Dolar fecha a R$ 5,21 em dia marcado por dados mistos de emprego nos EUA

2 de Jul de 2026 - 17:15
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Dolar fecha a R$ 5,21 em dia marcado por dados mistos de emprego nos EUA

O dólar fechou esta quinta-feira cotado a R$ 5,21, praticamente estável e perto do maior valor em três meses, após alternar variações positvas e negativas, em sessão influenciada pela divulgação de indicadores mistos para o mercado de trabalho nos Estados Unidos, que impactaram apostas nas taxas de juros da maior economia do mundo. Na Bolsa, o Ibovespa, índice das ações mais negociadas, sustentou o segundo ganho após três pregões de queda.

O que aconteceu

Dólar fecha estável após alternar momentos de baixa. A moeda americana fechou o dia cotada no em baixa a R$ 5,208, menos 0,03%, após atravessar a sessão alternando momentos de apreciação e de baixa ante o real. Entre a mínima e a máxima dia, a divisa oscilou entre R$ 5,16 e R$ 5,22.

Dados mistos para emprego nos Estados Unidos influenciaram volatilidade no câmbio. A , de 129 mil em maio, e ante 110 mil novas posição que eram estimadas por analistas ouvidos pela Reuters. Por outro lado, a taxa de desemprego de 4,3% para 4,2%, segundo dados divulgados hoje pelo governo do país. Os dados provocaram leituras diferentes entre agentes de mercado.

O dado aponta para um mercado de trabalho estável, sem sinais de superaquecimento, mostrando uma geração de empregos mais baixa, o que reduz a probabilidade de um aumento na taxa de juros nos próximos meses. Vinicius Flores, analista de investimentos e sócio da gestora Stratton Capital

Apesar de os dados divulgados hoje terem ficado abaixo do esperado pelo mercado, o mercado de trabalho dos EUA continua aquecido, enquanto a inflação segue elevada. Diante desse cenário, acreditamos que o Fed vai voltar a subir os juros em 2026. Felipe Salles, economista-chefe do C6 Bank

Juros nos Estados Unidos têm influenciado câmbio no Brasil. O desemprego tem sido monitorado pelo Fed (Federal Reserve), Banco Central do país, como uma das condições para cortar, manter ou elevar a taxa básica de juros no país, . Elevada, a taxa favorece o rendimento em aplicações por lá, como em títulos do Tesouro, os Treasuries, e atrai recursos de carteiras de investidores. Esse movimento que fortalece o dólar em detrimento de outras moedas. Já um cenário de piora de emprego abre espaço para queda de juros, que favorece as divisas de outros países.

O indicador, em conjunto com , contribuem para reduzir as chances de aumento nos juros americanos no segundo semestre do ano, o que tende a favorecer ativos de risco e reduzir a força do dólar frente às demais moedas. Por isso, logo após após o indicador, os juros futuros do Tesouro Americano e o índice dólar operam em queda, enquanto os ativos de risco reagem em alta. Sara Paixão, Analista de Macroeconomia da InvestSmart XP

Apesar de os dados divulgados hoje terem ficado abaixo do esperado pelo mercado, o mercado de trabalho dos EUA continua aquecido, enquanto a inflação segue elevada. Diante desse cenário, acreditamos que o Fed vai voltar a subir os juros em 2026. Felipe Salles, economista-chefe do C6 Bank

Leilão de títulos do Tesouro refletiu aversão a risco entre investidores. O Tesouro Nacional colocou hoje R$ 17,3 bilhões em títulos prefixados, sendo 20 milhões de (LTN) e 3,65 milhões de prefixados com juros semestrais (NTN-F), com vencimentos entre 2028 e 2037. Segundo operadores ouvidos pelo UOL, o volume bem superior ao oferecido três semanas antes, de 150 mil LTN e 450 mil NTN-F, teve comprador graças às taxas elevadas, que chegaram a 14,6% ao ano.

