IA e dívidas ampliaram risco global, diz grupo que reúne bancos centrais
Dívidas elevadas, inflação, incertezas em relação à inteligência artificial e vulnerabilidades financeiras são fatores de pressão que ampliam o risco econômico global, segundo o BIS (Banco de Compensações Internacionais), que reúne os bancos centrais do mundo.
O que aconteceu
Economia mundial enfrenta crescentes pressões globais, diz grupo que engloba bancos centrais do mundo. Em seu Relatório Econômico Anual divulgado neste domingo, o BIS (Banco de Compensações Internacionais) afirma que o aumento da dívida pública, as fragilidades financeiras e a sustentabilidade do crescimento da IA (Inteligência Artificial) estão aumentando os riscos econômicos no mundo e reforçando a necessidade de uma formulação de políticas mais rigorosas.
Preservação da resiliência da atividade econômica depende de políticas que busquem preservar a estabilidade. "As ações políticas devem se reforçar mutuamente para evitar que as políticas se anulem mutuamente na economia global. Em última análise, o sucesso depende de bases fiscais e financeiras sólidas", disse Pablo Hernández de Cos, gerente-geral do BIS.
Relatório destacou preocupação com fontes de inflação. A inflação voltou a subir, e o BIS alertou que interrupções mais frequentes no fornecimento podem fazer com que expectativas de inflação mais elevadas se consolidem entre famílias e empresas. "A principal mensagem que queremos transmitir é a prontidão para agir caso os bancos centrais observem que há uma ancoragem das expectativas de inflação", disse de Cos aos jornalistas.
Desafios da IA
BIS alertou para incertezas quanto à sustentabilidade do atual aumento de investimentos ligados à Inteligência Artificial. Embora a IA tenha impulsionado a confiança e apoiado o crescimento por meio das expectativas de ganhos de produtividade, o BIS alertou que ela está aumentando os temores sobre empregos e que gargalos na cadeia de suprimentos e concorrência acirrada podem levar ao tipo de sobreinvestimento observado em ciclos anteriores de expansão e recessão.
Valorização elevada dos ativos e sinais de complacência dos investidores tornaram principais mercados de títulos mais frágeis. Segundo o BIS, o financiamento da IA também parece cada vez mais dependente de dívidas e estruturas de financiamento complexas em toda a cadeia de suprimentos.
Níveis recordes da dívida pública preocupam. Segundo o BIS, os mercados de dívida soberana estão cada vez mais dominados por grandes fundos de hedge altamente alavancadostá criando "um novo nexo entre estabilidade soberana e financeira", o que representa riscos crescentes.
A nova relação entre estabilidade fiscal e financeira pode significar quedas mais frequentes e acentuadas nos valores dos títulos soberanos. Frank Smets, chefe interino do departamento monetário e econômico do BIS
BIS defende que bancos centrais aumentem o foco na estabilidade. O órgão composto por membros dos bancos centrais apontou que os formuladores de políticas deve priorizar a estabilidade de preços, garantir a sustentabilidade fiscal, coordenar e fortalecer a supervisão além do setor bancário e a buscarem reformas estruturais. "Os formuladores de políticas devem agir agora. A demora só tornará os ajustes necessários mais dispendiosos", disse de Cos.