Milly: 'Balogun liberado é escândalo, Bélgica não deveria estar surpresa'

5 de Jul de 2026 - 17:15
 0  1
Milly: 'Balogun liberado é escândalo, Bélgica não deveria estar surpresa'

A liberação do atacante Balogun, dos Estados Unidos, após a suspensão do cartão vermelho, foi tratada como "um escândalo" por Milly Lacombe no Fim de Papo, do Canal UOL.

O tema entrou no debate sobre a Copa do Mundo 2026, com os comentaristas discutindo o impacto da decisão na credibilidade da competição e a reação da Bélgica, que estuda medidas depois da reversão.

"Podemos dizer que é um escândalo. Eu vou concluir dizendo assim: a Bélgica não deveria estar surpresa. Ninguém deveria estar surpreso. Essa Copa está sendo jogada dentro de um país entregue a práticas de uma ditadura. É isso que acontece. A gente esquece por que a gente gosta da Copa, a gente se empolga, mas a gente não pode perder isso de vista. Donald Trump tem ações e práticas de um ditador. O que ele faz se chama fascismo. Os Estados Unidos hoje estão entregues ao fascismo. A surpresa não é que tenha acontecido, a surpresa para mim é que tenha demorado para acontecer."
Milly Lacombe

Antes, Eudes Júnior contextualizou que o cartão vermelho aplicado em campo a Balogun foi suspenso e que a Bélgica "se diz surpresa" com a decisão. Ele também citou que o caso teve repercussão na imprensa dos EUA e chegou a ser tratado como "presente" para o time anfitrião.

Ao comentar o episódio, Ana Paula Oliveira disse concordar com Milly e apontou que a decisão ultrapassou a discussão técnica da arbitragem. Para ela, o movimento "desautoriza o árbitro" e expõe um conflito entre avaliação técnica e decisão administrativa.

"Eu concordo com a Milly, é um escândalo. [...] Lamentavelmente, aí já é uma outra seara, não é a seara da arbitragem, estamos falando de uma seara política e administrativa. [...] Lamentavelmente a política superou a técnica. Porque eles reconhecem que o cartão vermelho foi bem aplicado, porém suspende a automática que o jogador deveria cumprir no próximo jogo."
Ana Paula Oliveira

A ex-árbitra também avaliou que o impacto vai além do jogo seguinte e atinge o ambiente de trabalho da arbitragem na competição. Na leitura dela, a instabilidade "é absurda" e deve exigir escalas com árbitros mais experientes para reduzir o peso da pressão externa.

"Horrível, é uma situação de insegurança. [...] A instabilidade é absurda. A insegurança também. [...] Vai precisar trabalhar com os famosos árbitros cascudos, que não se impactam por essas questões políticas, para retomar a credibilidade da arbitragem na competição."
Ana Paula Oliveira

No mesmo raciocínio, Ana Paula disse ver um dano maior para a imagem da Fifa durante o Mundial. Ela afirmou que a entidade já vinha sofrendo desgaste e que a reversão do caso Balogun amplia a percepção de perda de credibilidade.

"A Fifa já tem perdido muito na sua credibilidade. Eu acho que tem sido essa Copa do Mundo nos Estados Unidos uma mancha muito grande para a Fifa. [...] Eu estou vendo ruir nesta Copa do Mundo depois dessa tomada de decisão absurda."
Ana Paula Oliveira