Medo de IA no Brasil é maior do que média mundial; veja últimas pesquisas
O medo da inteligência artificial é mais alto no Brasil do que na média mundial, e os números mais recentes sugerem que a desconfiança está crescendo. Ao mesmo tempo, outras pesquisas mostram que a IA já virou rotina para crianças e adolescentes em alguns países - e que até temas invisíveis, como data centers, estão virando alvo de rejeição popular.
Pesquisa Pew (Brasil x mundo): preocupação supera entusiasmo
*No Brasil, 52% dizem estar mais preocupados do que animados com o aumento do uso de IA no dia a dia, segundo pesquisa do Pew Research Center.
*O número brasileiro fica acima da mediana global (37%) entre os 36 países pesquisados.
*Outros 33% no Brasil dizem sentir preocupação e entusiasmo na mesma medida, enquanto 8% afirmam estar mais animados do que preocupados.
*Na comparação por grupos de renda, o Brasil também aparece acima das medianas: 40% nos países de alta renda e 31% nos de renda média.
*Quando mais da metade do país olha para a IA com o pé atrás, a tecnologia vira tema de confiança pública - como banco, vacina ou segurança. Isso tende a pressionar empresas e governo a explicarem melhor onde a IA entra na vida real (e com quais limites), porque "IA em todo lugar" sem transparência costuma soar como caixa-preta.
Pew (Brasil): o medo aumentou em um ano - inclusive entre jovens
*Em 2025, 48% dos brasileiros diziam estar mais preocupados do que entusiasmados com a IA; agora são 52% (alta de 4 pontos percentuais em cerca de um ano).
*O Pew também aponta aumento do receio entre brasileiros de 18 a 34 anos no último ano.
*Mesmo assim, pessoas mais jovens ainda tendem, globalmente, a misturar preocupação e entusiasmo com mais frequência do que os mais velhos.
*O dado mais chamativo aqui é o medo subindo até entre quem costuma adotar novidade primeiro. Isso sugere que a ansiedade não vem só de desconhecimento: pode estar ligada a experiências concretas (como golpes, desinformação, mudanças no trabalho e na escola). Em outras palavras, não basta "ensinar o que é IA"; vai ser preciso mostrar como ela é usada, por quem, e o que acontece quando dá errado.
China: IA já entrou na rotina de quase 80% dos menores online
*A China chegou a 198 milhões de menores de idade usuários da internet, com taxa de penetração de 98,3%.
*Entre esses menores, 78,5% dizem já ter usado ferramentas de IA para estudar, criar conteúdo ou se divertir, segundo dados apresentados em um fórum de segurança cibernética.
*O levantamento aponta que a maioria ainda não consegue identificar conteúdo gerado por IA, reconhecer vieses algorítmicos ou entender limites éticos do uso dessas ferramentas.
*Entre professores ouvidos, 83% dizem temer riscos ligados ao uso inadequado de IA por alunos.
*Esse retrato ajuda a entender por que educação midiática vira urgente: é como colocar um carro potente na mão de quem ainda não aprendeu a ler placa de trânsito. Quando crianças e adolescentes usam IA para tudo - tarefa, vídeo, meme - o desafio não é proibir, e sim criar repertório para reconhecer manipulação, erro e viés antes que isso vire hábito.
EUA (NYT/Siena): data centers de IA viram alvo de rejeição
*Uma pesquisa do The New York Times com a Siena University aponta que 61% dos eleitores se opõem à construção de grandes data centers (complexos de computadores) que alimentam sistemas de IA.
*Entre democratas, a oposição chega a 75%; entre republicanos, 47%.
*Entre os mais jovens (abaixo de 30 anos), quase 80% se dizem contra a construção desses data centers.
*Entre os motivos citados por quem é contra, preocupações ambientais aparecem com destaque; republicanos tendem mais a citar desconfiança geral em relação à IA.
*Data center parece coisa distante, mas é a fábrica da IA - e fábrica mexe com água, energia e vizinhança. Quando a população rejeita a infraestrutura, a discussão muda de qual app é melhor para quem paga a conta (ambiental e social) do avanço tecnológico. Isso tende a empurrar governos e empresas para mais transparência sobre impacto local e para promessas verificáveis de mitigação.
Pew (EUA): a política muda o termômetro do medo
*Nos EUA, o Pew analisou como democratas e republicanos se sentem sobre o uso crescente de IA no dia a dia e o impacto no emprego.
*O instituto aponta que democratas passaram a se dizer mais preocupados do que republicanos em relação à IA e seus efeitos sobre trabalho.
*A pesquisa usa séries históricas (2021 a 2026) para comparar preocupação e entusiasmo por partido, além de projeções sobre empregos (2024 e 2026).
*Quando a IA vira tema de time político, o debate tende a ficar menos sobre evidência e mais sobre identidade - e isso contamina regulação, investimento e até o que as pessoas aceitam usar no dia a dia. Para o Brasil, a lição é simples: se a conversa sobre IA virar só briga ideológica, a chance de sair regra ruim (ou regra nenhuma) aumenta.
Reportagem
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