Dólar sobe a R$ 5,06 e Bolsa cai a 170 mil pontos pela 1ª vez desde janeiro

3 de Jun de 2026 - 19:30
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Dólar sobe a R$ 5,06 e Bolsa cai a 170 mil pontos pela 1ª vez desde janeiro

O dólar comercial fechou em alta nesta quarta-feira, a R$ 5,067. Já a Bolsa de Valores recuou ao patamar de 170 mil pontos pela primeira vez desde 20 de janeiro. O mercado financeiro foi novamente influenciado pela política comercial externa dos Estados Unidos, que anunciou mais uma taxa sobre as exportações brasileiras.

O que aconteceu

Dólar subiu. Em alta desde a abertura, a moeda americana terminou o dia negociada no a R$ 5,067, variação positiva de 1,15% ante o fechamento de ontem.

Mercado é novamente influenciado por anúncio de tarifas extras sobre exportações brasileiras para os EUA. O Brasil foi incluído entre 60 países por supostas falhas no combate à importação de itens produzidos com trabalho forçado, propondo como penalidade sobretaxa de 12,5% em razão disso.

Para o Brasil, o risco não é apenas vender menos, mas perder margem, competitividade, o que demanda acelerar a busca por outros destinos, como China, União Europeia e novos mercados.
Jackson Campos, diretor da AGL Cargo

Bolsa perde fôlego. O recuou 2,22%, aos 170.257 pontos. O movimento interrompeu o viés positivo de ontem, , interrompendo sequência de cinco pregões seguidos de perdas.

Última vez que Ibovespa fechou abaixo de 170 mil pontos foi em 20 de janeiro. Indicador vinha subindo até 14 de abril, quanto atingiu 198.657 pontos, recorde histórico. De lá para cá, recuou cerca de 14%. Movimento coincide com menor fluxo de capital externo. Em maio, o saldo líquido das aplicações dos estrangeiros foi negativo em R$ 14,9 bilhões da B3. Segundo dados levantados pela consultoria Elos Ayta é maior saída mensal de recursos desde janeiro de 2022.

Preço do petróleo volta a se aproximar de US$ 100. O contrato futuro do petróleo do tipo Brent, referência mundial, com vencimento em agosto subiu 1,89%, US$ 97,81. Já o petróleo WTI para julho, referência nos EUA, fechou em alta de 2,4%, a US$ 96,02 por barril. A cotação do petróleo sofre pressão da .

Profissionais do setor financeiro analisam ainda o avanço da indústria brasileira. A , ante mesmo mês do ano passado, segundo divulgou hoje o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), em desempenho impulsionado pelo salto de 13,3% da produção de derivados do petróleo e biocombustíveis. Ante março, a expansão foi de 0,7%, quarta taxa positiva consecutiva, acumulando 4,4% de alta.

A produção industrial tem crescimento influenciado pelo cenário internacional do petróleo, que deve continuar contribuindo positivamente para a produção nos próximos meses.
André Valério, economista sênior do Inter

Mercado busca nos indicadores de atividade econômica novas pistas para calibrar apostas nos juros. Ainda prevalece a expectativa de que o Banco Central vá reduzir, pela terceira vez seguida, a taxa Selic (taxa básica de juros do Brasil) em 0,25 ponto percentual, de 14,50% para 14,25% ao ano. É o que apontam 74% das posições de investidores que atuam nos . Outros 24% aguardam manutenção da Selic. O Copom (Comitê de Política Monetária), do Banco Central, se reúne nos dias 16 e 17 deste mês para decidir.

O aumento das expectativas inflacionárias, a resiliência da atividade econômica e os estímulos fiscais mantêm elevada a preocupação com a convergência da inflação.
Gabriel Mollo, analista de investimentos da Daycoval Corretora