F1: Sainz propõe punição para quem provocar bandeira amarela ou vermelha na classificação; pilotos opinam
A classificação do GP da Áustria, no sábado passado, foi motivo de muita discussão no paddock da Fórmula 1 por causa do procedimento seguinte à batida de Max Verstappen na curva nove em Spielberg. Nesta quinta-feira (02), dia de mídia do GP da Grã-Bretanha, o assunto voltou a ser pauta, com Carlos Sainz, diretor da Associação de Pilotos de GPs (GPDA) propondo punições àqueles que causem bandeiras amarelas ou vermelhas em treinos classificatórios. Leia também:
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No último sábado, Verstappen se chocou com a barreira de pneus nos segundos finais da classificação e, em um primeiro momento, uma bandeira amarela simples foi acionada. 22 segundos depois, ela se transformou em uma bandeira amarela dupla, mas George Russell garantiu a pole position pois havia tirado o pé o suficiente durante o tempo de bandeira simples. Sainz foi questionado sobre o ocorrido nesta quinta-feira e confessou ter "uma ideia muito pessoal sobre isso, que ainda não foi discutida entre os membros da GPDA", mas a qual pode aparecer como uma sugestão. "Para mim, está claro que aquela situação deveria ter resultado em bandeira amarela dupla ou bandeira vermelha. A forma como George lidou com aquilo foi perfeita, dentro do que o regulamento permite. Ele mereceu a pole position, porque utilizou as regras de forma impecável, mas ele nunca deveria ter sido autorizado a completar aquela volta em uma situação tão perigosa", começou o espanhol. "Se o Max tivesse feito a pole na primeira tentativa, depois provocasse aquele acidente e viesse uma bandeira vermelha que impedisse qualquer melhora de tempo, isso seria injusto com George, Kimi [Antonelli] e todos os demais, porque o piloto que está na pole acaba impedindo que os outros melhorem suas voltas", continuou. Este não era exatamente o caso de Verstappen, pois o holandês não era pole position no momento do acidente, mas Sainz relembrou outras situações para ilustrar seu ponto de vista. O espanhol mencionou a classificação do GP do Azerbaijão de 2025, quando ele mesmo colocou sua Williams na primeira posição, mas perdeu a colocação para o tetracampeão nos momentos finais, além de citar, de maneira geral, os sábados de Monte Carlo. "É como normalmente acontece em Mônaco. Eu poderia ter feito isso no ano passado, em Baku, quando estava na pole e fui o primeiro a sair dos boxes. Pensei: 'Se eu bater agora, fico com a pole'. Todos nós temos esses pensamentos e pensamos nisso em algum momento. Nós sabemos como o regulamento funciona", confessou. "Acho que qualquer piloto que provoque uma bandeira amarela ou vermelha na classificação deveria receber uma punição de três posições no grid. Assim, pelo menos haveria uma penalização e um desestímulo para atacar no limite em determinadas situações", propôs Sainz. "Esse não foi o caso do Max, porque ele era o terceiro colocado. Obviamente, ele bateu por causa de uma falha ou algo do tipo". "Mas acho que precisamos encontrar uma solução para isso. Minha única ideia é que, se você causar uma bandeira amarela ou vermelha, deveria receber algum tipo de punição. Se você vai com tudo, exagera e acaba impedindo que os outros melhorem suas voltas, está conquistando a posição justamente por não permitir que os demais façam um trabalho melhor do que o seu, mesmo que isso não seja intencional", continuou. O espanhol ainda discutiu sobre o próprio argumento ao questionar um hábito frequente, especialmente no Q3: só sair dos boxes para a volta decisiva nos momentos finais, buscando não dar tempo aos rivais para que façam novas tentativas caso se registre um tempo muito bom. "Temos dez minutos para completar a volta. Por que todos deixamos para a última tentativa? Por que não saímos todos quando ainda faltam oito minutos, registramos nossa volta e garantimos que uma bandeira vermelha não atrapalhe? Esse seria um argumento perfeitamente válido para dizer que não é necessária uma punição por provocar uma bandeira vermelha", falou. "Mas já vi isso acontecer muitas vezes, especialmente em circuitos como Baku e Mônaco. Os pilotos