Ctrl+Z: ONG de ex-chefe da Meta recebe denúncias de abusos de big techs

5 de Mai de 2026 - 12:00
 0  1
Ctrl+Z: ONG de ex-chefe da Meta recebe denúncias de abusos de big techs

Ctrl+Z é a sequência no teclado que desfaz uma ação no sistema operacional Windows e também o nome de uma ONG que quer "enfrentar as big techs".

O que aconteceu

Organização é liderada por ex-executiva da Meta no Brasil. Daniela da Silva Scapin foi chefe de políticas públicas do WhatsApp do Brasil e, segundo descrição no site da Ctrl+Z, decidiu deixar seu cargo em sinal de protesto contra mudanças na companhia. Na época, no início de 2025, a empresa anunciou o encerramento de programas de diversidade, integridade e .

Líder concedeu entrevista ao podcast Deu Tilt ano passado logo após deixar a Meta. Na ocasião, que, segundo ela, vieram acompanhadas de um discurso que ela classifica como ofensivo por parte das pessoas que carregam a empresa nas costas.

De repente você substitui isso pela retórica de que está faltando energia masculina. No dia seguinte a essa frase, conversei com mulheres da empresa. A Meta é uma empresa de liderança masculina carregada por muitas mulheres. A minha sensação é que o Mark deveria pedir desculpas para as mulheres que trabalham aqui
Daniela Scapin, em entrevista ao podcast Deu Tilt

A ideia da ONG é articular pessoas e instituições contra big techs no Brasil. A organização se propõe a fazer isso com duas linhas de atuação:

  • Coletando denúncias contra as empresas. Por meio da plataforma Add+, eles querem reunir vítimas de suspensões, bloqueios e violações de direitos por plataformas para, assim, oferecer suporte jurídico.
  • Recebendo denúncias de informantes qualificados. A plataforma #vazabigtech é um canal para denunciantes (whistleblowers) - pessoas que têm conhecimento de irregularidades dentro de uma organização e querem divulgar essas práticas de forma anônima. O conteúdo é analisado por juristas e jornalistas e, se tiver relevância, vira reportagem a ser publicada.

Por que importa?

Big Techs estão presentes em quase todos os aspectos da vida digital. Seja por meio de redes sociais e ferramentas de comunicação, hospedagem de serviços ou no fornecimento de equipamentos para acesso à internet.

Com valor de mercado da ordem de trilhões (em alguns casos), essas empresas têm forte influência. Elas têm poder de moldar hábitos de consumo, opinião e até processos democráticos. Por essa razão, nos últimos anos, alguns governos têm imposto regras para regularizar situações potencialmente danosas. Recentemente, o Brasil estabeleceu o Eca Digital para oferecer regras para menores no ambiente virtual. Em outros anos, vendo a influência dos meios digitais, foram estabelecidas regras para propaganda política durante o período eleitoral, como evitar que uma propaganda não tenha a identificação adequada.

A ONG afirma em sua página que não quer que futuro digital seja "decidido em salas fechadas na Califórnia". A entidade pretende exercer o ativismo digital para "enfrentando o modelo de operação das big techs no país" por meio da investigação e exposição de abusos.