Jogou Pokémon Go? Você ajudou a treinar robô de delivery a drone de guerra
(Toda semana, e conversam sobre tecnologia no podcast. O programa vai ao ar às terças-feiras no, no, no e no. Nesta semana: ; ; ; Alexa+ x ChatGPT)
O que parecia uma brincadeira de caçar Pikachu na rua virou tecnologia para robôs e até drones militares. No novo episódio de Deu Tilt, o podcast do UOL para os humanos por trás das máquinas, Helton Simões Gomes e Diogo Cortiz contam como jogadores do Pokémon Go ajudaram, sem querer, a construir o sistema de localização usado agora por máquinas que substituem humanos e usadas em campos de guerra.
A Niantic, desenvolvedora do game, coletou bilhões de registros visuais a partir de uma função do jogo e usou esse material para montar um mapa 3D que promete ser mais preciso do que o GPS em regiões onde o sinal sofre interferência.
Quem jogou Pokémon GO ajudou a construir robôs entregadores que estão tirando o emprego de seres humanos lá nos Estados Unidos e também está ajudando a construir drones que vão ser usados em guerras, muito provavelmente em bombardeios. A gente está falando da Niantic Spatial, que é um desdobramento da Niantic que todo mundo conheceu quando ela desenvolveu Pokémon GO. Ela abandonou esse mundo dos games e começou a fazer uma coisa que é o concorrente do GPS, um sistema de georreferenciamento em 3D.
Helton Simões Gomes
Lançado em 2016, o Pokémon Go ficou conhecido por mesclar elementos digitais ao mundo físico. Mas, em 2021, o jogo ganhou a função dos PokéStops, em que jogadores precisavam filmar lugares para "melhorar a experiência".
Esse recurso levou a Niantic a capturar 30 bilhões de imagens de ruas, bairros, monumentos e prédios. Com esse acervo, a empresa criou o VPS (sistema de posicionamento visual), que funciona como um "gêmeo digital" de cidades.
Essas várias imagens que a Niantic captou a partir dos usuários -e os usuários concederam uma licença mundial perpétua, irrevogável e transferível sobre o conteúdo mapeado e gerado-- foram usadas para criar o tal do VPS. O VPS é um mapa em 3D confeccionado por essas várias imagens e com uma inteligência artificial que consegue posicionar um objeto em meio àquelas imagens
Helton Simões Gomes
Esse mapa 3D interessa a empresas que precisam dar a máquinas o poder de se localizar com precisão em uma determinada região. Um exemplo é a Coco Robotics, que usa o VPS associado ao GPS para orientar seus robôs de entrega pelas ruas dos EUA.
Outro uso citado no programa envolve guerra: a Vantor, empresa da indústria bélica, se associou à Niantic para combinar os mapas 3D ao mapeamento aéreo feito por seus drones, usados em campos de batalha.
Uma empresa chamada Vantor acabou de fazer uma parceria com a Niantic para que ela tenha os dados desses mapas 3D e combine com os mapas dos drones da Vantor. A ideia é combinar as duas coisas e fornecer para os militares uma ferramenta muito mais precisa para eles tomarem decisões no campo de batalha. E não é uma coisa hipotética, porque a Vantor acabou de fechar um acordo de US$ 270 milhões com o Pentágono.
Helton Simões Gomes
Há outros parceiros interessados no mapa 3D, como a Snap, a Guarda Costeira dos EUA e até o designer de games Hideo Kojima, conhecido pela série Metal Gear, em uma parceria para criar jogos com georreferenciamento no mundo real.
Do ponto de vista corporativo, a Niantic deixou a área de jogos para abraçar integralmente a de imagens em 2025, quando vendeu sua área de desenvolvimento de games para a Scopely, ligada a um fundo soberano da Arábia Saudita
Quem conhece a origem da Niantic, no entanto, não se surpreende com a conexão com o meio militar: a empresa surgiu da Keyhole, que recebeu investimento do In-Q-Tel, o braço de capital de risco da CIA, agência de espionagem norte-americana. Depois, foi comprada pelo Google até se desvencilhar da big tech.
Para Diogo Cortiz, o debate vai além do jogo e é um alerta sobre como dados gerados por usuários são reaproveitados em aplicações com impactos imprevisíveis pelas pessoas.
