MP investiga terceirização de segurança sem contrato no Corinthians
O Ministério Público de São Paulo instaurou um procedimento investigatório criminal para apurar a contratação, pelo Corinthians, de uma empresa de segurança sem contrato formal e sem as autorizações exigidas. O UOL teve acesso à portaria assinada nesta terça-feira pelo promotor Cassio Roberto Conserino.
A investigação aponta possíveis crimes como furto de valores, falsidade ideológica e infrações tributárias. A Promotoria também não descarta incluir outros envolvidos conforme o avanço das diligências.
O documento aponta indícios de irregularidades na contratação da Mega Assessoria Operacional Ltda., empresa de Fernando José da Silva, atual gerente operacional do CT Dr. Joaquim Grava — à época da contratação ele atuava como gerente operacional do clube social.
Além de Fernando, a investigação também mira o diretor administrativo Fabio Soares. Ambos foram convocados para prestar depoimento ao Ministério Público no próximo dia 26 de maio, por videoconferência.
Notas fiscais e pagamentos
O Corinthians utilizou os serviços da Mega Assessoria Operacional entre setembro e outubro de 2025 para realizar a segurança do Parque São Jorge sem contrato formal e com base em orientações verbais. A contratação da empresa foi revelada inicialmente pelo site Sport Insider.
O UOL teve acesso a documentos internos do Corinthians que confirmam o pagamento de duas notas fiscais à empresa. Os registros indicam compensações de R$ 244.627,66, em 11 de setembro de 2025, e de R$ 208.350,00, em 23 de setembro do mesmo ano.
Os valores coincidem com as informações publicadas pelo Sport Insider, que apontou desembolsos totais de R$ 676 mil à empresa entre setembro e outubro de 2025. A terceira nota, no valor de R$ 223.650,00, não consta no material analisado diretamente pela reportagem.
Ainda assim, o procedimento investigatório ao qual o UOL teve acesso menciona três notas fiscais sequenciais — números 1, 2 e 3 — que somam R$ 676.627,66. Para o Ministério Público, o padrão pode indicar inconsistências na prestação dos serviços e levanta dúvidas sobre a efetiva atividade da empresa.
Outros indícios apontados pelo MP
A portaria afirma que, em tese, a empresa prestou serviços de vigilância armada sem autorização da Polícia Federal e sem contrato firmado com o clube. O documento também cita ausência de ordem de serviço formal, comprovação da execução dos trabalhos e capacidade técnica compatível com a atividade.
Segundo o Ministério Público, o endereço registrado pela empresa corresponde a uma residência sem identificação operacional compatível com a prestação de serviços de segurança. A Promotoria ainda relaciona o caso a práticas investigadas anteriormente no clube envolvendo empresas usadas para emissão de notas fiscais consideradas irregulares.
O documento também aponta relatos de que Fernando José da Silva teria sido orientado a abrir a empresa para viabilizar os pagamentos. A portaria menciona ainda a participação de integrantes da diretoria administrativa na autorização dos repasses.
Ao Sport Insider, Fernando José da Silva afirmou inicialmente que criou a empresa a pedido do diretor administrativo Fabio Soares. Posteriormente, porém, apresentou uma nova versão e disse ter agido a pedido do presidente Osmar Stabile.
O Corinthians sustenta que a contratação ocorreu em caráter emergencial após a invasão à sede social, em 31 de maio de 2025. O clube afirma ainda que os pagamentos correspondiam a serviços efetivamente prestados e que o modelo foi encerrado após a abertura de uma nova concorrência para contratação da empresa responsável pela segurança.
O Ministério Público determinou a coleta de documentos junto ao Corinthians, incluindo comprovação da execução dos serviços, identificação dos responsáveis pela contratação e detalhamento do fluxo de pagamentos.
A Promotoria também marcou os depoimentos de Fernando José da Silva e de Fabio Soares Souza para o dia 26 de maio de 2026. As oitivas ocorrerão por videoconferência, com possibilidade de manifestação por meio de defesa constituída.
O procedimento investigatório criminal segue em fase inicial e busca esclarecer as circunstâncias da contratação e da execução dos serviços prestados.