Tilt. Na primeira fase, o governo pretende avisar quem está com um aparelho com restrição, inclusive quem comprou sem saber. O aviso deve chegar por WhatsApp a partir da conta do no aplicativo. Vai orientar a pessoa a procurar uma delegacia e devolver o celular.
Depois, o bloqueio das funcionalidades ocorrerá em ondas, seguindo a ordem: primeiro, impedirá o acesso ao gov.br, depois bloqueará transações com Pix via convênio com bancos, e, em seguida, cortará o acesso a redes sociais. Também há discussões para impedir a venda em marketplaces, que teriam de checar se os IMEs dos aparelhos ofertados por lojas estão no banco nacional de celulares roubados.
Para Diogo Cortiz, a política pública esbarra em um obstáculo: a cadeia do roubo é internacional.
Eu gostei muito dessa política pública, acho que para o Brasil faz total sentido. Mas é preciso entender que a gente está conectado ao mundo, e aí essa política pública, por ser local, pode ter algumas ineficiências. Em Londres, descobriram que os celulares estavam indo para outros lugares onde você não tem essa cooperação de troca de informação sobre roubos de celular, como Hong Kong e China. E aí eles acabam sendo usados muito para a fazenda de cliques.
Diogo Cortiz
Mac, iPad, Xbox e em breve iPhone: IA já faz você pagar mais por celular
De tablets e notebooks a videogames e, em breve, celulares. A inteligência artificial já pressiona o preço dos eletrônicos do dia a dia. Deu Tilt explica por que o impacto no bolso não vem só das funções com IA cada vez mais presentes nesses aparelhos, mas, sim, de uma disputa por chips.
O gargalo está na memória, um semicondutor que virou peça-chave para treinar e rodar modelos de IA em data centers. Com fabricantes priorizando essas instalações, sobra menos componente para smartphones, PCs, tablets e consoles, e o custo sobe.
O que acontece é que está tendo um novo redesenho do mundo da tecnologia impulsionado pela iA. Esses equipamentos eletrônicos dependem de semicondutores e processadores. E tem um semicondutor muito importante, a memória, que está passando por um aumento muito grande de demanda, porque a galera está na vida louca de inteligência artificial, fazendo data center a rodo. A gente fala muito de GPUs, mas outro semicondutor importante é a memória. Esses grandes modelos demandam cada vez mais um tipo específico e mais rápido de memória. As grandes empresas de memória fizeram um shift na produção e passaram a dedicar esforço maior para produzir esses chips para IA. Aí entra a lei do mercado: oferta e demanda. Se você tem menos oferta e a demanda se mantém ou aumenta, os preços sobem.
Diogo Cortiz
'Caçador de sinal pirata' do Brasil vira esperança em terremoto venezuelano
A Venezuela foi atingida por terremotos devastadores, que chegaram a marcar 7,5 na escala Richter e deixaram mais de 4.500 mortos. No novo episódio de, Diogo Cortiz e Helton Simões Gomes contam como o Brasil enviou tecnologia para ajudar nas buscas.
Além de equipes especializadas, a missão, conduzida pelos ministérios das Comunicações, das Relações Exteriores e Anatel, levou equipamentos que têm ganhado uso diferente do tradicional: se, no dia a dia, servem para achar interferências em radiofrequência, esses 'caçadores de sinal pirata' foram usados para localizar celulares sob escombros.
O que eles mandaram pra lá foram quatro servidores munidos de analisadores de espectro e antenas direcionais de alta sensibilidade. Esse tipo de equipamento naturalmente é usado pela Anatel pra encontrar interferências dentro da radiofrequência usada para coisas específicas. Só que, ao ser mandado para a Venezuela, ele vai em busca de um emissor de radiofrequência que todo mundo tem no próprio bolso, que é o celular. O propósito desses servidores é usar essa antena com ultra sensibilidade para detectar se algum celular está tentando se conectar a uma antena, uma estação de rádio base. A partir daí, eles conseguem detectar a intensidade do sinal, fazer uma triangulação e avisar se tem alguém esperando para ser resgatado ali ou se tem algum corpo que, infelizmente, tem que ser resgatado debaixo daqueles escombros.
Helton Simões Gomes
Tesla invade casa: acidentes contrapõem EUA e China em carros autônomos
Um Tesla Model 3 invadiu uma casa em alta velocidade no Texas e matou uma mulher de 76 anos que estava dentro da própria sala. Diogo Cortiz e Helton Simões Gomes analisam o que o caso revela sobre a maturidade dos carros autônomos e a corrida entre EUA e China.
O motorista disse que o veículo estava no piloto automático, e as autoridades ainda coletam dados para entender se houve falha do sistema autônomo ou erro humano na direção. O episódio também reacende a comparação entre a estratégia da Tesla e a de rivais como a Waymo, da Alphabet.
Foi inacreditável, porque você deve estar imaginando: a pessoa estava atravessando a rua e foi atropelada ou então estava dentro do carro, o carro bateu e ela faleceu. Não, a pessoa estava dentro da sua residência. Imagina você estar dentro da sua casa e um carro autônomo invadir a sua casa e te atropelar. O motorista falou que o carro naquele momento estava no piloto automático.
Diogo Cortiz
DEU TILT
Toda semana, e conversam sobre as tecnologias que movimentam os humanos por trás das máquinas. O programa é publicado às terças-feiras no e nas. Assista ao episódio da semana completo.