Houthis acusam Arábia Saudita de atacar aeroporto e Irã diz que guerra deve se espalhar pela região
Os houthis do Iêmen, aliados do Irã, acusaram nesta segunda-feira (13) a Arábia Saudita, aliada dos Estados Unidos, de atacar o aeroporto da capital do país, enquanto os iranianos alertaram que a guerra com os americanos deve se espalhar pelo Oriente Médio.
“Em um ato de agressão flagrante e descarado, o inimigo saudita criminoso atacou o Aeroporto Internacional de Sanaa com uma série de ataques aéreos, encerrando assim a fase de desescalada e assumindo as consequências de sua agressão”, disse Yahya Saree, porta-voz militar dos houthis, em post no X, sinalizando o fim da trégua na guerra civil iniciada no Iêmen em 2014, na qual Irã e Arábia Saudita apoiam lados opostos.
“Afirmamos que essa agressão não ficará sem resposta e punição”, acrescentou Saree. Segundo informações da emissora CNN, em um comunicado separado, o Bureau Político dos Houthis afirmou que o ataque “reflete o nível de ódio e criminalidade nutrido pelo regime saudita — e pelos americanos por trás dele — em relação ao nosso povo”. Riad ainda não se pronunciou sobre a acusação.
De acordo com a agência EFE, o Ministério da Defesa do governo iemenita reconhecido internacionalmente, inimigo dos houthis, anunciou que suas forças armadas atacaram “a pista do Aeroporto Internacional de Sanaa para impedir o pouso de um avião iraniano em território iemenita” que trazia uma delegação dos insurgentes procedente do país persa.
Em breve comunicado, o ministério denunciou que “os grupos terroristas houthis, apoiados pelo regime iraniano”, haviam impedido “o pouso de um avião nacional iemenita no aeroporto de Sanaa”, em referência à proposta do governo iemenita de fretar uma aeronave nacional, em vez de uma iraniana, para trazer a delegação de volta ao Iêmen.
De acordo com o governo reconhecido internacionalmente, os insurgentes insistiram em um “avião iraniano violando o espaço aéreo iemenita”, o que fez com que “a pista do aeroporto fosse atacada”.
Os houthis controlam o oeste do Iêmen, incluindo Sanaa, enquanto o governo iemenita reconhecido internacionalmente controla o restante do país.
Em declaração veiculada pela emissora estatal iraniana Irib, Ebrahim Zolfaghari, porta-voz do Quartel-General Central Khatam al-Anbiya, principal comando militar do Irã, disse nesta segunda-feira que o conflito com os Estados Unidos deve se espalhar pela região.
Zolfaghari condenou o que chamou de “provocações repetidas e ações desestabilizadoras dos Estados Unidos” e disse que a “cooperação de alguns países da região também aumentou o risco de a guerra se espalhar por toda a região”.
, o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom, na abreviação em inglês) informou que realizou na noite de domingo (12) para segunda-feira uma nova onda de ataques contra o Irã, em meio à escalada na guerra após o rompimento da trégua anunciado pelo presidente Donald Trump na semana passada.
Em resposta, o Irã bombardeou novamente bases dos Estados Unidos em países do Oriente Médio.
Na semana passada, irritado com os ataques do Irã a navios comerciais que transitam por rotas marítimas no Estreito de Ormuz não autorizadas pelo regime, Trump anunciou o fim do cessar-fogo na guerra iniciada em fevereiro, o que gerou nova escalada no conflito após trocas de ataques pontuais nas semanas anteriores.