Carol de Toni, do PL, sagra-se fenômeno eleitoral

8 de Out de 2026 - 13:30
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Carol de Toni, do PL, sagra-se fenômeno eleitoral

No cenário político de Santa Catarina, um dos bastiões do conservadorismo político brasileiro, poucas figuras simbolizam esse posicionamento tão bem quanto Caroline Rodrigues de Toni (PL). A advogada de 40 anos, natural de Chapecó, no oeste do estado, consolidou uma trajetória fulgurante que culminou na conquista de uma vaga no Senado Federal, registrando índices expressivos de votação.

A senadora eleita teve 2.694.918 votos (33,5% dos votos válidos), e Carlos Bolsonaro, 2.041.840 votos (25,4% dos votos válidos). Eles farão parte da bancada catarinense ao lado de outro senador do PL, Jorge Seif, cujo mandato vai até 2031. 

A votação de Carol de Toni foi o maior percentual dentre todos os senadores eleitos neste ano. O primeiro suplente dela é Geraldo Wetzel Neto (Novo), e o segundo suplente, Andrey Tomazi (PL).

Ela é a segunda mulher eleita senadora por Santa Catarina, 24 anos depois de Ideli Salvatti (PT), em 2002. Outras chegaram à cadeira pela suplência, como Ivete da Silveira (MDB), que assumiu no lugar do governador Jorginho Mello (PL).

Seguidora de Olavo de Carvalho e defensora do conservadorismo

Mais do que um triunfo eleitoral isolado, o resultado carimbou de vez a liderança de uma política que transformou o combate cultural e a disciplina doutrinária de direita na sua principal característica. Nas redes sociais, a senadora eleita comemorou os mais de 2 milhões de votos recebidos e disse que o resultado aumentará sua responsabilidade junto à população de Santa Catarina.

"Estou pensando já no desafio que a gente tem pela frente, que é retomar a lei, as instituições e a Constituição de nosso país, para que nenhuma autoridade, por mais alto que seja o órgão, esteja acima da lei ou das outras pessoas”, afirmou.

Para compreender como a jovem jurista que iniciou sua caminhada no ativismo de rua nas jornadas de 2013 e se tornou um dos nomes mais influentes da direita no Congresso, é preciso voltar ao ponto de partida. A história política de Carol de Toni se desenha a partir de manifestações, das redes sociais e na formação teórica da chamada "nova direita" brasileira.

Nascida em setembro de 1986 no coração do agronegócio catarinense, Carol de Toni construiu formação acadêmica na Universidade Comunitária da Região de Chapecó (Unochapecó), onde se graduou em Direito. Posteriormente, obteve o título de mestre em Direito Público no Centro Universitário Estácio de Santa Catarina, em São José. É casada com o empresário Matheus Bortoluzzi e tem uma filha, Betina.

Aluna assídua dos cursos online do filósofo Olavo de Carvalho desde o início dos anos 2000, De Toni nunca escondeu o orgulho da sua formação ideológica. Em diversas oportunidades, declarou-se publicamente uma defensora do resgate do pensamento conservador no Brasil, apontando Olavo de Carvalho como a grande bússola de suas convicções políticas e morais.

Campanha de Carol de Toni teve forte apelo à segurança pública e oposição a pautas progressistas

Como uma das principais lideranças do Movimento Brasil Livre (MBL) em Santa Catarina, Caroline de Toni organizou manifestações em favor do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff ao longo de 2015 e 2016. A primeira tentativa nas urnas — uma candidatura a vereadora em Chapecó pelo PP em 2016 — resultou em primeira suplência.

A grande guinada ocorreu em 2018. Migrando para o PSL do então pré-candidato à Presidência Jair Bolsonaro, Carol de Toni surfou a onda da renovação conservadora e foi eleita deputada federal com mais de 109 mil votos, tornando-se a mulher mais votada do estado naquele pleito. 

Ao longo do mandato, a catarinense manteve-se leal à pauta do ex-presidente. Atuou como vice-líder do governo Bolsonaro na Câmara e relatou projetos estratégicos para a ala conservadora.

Em 2022, já filiada ao Partido Liberal (PL), reelegeu-se com 227,6 mil votos, estabelecendo o feito de ser a candidata mais votada de Santa Catarina entre todos os postulantes à Câmara dos Deputados. Em 2024, foi alçada à presidência da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados — o colegiado mais importante do Parlamento.

Caroline De Toni chegou a ter o nome questionado na disputa da própria legenda no começo de 2026, ainda na época de pré-campanha. Com o pouso de Carlos Bolsonaro em Santa Catarina, a legenda cogitou reservar as cadeiras para o ex-vereador carioca e Esperidião Amin, numa tentativa de uma coligação com o PP. De Toni fez valer sua força eleitoral, ameaçou deixar a sigla, forçou a chapa puro sangue para o Senado com Carlos Bolsonaro e superou Amin nas urnas junto com o colega do PL. 

Nas ruas e nos palanques na corrida para o Senado neste ano, a campanha reforçou a defesa da propriedade privada, alinhamento ao agronegócio, forte apelo à segurança pública e oposição às pautas progressistas do governo federal. Entre as principais bandeiras dela estão:

Ao garantir vaga no Senado Federal como a mais votada da história recente de Santa Catarina, Carol de Toni volta ao Congresso como uma das lideranças conservadoras mais fortes da região Sul.