Desigualdade cresce, apesar de renda do brasileiro ser a maior da história
O rendimento médio de todas as fontes de renda da população residente no Brasil subiu 5,4% no ano passado, de R$ 3.195 para R$ 3.367, e atingiu o maior valor da história, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Apesar do recorde, as desigualdades voltaram a crescer.
O que aconteceu
Rendimento recebido pelos brasileiros bate recorde em 2025. Do total de habitantes do Brasil, 143 milhões tinham algum tipo de renda, o equivalente a 67,2% da população. Entre eles, os ganhos médios aumentaram para R$ 3.367 e superaram o maior valor da série histórica da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) sobre o rendimento de todas as fontes, coletada desde 2012.
População com rendimento do trabalho aumentou para 47,8%. O avanço de 0,7 ponto percentual ante 2024 levou o rendimento ao maior patamar de toda a série histórica da pesquisa. Dentro do grupo, a renda média recebida era de R$ 3.560, valor 5,73% superior ao rendimento agregado de todas as modalidades investigadas.
Outras fontes correspondem à renda de 27,1% da população. Apesar do leve recuo dos rendimentos a partir dos programas sociais do governo (de 9,2% para 9,1%), aumentaram as proporções daqueles com a renda associada à aposentadoria e pensão (de 13,5% para 13,8%), aluguel e arrendamento (de 1,8% para 1,9%), pensão alimentícia, doação e mesada (de 2,2% para 2,3%) e outros rendimentos (de 1,5% para 1,9%).
Ganhos com aposentadoria e pensão evoluem em ritmo mais lento. A progressão até o maior patamar da série histórica evoluiu de 11,7% para os atuais 13,8% desde 2012. Com o avanço, a população na condição é estimada em 29,3 milhões de pessoas, que têm rendimento estimado de R$ 2.697, valor 2,12% superior ao apurado em 2024 (R$ 2.641).
Renda associada aos programas sociais foi a única que caiu. O rendimento das pessoas que recebem algum benefício dos governos federal, estadual ou municipal passou de R$ 875 para R$ 870. Mesmo sendo a única variação anual negativa, o valor dos auxílios saltou 71,26% desde 2019, quando o rendimento dos beneficiários era de R$ 508.
Rendimento domiciliar por habitante também é o maior valor da série. No ano passado, houve crescimento de 6,89%, de R$ 2.118 para R$ 2.264 da renda per capita dos lares brasileiros. O recorde surge com a expansão de 18,9% desde 2019. Na comparação com 2012, ano inicial da pesquisa, o crescimento acumulado é de 27%.
Trabalhos respondem por três quartos do rendimento domiciliar. A renda mensal per capita originada de empregos representa 75,1% da composição dos ganhos médios mensais das residências. Entre as demais fontes, o destaque fica para a aposentadoria (16,4%), seguida pelos programas sociais (3,5%) e aluguéis e arrendamentos (2,1%).
Desigualdade em alta
Evolução dos rendimentos não impede aumento do Índice de Gini. Conhecido por apresentar a concentração de renda entre 0 (máxima igualdade) a 1 (máxima desigualdade), o indicador subiu de 0,487 para 0,491 no ano passado. Mesmo com a variação positiva, o índice segue em patamar abaixo dos valores de 2018 e 2019, anos que registraram o máximo da série histórica (0,506).
Região Sul (0,445) permanece como a menos desigual do Brasil. O Índice de Gini também recuou no Nordeste (de 0,509 para 0,507), variação que não retira da região o status de mais desigual do país. Na passagem de 2024 para 2025, houve o avanço no Norte (de 0,477 para 0,491), Centro-Oeste (de 0,464 para 0,485) e Sudeste (de 0,476 para 0,482).
População de maior renda tem maior expansão da rentabilidade. Aqueles que integram a parcela de 10% dos habitantes com renda mais elevada observaram um incremento de 8,7% dos ganhos (de R$ 8.385 para R$ 9.117). Por outro lado, no extremo inferior das classes de renda, o rendimento domiciliar per capita subiu de 3,1% (R$ 260 para R$ 268).
Renda dos 40% com menores rendimentos atinge nível recorde. Se comparado a 2024, o rendimento dos que encerraram o ano passado com ganho familiar estimado em até R$ 1.027 foi 4,7% maior. Na comparação com 2019, houve aumento de 37,6% na média nacional.
Evoluções são justificadas pelo dinamismo do mercado de trabalho. Gustavo Geaquinto Fontes, analista da Pnad, explica que os crescimentos da remuneração nos últimos anos é motivado pela elevação do nível de ocupação que levou o desemprego para os menores patamares da história, os reajustes reais do salário mínimo e a expansão dos programas sociais.
Apesar do expressivo crescimento acumulado do rendimento domiciliar per capita dos 40% da população de menores rendimentos no período de 2019 a 2025, nota-se, no último ano, um arrefecimento da taxa anual de expansão do rendimento desse grupo populacional.
Gustavo Geaquinto Fontes, analista da Pnad
Maiores rendimentos são, em média, 13,8 vezes superiores aos menores. A discrepância entre as populações formadas pelos 10% dos maiores rendimentos e os 40% menores aparece relativamente acima da registrada em 2024 (13,2 vezes). Apesar da oscilação positiva, o valor permanece abaixo do observado em todos os anos anteriores do levantamento.