Fachin mantém suspeição de Toffoli sob sigilo após cobrar transparência de Mendonça

11 de Set de 2026 - 15:30
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Fachin mantém suspeição de Toffoli sob sigilo após cobrar transparência de Mendonça

Mesmo após determinar que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) retire o sigilo dos documentos envolvendo o caso Master, o presidente da Corte, Edson Fachin, mantém sob sigilo um processo sob sua relatoria com informações sobre a relação entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Dias Toffoli.

A determinação pelo fim do sigilo ocorreu nesta quinta-feira (10). Após uma manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR), Fachin deu 24 horas para que o relator da operação Compliance Zero torne públicos outros documentos que seguem sigilosos, exceto os que poderiam prejudicar investigações em curso caso circulem.

As duas determinações, no entanto, atingem apenas Mendonça. A ação sob o controle de Fachin é uma arguição de suspeição da Polícia Federal (PF) contra Toffoli. O pedido foi arquivado, mas motivou a substituição da relatoria do caso Master. Nele, há os indícios que motivaram a PF a argumentar que Toffoli não poderia julgar o banqueiro.

A Gazeta do Povo entrou em contato com o Supremo para saber se o sigilo da Arguição de Suspeição (AS) nº 244 será levantado. O espaço segue aberto para manifestação.

O que pesa contra Toffoli

Toffoli foi o primeiro a ser alvo de questionamentos após a deflagração do caso Master. O relatório enviado a Fachin teria reunido menções ao magistrado, registros de contatos e informações sobre negócios ligados ao entorno de Toffoli.

A controvérsia ganhou corpo no debate público acompanhada do Tayayá, um resort em Ribeirão Claro (PR) fundado pela família de Toffoli. O ministro confirmou que é sócio da Maridt, empresa que já esteve entre as proprietárias do resort. Entre 2021 e 2025, o fundo Arleen, ligado à rede de negócios do Banco Master, dividiu com familiares de Toffoli a participação no empreendimento. Uma reportagem do portal Metrópoles foi até o local e constatou que cidadãos ainda chamam o local de "resort do Toffoli".

A PF identificou ainda mensagens entre Daniel Vorcaro e seu cunhado, Fabiano Zettel, que indicariam pagamentos de pelo menos R$ 20 milhões do fundo Arleen à Maridt após um contrato firmado em 2024. Em relatório mais recente, a corporação passou a trabalhar com a hipótese de que Toffoli pudesse ser o beneficiário final ou proprietário de fato do próprio Arleen.

Após a CPI do Crime Organizado aprovar a quebra dos sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático da Maridt, a empresa foi ao Supremo, mas não recorreu a Mendonça, relator dos procedimentos relacionados ao colegiado. Em vez disso, protocolou o pedido em uma ação arquivada há três anos sobre a quebra de sigilos da produtora Brasil Paralelo na CPI da Pandemia.

O decano suspendeu a quebra dos sigilos após determinar que o processo fosse reautuado como habeas corpus e distribuído por prevenção àquele mesmo mandado de segurança, ou seja, voltar a ele. Depois disso, Fachin advertiu os ministros para que sigam o rito de processamento e validação pela secretaria judiciária nas petições em processos arquivados, para prevenir a criação de mais estopins para novos blocos de prevenção.

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