acabam provocando bandeiras amarelas no Q1, no Q2 e no Q3. É impossível para os comissários, a menos que você seja um ex-F1 muito experiente, saber exatamente como essas situações acontecem. Para mim, isso mostra que precisamos encontrar uma solução", acrescentou, revelando ainda já "ter visto várias vezes" bandeiras propositais. "Vocês [a mídia, o público] também já viram em Mônaco. O problema é que nunca dá para saber com certeza o que aconteceu, mas esse tipo de situação existe", finalizou. Outros pilotos foram questionados sobre a ideia de Sainz e opinaram sobre o assunto. Charles Leclerc, que foi companheiro de equipe do espanhol na Ferrari, disse entender o porquê da proposta de Sainz, mas não vê como ela funcionaria como regra geral, válida para todas as pistas. "Não fui o único que bateu na classificação em Mônaco. É verdade que é um daqueles circuitos em que você pode jogar um pouco com as bandeiras amarelas, mas existem pistas específicas nas quais talvez precisemos analisar isso com mais atenção", disse o monegasco. "Transformar isso em uma regra para todas as corridas... Acho que o piloto que acaba no muro, como Max na Áustria, já paga um preço alto por bater e não conseguir completar a volta, que teria sido suficiente para colocá-lo em segundo. Então, como regra geral, não faz muito sentido. Há alguns circuitos em que nós, pilotos, já discutimos isso", acrescentou. Já Verstappen acredita que, quando alguém provoca uma bandeira amarela ou vermelho "deliberadamente" durante a classificação, "a punição deveria ser ainda mais severa" do que as três posições no grid propostas por Sainz. Para o tetracampeão, a principal preocupação sobre esse assunto está no regulamento ter permitido que Russell completasse a volta. Segundo ele, "aquilo não deveria ter sido apenas uma bandeira amarela simples". "As pessoas ainda conseguem completar a volta, enquanto outras precisam abortá-la. É claro, você pode conhecer muito bem o regulamento: complete a volta e ela continua valendo. Mas, antes de tudo, aquilo não deveria ter sido apenas uma bandeira amarela simples. No mínimo, deveria ter sido uma bandeira amarela dupla ou uma vermelha", opinou. "A partir daí, o piloto apenas tira o máximo proveito da situação. Isso é justo e eu provavelmente teria tentado fazer a mesma coisa. Mas não deveria ser permitido, nem possível, completar uma volta nessas condições. Essa, para mim, é a principal questão de toda a situação", completou. Oscar Piastri, da McLaren, concordou com a análise de Verstappen ao dizer que "provavelmente" deveria ter sido acionada uma bandeira dupla amarela ou vermelha, pois "foi um acidente considerável; não foi como se ele simplesmente tivesse parado o carro no acostamento". Além disso, "em uma sessão de classificação, bandeiras amarelas e bandeiras amarelas duplas acabam criando situações confusas, como vimos", continuou o australiano. "George fez um trabalho impressionante ao administrar a situação, aliviar o ritmo e ainda assim conseguir a pole, mas esse tipo de situação sempre gera uma enorme zona cinzenta". Sobre a proposta de Sainz, Piastri relembrou que "nas categorias de base em que correu, essa regra existia", destacando que o debate se deve ou não haver punição "existe há anos". O piloto da McLaren, destacou que a situação não é fácil de ser analisada, mas ele mesmo veria a adoção da regra como "aceitável". "Em um cenário como esse, é muito difícil julgar. Se o carro quebra ou, como aconteceu com o Max, há um problema mecânico que provoca o acidente, então, de certa forma, seria injusto. Por outro lado, se essa regra existisse, eliminaríamos parte das situações que vimos ao longo dos anos, especialmente no Q3 e em circunstâncias desse tipo. Então, há argumentos tanto a favor quanto contra", disse. "Eu certamente não seria contra a adoção dessa regra, acho que seria algo aceitável. Mas, quando há uma falha mecânica, por exemplo, aí a situação se torna muito difícil de administrar. Acho que seria justo dizer que não sou contra essa ideia", concluiu. RUSSELL VIVO? Saudades de Max X Hamilton, Bortoleto ZICADO, KIMI e suas histórias e + | FELIPE MOTTA
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