Tudo o que você faz online gera dados e muitas vezes a gente não lê termo de uso nenhum. Com o avanço da inteligência artificial e da robótica, todos esses usos que a gente faz podem estar gerando dados que vão auxiliar no treinamento de novas ferramentas que vão ter consequências com as quais a gente não concorda, como esse caso de pessoas que usaram Pokémon Go para jogar e, ao mesmo tempo, os seus dados acabaram sendo usados para treinar drones militares.
Diogo Cortiz
A Meta lançou, nos Estados Unidos, um app do Instagram pensado para smart TVs e para o Roku, com foco em vídeos longos e na horizontal. O podcast do UOL para os humanos por trás das máquinas explica por que a empresa quer levar o Instagram para a sala de casa.
Para os apresentadores, a aposta tenta escapar da saturação dos vídeos curtos e, ao mesmo tempo, encostar no modelo de quem domina o consumo de vídeo longo na internet: o YouTube. A mudança também retoma uma ideia que a empresa já tentou no passado, quando ainda era Facebook.
O Instagram for TV já está disponível nos Estados Unidos, nesse aplicativo específico para smart TVs. A proposta é resgatar algo meio nostálgico para quem vem do mundo das redes sociais: vídeos na horizontal e longos. O Instagram ganhou muita força da pandemia para cá quando incorporou a dinâmica de vídeos curtos, inaugurada pelo TikTok, e agora faz um movimento de buscar uma nova linguagem focada para a televisão. A ideia é fazer parcerias com criadores para levar conteúdos inéditos nesse formato longo.
Diogo Cortiz
Claude Skill: como criar truque de IA que fez a Anthropic ofuscar rivais
As "skills" do Claude viraram um atalho para ensinar a IA a repetir tarefas do trabalho e de um jeito mais consistente do que reescrever instruções a cada pedido. Diogo Cortiz e Helton Simões Gomes explicam como criar o recurso e como ele ajudou a Anthropic a ganhar tração diante das rivais.
A dupla compara a ideia a rotinas de assistentes como Alexa e Google Assistente, mas adaptada ao mundo da IA generativa: em vez de apenas responder perguntas, o sistema passa a convocar habilidades pré-criadas conforme a necessidade, como montar slides ou criar posts para redes sociais.
É como quando chega um estagiário e você fala: aqui a gente faz o orçamento sempre dessa forma, usa esse template, coloca essas informações, o cálculo é assim, os slides usam essas cores porque é a nossa paleta. A skill foi transformadora porque você não tem que ficar repetindo isso. Ela é melhor do que instruções personalizadas porque você consegue colocar muito mais informação e ter diferentes skills. A própria IA começa a utilizar e chamar conforme ela precisa: agora ele quer fazer uma apresentação, chama a skill de PowerPoint; agora está revisando um texto, chama a skill de revisão. Isso dá uma customização numa escala muito maior.
Diogo Cortiz
Alexa+ x ChatGPT: assistente da Amazon sofre para acompanhar IA da OpenAI
A Amazon repaginou a Alexa para a era da inteligência artificial generativa e batizou a nova assistente de Alexa+. Na prática, a comparação com o ChatGPT é inevitável, ainda mais quando o usuário quer uma conversa mais natural e respostas com contexto. Deu Til coloca a Alexa+ e ChatGPT frente a frente e explicam os avanços da atualização -e onde ela ainda trava no dia a dia.
Embaixo dessa Alexa Plus tem uma série de LLMs, os grandes modelos de linguagem que dão a vida de ChatGPT e companhia. Agora ela consegue ter uma habilidade conversacional melhor. Você não precisa ficar falando toda hora "Alexa, faça isso, Alexa, faça aquilo". Ela já tem uma malemolência maior na hora de bater um papo, consegue extrair nuances do contexto do que a gente tá perguntando.
Helton Simões Gomes
DEU TILT
Toda semana, e conversam sobre as tecnologias que movimentam os humanos por trás das máquinas. O programa é publicado às terças-feiras no e nas. Assista ao episódio da semana completo.
DEU TILT
Toda semana, e conversam sobre as tecnologias que movimentam os humanos por trás das máquinas. O programa é publicado às terças-feiras no e nas. Assista ao episódio da semana completo.