Feliz Dia das Mães, e o maior beijo e abraço do mundo para a Dona Zilda
Domingo, Dia das Mães. Aprendi desde bem pequeno que essa data é muito importante e que envolve muito sentimento e emoção. Eu amava o Dia das Mães porque a Dona Zilda (minha mãe) foi a pessoa mais importante entre todas que conheci na vida.
Enquanto meu pai trabalhava, eu ficava o dia todo com ela, quando ainda não ia para a escola. Enquanto ela cuidava da casa e preparava o almoço, eu ficava sentado no chão assistindo aos desenhos do final dos anos 60 e início dos 70. Ela estava sempre com o rádio ligado e tenho na memória várias das músicas que tocavam todos os dias. Depois do almoço, ela deitava comigo para me fazer dormir e adormecia também — afinal de contas, era ela quem cuidava de tudo.
Depois dessa sonequinha, ela assistia a um programa feminista na TV Bandeirantes que se chamava Xênia e Você. Ela me explicava, mais ou menos, o que as mulheres reivindicavam naqueles tempos em que tinham muitas dificuldades de se colocarem na sociedade. Mas o movimento já começava a se fortalecer e, na TV, passavam muitas séries com a mulher como protagonista. Lembro-me de uma que assistia todos os dias e adorava, mesmo já sabendo da importância dela: eu e minha mãe assistíamos a Mary Tyler Moore Show e fiquei superfã da Mary. A história era de uma mulher separada que havia mudado de cidade e começado a trabalhar em um jornal como editora.
Outra coisa que fazíamos muito juntos era ir ao cinema. Se meu pai me levava para assistir a filmes de faroeste ou do Charles Bronson, a minha mãe me levava para ver desenhos da Disney e comédias. Lembro-me de ter visto com ela Bambi, Aristogatas, A Dama e o Vagabundo, Branca de Neve e tantos outros dos Estúdios Disney. Das comédias, lembro que íamos sempre assistir ao Jerry Lewis, sozinho ou com o Dean Martin.
A Dona Zilda era forte e segurou muitas barras pesadas, porque meu pai era alcoólatra e, muitas vezes, as coisas não eram fáceis. Mas o maior sofrimento dela foi quando minha irmã, Zildinha, faleceu aos 23 anos; vi a dor insuportável que ela sentiu.
Por tantas coisas que nossas mães fazem por nós, pelas situações que passam e pelas barras que seguram, esse dia é muito importante, pois representa o reconhecimento dos filhos por elas.
Elas adoram o almoço desse dia com todos os filhos juntos. Quando somos adolescentes, muitas vezes achamos um saco aquele almoço tradicional e familiar, mas, quando não as temos mais por perto, dá um aperto no coração. Minha mãe faleceu em 2015 e sinto muita falta das suas ligações.
-- Waltinho? -- ela dizia.
Eu atendia:
-- Oi, mãe, beleza?
Aí vinha a pergunta que ela me fazia umas três vezes por dia:
-- Está tudo bem com você, Waltinho?
Eu respondia:
-- Tá sim, mãe, tudo beleza.
Ela insistia:
-- Está tudo bem mesmo?
Minha mãe era muito carinhosa comigo e sempre me viu como aquele garotinho que ficava com ela em casa ouvindo música. Nossa valorização por elas sempre será menor do que tudo o que fizeram por nós. Claro que digo isso porque venho de uma geração que acordava e pedia a bênção para os pais, ao sair e antes de dormir também.
Minha mãe me levou pela primeira vez à escola, para treinar futebol de salão e me acompanhou algumas vezes nos jogos em outros clubes. Um desses momentos é inesquecível para mim: eu jogava o Campeonato Paulista de Futebol de Salão na categoria mirim pelo Clube Esportivo da Penha; o jogo foi no Clube Atlético Ypiranga e foi lá que marquei meu primeiro gol com a presença dela. Corri até onde ela estava e dei um forte abraço nela.
Ela merecia vários abraços e beijos porque fez tudo por mim. Na realidade, fomos a companhia um do outro por muito tempo, até eu ir para a Europa. Enfim, são tantas histórias, momentos e uma imensa felicidade que passamos juntos, que eu ficaria escrevendo por dias sem conseguir contar tudo e expressar todo o amor e carinho que sinto por ela.
Feliz Dia das Mães para todos e o maior beijo e abraço do mundo para a Dona Zilda. Te amo, minha mãe!
Opinião
Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.