Petróleo ajuda a alivir pressões inflacionárias. O impacto do dólar sobre a inflação brasileira tem sido atenuado pela desvalorização do barril, que retornou aos patamares pré-guerra no Oriente Médio. Após a assinatura de acordo entre Estados Unidos e Irã, tem sido normalizada gradualmente a passagem de petroleiros pelo Estreito de Hormuz, rota na costa iraniana por onde passavam 20% do fornecimento mundial dessa commodity, que é a principal fonte de energia da economia mundial. Por volta das 17h (horário de Brasília), o contrato futuro do barril do tipo Brent, referência internacional, com entrega para setembro, cedia 1,4%, a US$ 70,60 — ante valor de US$ 72,48 praticado em 28 de ferreiro, véspera dos ataques americanos e israelenses contra o Irã.

A queda do petróleo para US$ 70 representa um alívio relevante. O real se mantém em torno de R$ 5,15, ainda valorizado frente a 2025, sustentado pelo prêmio de juros elevado e por exportações robustas de petróleo e agronegócio, sem representar risco inflacionário relevante. Rafaela Vitória, economista-chefe do Inter

Ibovespa tem sessão de leve alta. O índice das ações mais negociadas na Bolsa do Brasil B3 iniciou o pregão desta quinta-feira em alta, subindo 0,84%, para 173.090 pontos, mas perdeu força ao longo do dia, sustentando a variação positiva mais moderada. Às 17h, perto do fechamento, o índice subia 0,64%, a 172.787 pontos.

O dado de emprego nos Estados Unidos mantém cenário de cautela, mas favorece alguma acomodação dos juros dos Treasuries. Esse ambiente é construtivo para ativos de risco, desde que a desaceleração da economia americana seja gradual e sem sinais de deterioração mais intensa. Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos

Bolsa depende de fluxo de dólares para sustentar recuperação. Os estrangeiros respondem por cerca de 60% do giro de negócios na B3. Desde maio, o saldo das aplicações desse grupo tem sido negativo, somando R$ 24 bilhões nos dois meses. Nesse período, o Ibovespa, dos papéis mais negociados aqui, recuou 8,3%. Assim, menor risco de aumento de juros nos Estados Unidos pode estimular a atração de recursos do exterior para o mercado brasileiro.

O mercado brasileiro segue oferecendo uma das relações risco-retorno mais atrativas entre os principais mercados emergentes, mas a materialização desse potencial continua condicionada à estabilização do cenário macroeconômico doméstico, à compressão dos prêmios de risco e, principalmente, à retomada do fluxo estrangeiro para os ativos locais. Victor Penna e Wesley Bernabé, gerentes de pesquisas do BB Investimentos

Corporativo

conclui aquisição total de empresa mexicana. A fabricante brasileira de aeronaves informou ao mercado que adquiriu da Safran Cabin a fatia restante que ainda não detinha na joint venture EZ Air México, que produz componentes, como compartimentos de bagagem, lavatórios e painéis de piso para a linha de jatos.

BTG traça cenário positivo para Embraer. Em relatório a clientes, os analistas afirmam que a , a mais importante no calendário mundial da aviação neste ano. Os profissionais reiteram a recomendação de compra para os recibos de ações negociados nos Estados Unidos, com preço-alvo de US$ 97, cerca de 54% acima do fechamento de ontem, em US$ 63,05.

Reconhecemos que a Embraer se aproxima da feira deste ano com uma carteira de pedidos significativamente mais robusta, especialmente para a família E2, do que tinha no ano passado. Além disso, 2026 ainda deve ser um ano forte em termos de entrada de pedidos, embora um pouco abaixo de 2025, que de fato foi um ano excepcionalmente forte. Lucas Marquiosi, Fernanda Recchia e Sanuel Alkmim, analistas da Embraer

tem prorrogação da concessão na Malha Oeste. A operadora ferroviária controlada pela Cosan informou em comunicado que acertou com o governo um 5º Aditivo, que estabelece um regime excepcional e transitório de continuidade operacional mínima da estrutura, de 1,9 mil quilômetros, com vigência de até 180 dias. Durante o período de extensão, a empresa não prestará serviços de transporte ferroviário, assumindo apenas escopo mínimo de atividades: guarda, vigilância, manutenção essencial e monitoramento dos ativos. Os custos dessas atividades, que não estavam previstos no contrato original, serão calculados para que a empresa possa calcular novos créditos a receber. "A instauração deste encontro de contas é obrigação da União e o processo deverá ser concluído até o término
do período de extensão"m informou a Rumo em comunicado.