Júri nos EUA responsabiliza Meta por caso envolvendo a Cambridge Analytica
Um júri do Novo México, nos Estados Unidos, concluiu hoje que a Meta enganou os usuários do estado sobre as proteções oferecidas à privacidade, em um processo relacionado ao escândalo da Cambridge Analytica, segundo a imprensa americana.
A Cambridge Analytica era uma consultoria política que obteve indevidamente dados pessoais de milhões de usuários do Facebook, plataforma que pertence à Meta, para direcionar publicidade política durante as eleições americanas de 2016 e o referendo do Brexit.
A empresa comprou dados coletados por meio de um aplicativo de testes de personalidade chamado "thisisyourdigitallife". O aplicativo chegou a ter 270 mil usuários e também coletava informações dos amigos dessas pessoas, alcançando cerca de 87 milhões de usuários do Facebook em todo o mundo.
O Facebook soube em dezembro de 2015 que a Cambridge Analytica havia comprado os dados, mas só revelou a informação em abril de 2018, depois que um usuário apresentou uma ação judicial. A revelação desencadeou um grande escândalo político.
O Novo México é o único estado americano que levou o caso aos tribunais.
Após duas semanas de depoimentos, um tribunal de Santa Fé concluiu que a empresa enganou os usuários sobre a forma como compartilhava seus dados com outros aplicativos.
Os jurados de Santa Fé consideraram que cada um dos 2,1 milhões de habitantes do estado foi enganado, o que representa o mesmo número de violações da legislação local de proteção ao consumidor.
Agora caberá ao juiz fixar a multa, que pode chegar a 5.000 dólares (cerca de R$ 25.900) por infração. O valor máximo teórico alcançaria 10,5 bilhões de dólares (cerca de R$ 54,4 bilhões).