Jovens deputados da “tropa de choque” de Lula admitem dificuldades nesta reta final

8 de Out de 2026 - 15:45
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Jovens deputados da “tropa de choque” de Lula admitem dificuldades nesta reta final

Jovens deputados federais eleitos pela esquerda que passaram a integrar a estratégia do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para o segundo turno da eleição admitem dificuldades para reverter a vantagem do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O petista terminou o primeiro turno atrás do parlamentar com uma diferença de pouco mais de dois milhões de votos.

A campanha de Lula passou a ser fortemente criticada principalmente por aliadospor não ter adotado uma linguagem mais jovial, fluída e digital ao longo do primeiro turno. Agora, tenta reverter a situação com o auxílio dos novos eleitos, principalmente aqueles que adotam uma postura de influenciadores digitais.

Entre os nomes convocados está Ana Elisa (PT-MG), 21 anos, eleita com 524. mil votos para representar Minas Gerais na Câmara dos Deputados. De acordo com ela, as redes sociais foram o único lugar que Lula perdeu e que precisa repensar as estratégias.

“Ficou provado para todos aqueles que achavam que rede social não elegia, que rede social elege, e o recado do cansaço, não das pessoas mais velhas, mas do jeito velho de fazer política. [...] Nós conversamos com a equipe de comunicação do presidente Lula, que levou adiante tudo o que eu e minha equipe passamos”, disse em entrevista à GloboNews nesta quinta-feira (8).

Pedro Rousseff (PT-MG), outro jovem eleito que participou das conversas com Lula, também defende uma mudança na estratégia. Ele afirmou que a campanha precisa discutir preços dos alimentos e da gasolina, segurança pública e outros temas de interesse direto do eleitor.

“É preciso mudar o modo como se comunica, mas, principalmente, o que nós estamos comunicando”, declarou à revista Veja.

Um dos nomes que mais ganharam espaço na campanha, o paulista Guilherme Cortez (PSOL-SP), eleito deputado federal com cerca de 275 mil votos, reconheceu que a direita avançou antes da esquerda na comunicação com os jovens.

“A direita tem acertado na forma, por qual meio, que é a rede social, principalmente, e no conteúdo”, afirmou à rádio CBN ressaltando que se a esquerda não ocupar esse espaço, “a gente vai perder essa disputa”. Apesar do alerta, Cortez declarou ter “plena convicção de que o Lula não vai perder para um Bolsonaro pior”.

No Distrito Federal, Fábio Félix (PSOL) defendeu uma reação imediata e afirmou que os parlamentares poderiam contribuir “organizando a juventude e fazendo, também, uma intervenção bem qualificada nas redes sociais”, em entrevista ao site Metrópoles. O deputado também anunciou a intenção de percorrer cidades do DF para apresentar sua avaliação sobre Flávio Bolsonaro.

Luna Zarattini (PT-SP), de 32 anos, também passou a integrar a mobilização e defendeu, em entrevista à AFP, uma “mobilização permanente” e afirmou ser necessário “fazer a juventude sonhar”.

A pressão por mudanças aumentou depois de o próprio presidente Lula reconhecer problemas na campanha. O petista afirmou ter feito uma campanha “aquém da minha possibilidade” e classificou a disputa como “a campanha menos organizada que participei desde 1989”. Depois disso, passou a publicar vídeos em formato “selfie”, estratégia defendida pelos jovens parlamentares.